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23/04/2011
Homilia da Paixão


Evangelho - Homilia da Paixão
23/4/2011 17:17:34

Evangelho - Homilia da Paixão


Sexta-Feira da Paixão e Morte do Senhor
Celebração da Cruz em Honra da Paixão do Senhor
“113º Semana no Exílio”
Ano “A”
 
 
                                                           Is 52, 13-53, 12
                                                           Sl 9l 30
                                                           Hb 4, 14-16; 5, 7-9
                                                           Jo 18, 1- 19, 42
 
 
 
Sexta-Feira da Paixão do Senhor, 22 de Abril de 2011.
 
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado e nossa Mãe Maria Santíssima. Salve!
 
Meus amados! No silêncio desta tarde Santa fazemos memória aos Mistérios que estamos celebrando: a Paixão e a Morte de Nosso Senhor. Assim, damos continuidade ao nosso Tríduo Sacro. Nas leituras que escutamos, pudemos perceber, mais profundamente, os Mistérios do Sofrimento (Paixão) e a Morte do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por isso somos chamados a contemplar Jesus Crucificado. Façamos com Ele, nossa peregrinação até o Calvário, e participemos da sua agonia e dor... Logo no início do Santo Evangelho, o Apóstolo São João nos fala de um Jardim (horto), onde nele Jesus experimenta a dor da traição, do abandono, e da morte. Este Jardim (o Édem) prefigura a desobediência dos nossos pais (Adão e Eva), que disseram “não” a Deus, e foram privados da Sua glória. Perderam o Paraíso... “Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para a outra banda da torrente do Cedron, onde havia um horto, no qual entrou ele e os seus discípulos. Ora Judas, que o entregava, sabia também deste lugar... (Jo 18, 1-2a). Se esse Jardim foi lugar de dor e de traição - o Paraíso perdido pelos nossos pais - um segundo Jardim (horto), que nos narra São João, no final do Evangelho, nos remete ao Novo Edem (o Céu) que o Senhor adquiriu para nós, ao derramar o Seu Precioso Sangue na Cruz. “Ora no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto, e no horto um sepulcro novo, em que ninguém ainda havia sido sepultado” (Jo 19, 41). Sua oferta cruenta é o preço do nosso resgate, a vida nova que Deus nos oferece, por meio do Seu Filho Amado! Acompanhemos compenetrados, os três momentos que compõe o Rito da Celebração de hoje: a Liturgia da Palavra, que acabamos de escutar; a Adoração da Santa Cruz, que em seguida faremos, e, por fim, a distribuição da Santíssima Eucaristia, que coroa a celebração litúrgica da Paixão do Senhor; que não é o Santo Sacrifício da Missa.
 
            As leituras de hoje, nos convida mergulhar no Mistério do sofrimento, e do abandono do Senhor. O profeta Isaias, já no Antigo Testamento, prefigurou, detalhadamente, no Cântico do Servo Sofredor, o caminho a ser percorrido por Jesus. Vemos o Filho do Homem desfigurado, expiar os pecados da huma
nidade, com todos os seus atributos: “Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos... A verdade é que ele tomava sobre Se nossas dores... Mas ele foi ferido por causa dos nossos pecados... a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura” (Cf. Is 53, 2b-5). Sobre os ombros inocentes de Jesus, prefigurado no Servo Sofredor, pendiam as nossas culpas e as nossas transgressões. A paga dos nossos pecados, Ele recebe sobre Seus ombros, aceitando sofrer os tormentos, para curar nossas feridas, nossas enfermidades. Feridas que o pecado gera em nós. Chagas que o bálsamo do amor Divino, pela entrega inocente do Seu Filho, restaurou e curou!... Como imaginar um Deus que sofre, para restabelecer a amizade e a paz com as suas criaturas? Como compreender a grandeza do abandono e da entrega, no silêncio da Sua inocência, para que o culpado pudesse ser perdoado, e, novamente, retornasse a vida? Pois “... não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca” (Is 53, 7b).
 
            Amados! O sofrimento é um Mistério do Coração de Deus; é também um Mistério do mal. É, por certo, uma realidade humana, que não podemos compreender muito menos aceitar, a partir da nossa concepção moderna... Hoje vivemos num mundo hedonista, onde o “bem estar” é o “deus”, e o prazer é procurado e exaltado, como fim último, das aspirações e dos desejos humanos. Não sabemos oferecer nossas dores, porque não queremos e não concebemos sofrer, quando sabemos que é impossível viver sem passar pelo sofrimento. Mas qual o sentido que damos ao sofrimento? O Mistério da Cruz vêm nos responder! Que sentido nós poderemos dar ao sofrimento? Pois sabemos que Deus não nos criou para sofrer, embora esta seja uma realidade incontestável... O Amor silencia!... Sim, Deus assumiu o sofrimento, o aniquilamento, em Jesus, não para “por fim” a ele, mas para nos ensinar que é possível da um sentido novo, aquilo que por si mesmo é inconcebível a nossa razão. A Cruz dá sentido ao sofrimento, porque é expressão última e extrema do amor de Deus por nós. Nela se revela o amor que se doa, e que morre para Si mesmo... Filhos, se a nossa meta é viver em Cristo e para Ele, seguir os seus passos, isso exige de nós renúncia e abandono! Nem sempre estamos dispostos - sensivelmente falando - a abandonar o que nos agrada: o bem-estar material, os prazeres da carne, as (vãs) glórias deste mundo e etc, para nos oferecermos em sacrifício, por amor e obediência a Vontade Divina! É preciso que sempre nos esforcemos, para acolher esse mistério em nossa vida, vendo o sofrimento não como “um castigo Divino”, mas como uma oportunidade de crescermos, humana e espiritualmente, no amor de Deus, e nos convertermos para Ele. Sim, filhos! Foram do mesmo Coração que jorrou Água e o Sangue que foi instituído os Sacramentos, o Sacrifício Eucarístico e a Regeneração pelo Batismo... Quando acolhemos no Mistério de Deus, nosso sofrimento, e o ofertamos em oblação, participamos, com Ele, da Redenção que Ele, o autor da vida, quer realizar em nós, através da oferta da nossa fraqueza.
 
            Queridos filhos, confiemos no Senhor! Deus derrama sua graça em abundância, e nunca nos abandona em nossa luta. Pelo contrário, como Bom Pastor, Ele nos pega ao colo e cura nossas enfermidades. Por isso nos convida São Paulo: “Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno” (Hb 4, 16). Aproximar-se do Trono da Graça, significa mergulhar no Coração de Jesus, nos oferecendo todo a Ele, e saborearmos os frutos da Vida Nova, que o Mistério do Coração Eucarístico de Jesus nos comunica. É Fonte Viva e Perene que jorra do Seu Coração transpassado, como nos relata o Santo Eva
ngelho de hoje: “Ao aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança e logo saiu Sangue e Água” (Jo 18, 33-34). E olharam para aquele que transpassaram!
 
            Ó, Santíssima Virgem Maria, Mãe das Dores... Vós que estiveste ao lado do Vosso Filho, junto da Cruz, e encontrastes força para permanecer de pé, até o fim, ajudai-nos, em nossa fraqueza. Que tenhamos força de seguirmos os passos do Vosso Filho, no abandono e na confiança. E assim como acolheste o discípulo amado, em vosso Coração de Mãe, acolhei-nos também, com nossas fragilidades e sofrimentos, pois precisamos de Vós! Pois muito sangue inocente tem sido derramado, pela prática do aborto, pela matança das nossas criancinhas, tingindo de vermelho as Nações, como também a violência a muitos dos nossos irmãos. Todos esses pecados clamam os céus! E nós, a exemplo do discípulo amado, também A levamos para nossa casa, pois somos Seus filhos, gerados e santificados aos pés do Crucificado: “Mulher, este é o teu filho. Depois disse ao discípulo: Esta é a tua Mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo” (Jo 18, 26b-27). Sim, Mãe! Que o Teu Coração seja sempre o nosso Refúgio, de modo especial, (nesse) no tempo de prova. Que o Teu Coração Co-Redentor nos faça um com o Teu Filho Crucificado, para a glória de Deus! Amém! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado e nossa Mãe Maria Santíssima. Salve!
 
“A liturgia desta sexta-feira conserva a simplicidade antiga: profundo caráter de luto e de tristeza, muito bem expresso nos altares completamente desnudos, e nos paramentos pretos, bem como no silêncio dos sinos e do órgão, na melancolia dos ritos e das melodias, e particularmente na ausência do Sacrifício da Missa, substituído pela adoração da Cruz e pela Comunhão”.
 
(Missal Romano Quotidiano)
 


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