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Deus
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16/08/2005
Deus desconhecido


Deus - 04 Deus desconhecido
Deus - 04 Deus desconhecido

UM DEUS DESCONHECIDO
 
    Está em Atos 17, 22-23 a interessante descrição daquela passagem de São Paulo por Atenas, em que ele foi levado por epicuristas e estóicos a discursar no Aerópago, onde disse: Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A UM DEUS DESCONHECIDO. O que adorais sem O conhecer, eu vo-lo anuncio. E assim São Paulo levou a eles a mensagem de Jesus. E é sobre Ele vamos também lhe falar hoje!
 
    De Atenas ao Brasil, passados quase dois mil anos de intervalo - e esta grande verdade salta aos nossos olhos - temos ainda um Deus Desconhecido! Quer dizer, ainda não conhecemos o nosso Deus. De fato, o desconhecimento d’Ele por todos nós, pela imensa e absoluta maioria das pessoas, nos leva a considerar isto um dos maiores entraves à nossa felicidade e a causa única de todos os nossos males, de hoje e sempre: de Adão até hoje! Se soubéssemos entender este Deus, se de fato todos nós seguíssemos os seus mandamentos, e o amássemos, o mundo seria tão extraordinário e tão maravilhoso, que voltaria a ser paraíso e mais que isso! Então, mesmo se soubéssemos que nos aguarda um céu ainda mil vezes mais incrível depois desta vida, ele pouco nos atrairia.
 
    Foi dito: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças (Dt 6,4-5). Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-Lhe-ás o teu culto...(6,13). Não provocarás o Senhor...(6,16). Farás o que é bom e reto aos Seus olhos, para que sejas feliz...(6,18). Eis aí a Santa Lei deste “Deus Desconhecido”! Amarás o Senhor teu Deus! Quem de nós pode dizer, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todas as suas forças, que AMA de fato a este Deus? Quem O teme? Quem não O provoca? Quem Lhe presta verdadeiro culto? Quem faz sempre o que é reto aos olhos d’Ele, para ser feliz? Na verdade, são já passados mais de cinco mil anos de história, desde que o Senhor se revelou a Adão, entretanto a humanidade ainda não compreendeu uma vírgula sequer do que este “Desconhecido” espera de cada um de nós, porque simplesmente não sabe quem Ele é. E se pergunta: como iremos amar a Alguém que não conhecemos?  
 
     Esta triste verdade há muitos anos me acicata. Mais ainda agora, nestes tempos cruéis em que vivemos, onde temos precisado deste “Desconhecido” mais do que nunca. Tempos em que também sentimos, abundante, o Seu derramamento amoroso sobre a humanidade. É triste observar que NADA fazemos em troca do AMOR, do carinho e da extrema afeição que Ele tem para conosco. Aí, por outro lado, eu me pergunto: como é que eu vou amar, com todas as minhas forças, com todo o meu “entendimento”, a alguém que não entendo? Alguém que “parece” tão distante e escondido? É possível conhecer este Desconhecido sem O ver pessoalmente? É possível ama-lO sem o ver?
 
     Aqui, uma outra questão me angustia: o meu desejo é falar aos leitores, incialmente, sobre o Pai, sobre DEUS PAI, sendo Ele tão desconhecido - embora tanto se tenha escrito sobre Ele -, não iria eu também fazer os outros  entendê-Lo menos ainda? Provocar ainda mais confusão? Menos conhecimento? Se, de fato, milhares de teólogos de grande sabedoria já se debruçaram sobre Seu estudo, que mais poderia a minha miséria acrescentar aos seus estudos? Por outro lado, se eu for pensar muito, de fato eu não escrevo nada. Mas a ânsia de passar aos outros minhas pequenas considerações é tanta, que a isso me animo. Valerá a pena? Sim! Valerá a pena tentar!
 
     Comecemos por estabelecer um parâmetro de comparação. Mas antes eu pergunto: você já meditou sobre estes dois termos: “Eterno” e “Infinito”? Pois se você não pensou pelo menos um milhão de vezes neles, pode ter certeza absoluta de que custará a conhecer nosso “Desconhecido”: Deus Pai! Mas se quer tentar, comece por imaginar uma réstia de luz do sol entrando num quarto escuro, por um buraquinho no teto. Imaginou? Então percebeu que milhares de pequeníssimos grãos de pó circulam no espaço livremente marcam este reflexo no ar. Certo?
 
    Pois bem, agora escolha um destes minúsculos grãozinhos de poeira! Escolheu? Ótimo! Este é você! Este, sou eu que escrevo! Agora tente imaginar o infinito! Imaginou? Pense mais, pense muito, tire todas as suas dúvidas, faça todas as perguntas que sua mente sugerir. Fez isso? Então compreendeu que “infinito” é o que não tem fim. Que não acaba em tamanho, que não acaba no tempo, que não tem princípio e nunca terá fim! Certo? Este é o “tamanho” do nosso ‘Desconhecido’! ELE é Eterno e maior que o “tempo”. É Infinito e maior que o “espaço”. Como é que você pode, grão de pó que é, compreender então um SER tão imenso assim?
 
      E agora vem outra pergunta: e quem disse que alguém, algum dia, foi capaz sequer de arranhar no conhecimento do mistério de Deus? Deus não se racionaliza! Eis que, em relação a Deus, você O sente! A Deus você ama! De Deus você precisa! Em Deus você acredita! A Deus você adora! Ou então, pela gloriosa liberdade que Deus lhe dá, você não O sente, não O ama, não precisa d’Ele, não crê n’Ele e por isso não O adora, porque, no seu racional diminuto, quase sempre cria para si mesmo um deus particular, um deus morto e inexistente. E é apenas a este deus, que humanidade tem servido. Infelizmente!
 
      Então, sem uma fé profunda, consciente, pura, desprovida de artifícios, desarmada de conceitos próprios, e absolutamente humilde, é impossível sentir, crer, amar e adorar a este eterno Deus, por nós Desconhecido”. E mais, sem ORAÇÃO profunda e humilde, JAMAIS se chega nem sequer a mil anos-luz de Sua proximidade. A única forma de entender esta suprema dimensão de Deus é compreender que Ele ocupa TODOS os espaços e assim só é possível que existamos, sendo n’Ele, com Ele, por Ele e para Ele. Que FORA d’Ele, NADA é possível, nada existe, nada subsiste e nada se manifesta. Que mesmo em nós, que sabemos de Sua existência, tudo o que se processa, desde os nossos atos, até os nossos pensamentos, TUDO é apenas concessão divina. Afinal, se Ele não fosse “TUDO”, não seria Deus, pois deus pequeno, fraco, ou limitado, é inconcebível.
 
    O primeiro passo, então, é ACREDITAR na Sua existência. Isto é, ter fé! De fato, se o leitor não acredita que Deus exista, está lendo o texto errado. Mas se crê, então é preciso perceber que quando mergulhamos no Eterno e no Infinito – dimensões dignas de um Deus –, vemos que a
nossa pequena e mísera compleição, a nossa diminuta e absolutamente falha inteligência, é incapaz de ir muito além da ponta do nosso próprio nariz. Não é à toa que lhe pedimos a primeira comparação, entre o grão de pó e o resto do infinito. Porque, na verdade, este parâmetro é ainda inadequado; a diferença é ainda maior. Eis, entretanto, que este pequenino grão de pó, é dotado pelo Criador de uma ALMA, que é também IMORTAL. E é exatamente por causa desta alminha imortal, deste pequenino grão de pó, que este Imenso e Amoroso Desconhecido tem verdadeira loucura. Por nós!
 
     INFINITOS ATRIBUTOS:
    Já mil vezes tenho feito esta pergunta: Quem é Deus? E a resposta invariável da imensa maioria, é sempre a mesma: Deus é Amor! Aí a gente fica desencantado e não é para menos. Veja bem, se Deus fosse só e apenas AMOR, o que já seria um infinito, Ele ainda seria pequeno. Na verdade, são infinitos os atributos de Deus. Entre eles, o Amor, se poderia dizer é como que o “sangue”, a “seiva nutriente”, o imã que atrai e concentra, ou ainda o “fluido” pelo qual se intercambiam todos estes infinitos e eternos atributos de BEM, formando um só TODO, coeso, Único, Perfeito, Soberano, Justo, Eterno, Imutável, Verdadeiro, Onisciente, Onipresente, Onipotente, Amoroso e Simples, do Qual tudo provém, pois TUDO foi por Ele criado. Eis que TUDO existe, apenas n’Ele! Assim, o AMOR, como que une a todos os atributos eternos de Deus, tornando-se, pois, a essência de Sua Divindade.
 
     DEUS é PERFEITO! Nada do que Ele fez ou faz - pois é um Criador em permanente atividade - traz a mínima imperfeição. Quando Deus cria alguma coisa, Ele examina e vê que tudo é muito bom (Ge 1,31). E se Ele vê que é bom, é porque é IMPOSSÍVEL a alguém fazer aquilo melhor! Se Ele fez alguma coisa é porque ela era necessária. Eis que toda a Sua Obra funciona em simbiose perfeita com Ele, e com Ele mantém vínculos de perfeição eternos. Ele é equilíbrio perfeito!
 
     DEUS é SOBERANO! Ele é Senhor dos senhores (Dt 10,17), é Rei dos reis! A Sua Soberania é algo de incontestável, e assim, diante “d’Aquele que É” devem se dobrar todos os joelhos, pois é Ele quem diz: diante de Mim, se dobrem todos os joelhos! No céu, na terra e nos infernos! Deus é também o único dono de todas as coisas, pois TUDO foi criado por Ele, para Sua Glória. Todo o poder emana apenas d’Ele, o Poder Único e Absoluto. Diante de Sua Soberania incontestável, toda a soberania terrena é apenas sombra de palidíssimo reflexo; é apenas concessão divina.
 
      DEUS é JUSTO! Ele é de uma justiça perfeita e absoluta. Nada Lhe escapa. Deus sonda até o mais recôndito dos corações e toma nota de todos os nossos atos, isto é, de todos os seres humanos da terra, ao mesmo tempo, desde sempre e para sempre. Para o bem e para o mal! Tudo vai para o nosso “Livro da Vida”, à espera do julgamento final. Se nenhum fio de cabelo de nossa cabeça cai sem que Ele saiba, imaginem como não são anotados nossos atos.
 
      DEUS é ETERNO! Ele sempre existiu; não teve princípio e NUNCA terá fim. Ele é o Alfa e o Ômega! O próprio termo por si se explica: eterno! Impossível de compreender tamanha magnitude apenas com nosso mísero racional humano. Se existir o “tempo”, Deus é ainda maior que ele. Se o tempo existe e “passa”, Deus não passa nunca. Seu “tempo” é um eterno AGORA.
 
      DEUS é IMUTÁVEL! Ele sempre foi o mesmo na sua essência eterna e JAMAIS mudará nada em nenhum de Seus atributos. Todas estas “qualidades” de Deus são n’Ele sempre elevadas ao extremo infinito da perfeição eterna. Deus mantém-se a Si Mesmo na mais alta escala da perfeição e jamais terá um único defeito que seja. Deus nunca terá de mudar nada em Si, para ser melhor,
porque é literalmente impossível fazer melhor ou ser melhor.
 
      DEUS é VERDADEIRO! Deus é a VERDADE e a VIDA. Ambas estão n’Ele, provêm d’Ele e permanecerão apenas nEle e com Ele para sempre. Deus é a única Verdade eterna, que jamais poderá ser contestada ou desvirtuada. A Sua Santa Palavra, a Bíblia, jamais mudará, nem será preciso mudar uma letra sequer, para corrigir ou alterar o que quer que seja, pois a Sua Palavra permanece eternamente. Se o mundo existir daqui há milhões de anos, e nele ainda houverem os homens, estes seguirão sempre a mesma Palavra Eterna.
 
      DEUS é ONISCIENTE! Ele é a sabedoria infinita. NADA escapa ao Seu pleno conhecimento e NADA existe que Ele não conheça ou não saiba. Para Deus, tudo é conhecido, até nos mais íntimos detalhes. D’Ele provém e emana TODO o conhecimento. Assim, se o homem sabe de alguma coisa, sabe porque Deus assim o revelou e permite que ele saiba.
 
      DEUS é ONIPRESENTE! Deus está presente em tudo. A Sua presença “permeia” TODAS as coisas. Entretanto, Ele é capaz de “estar” em algo, sem contudo ali “permanecer”. Isso acontece, por exemplo, com o pecado. Deus até pode estar com o pecador, mas não permanece com ele, enquanto ali houver falta. E quanto maior a falta, MAIOR a distância que os separa. Assim também acontece em relação ao mal e à maldade. Onde eles estiverem, Deus ali não estará. Se existir um espaço físico, Deus é ainda maior que ele.
 
     DEUS é ONIPOTENTE! Ele pode TUDO. Deus faz o que quer, quando quer e como quiser, sem perguntar NADA a ninguém. Ele a ninguém presta conta de Seus atos e a NINGUÉM consulta sobre Seus desígnios. Nada existe de impossível para Deus. Para Ele TUDO é possível e exeqüível. Aquilo que para o homem é caos, para Deus é perfeição plena.
 
     DEUS é AMOR! Eis aqui, então, o SUPREMO atributo divino. Esta é, de fato, a essência de Deus. O Amor Divino é de tal loucura, que Ele chegou ao extremo de nos dar a Vida, por Seu Filho, apenas para nos livrar da morte, pelo pecado.
 
     DEUS é ÚNICO! Ele é o DEUS da Vida, outro deus não há! Não tereis outro deus diante de mim, disse Ele.  A Abrão o Senhor Se revelou: Eu Sou o Deus Todo Poderoso (Gn 17,1)! A Moisés no Sinai, o Senhor respondeu: EU SOU, AQUELE QUE SOU! Eis o que responderás aos israelitas: EU SOU envia-me a vós... É JAVÉ, o Deus de vossos pais... (Gn 3,14). Você entendeu AQUELE QUE É? Claro, nosso pequeno e diminuto entendimento é incapaz de compreender este mistério. Porém, se você imaginar que Deus é TUDO (pois sem Ele NADA existe), então verá que o termo é correto e é único. Deus é Aquele que É! Nossa inteligência não entende mais que isso!
 
     DEUS é SANTO: Sim, Ele é Santo. E a santidade de Deus ultrapassa a própria essência de Si mesmo, de tal modo que resume em Seu Ser todos os a atributos de Bem e de Bondade, elevados todos ao grau infinito, até ultrapassar o eterno.
 
      DEUS é SIMPLES: Não poderíamos deixar de lado este incrível e quase inexplicável atributo. É que, embora sendo toda esta imensidão já descrita, na verdade Ele é tão simples, que ultrapassa o nosso entendimento. Os homens é que O fazem complicado, difícil e até mesmo inatingível, quando Ele é “pele com pele”, com a gente.
 
     RESUMO: embora toda esta imensidade, esta eterna presença que a tudo permeia com Seus infinitos e perfeitos atributos, podemos dizer também que: Deus é a essência da simplicidade. De fato, homens cheios de si, ufanos de seus conhecimentos, têm buscado em mil lugares uma definição perfeita de Deus. Exegetas pomposos, cheios de discursos prolixos, com textos “teológicos”, cheios de frases dúbias e ininteligíveis, têm buscado longe aquilo que têm sempre ao seu lado.
 
     Deus não é c
omplicado, mas simples. Ele não se manifesta na grandiosidade dos cálculos nem na magnitude das considerações: Deus é antes encontrado por corações que suspiram por Ele, do que por um teólogo do absurdo, que pretenda encontra-lo através dos cálculos racionais. Deus é encontrado antes, por um pecador que pede perdão e se arrepende, do que por cientista pomposo, que imagina acha-lO nas fímbrias do Universo ou além do infinito. Enfim, Ele está tão perto de nós, que quanto mais longe pretendo acha-lO mais para longe Dele vou!
 
      Vemos, então, que Deus é como um Espírito Puríssimo, que se manifesta em tudo como numa “Consciência Eterna e Perfeita de Si mesmo”, pois assim Se define: Sou Aquele que Sou! Ou ainda: Eu Sou Aquele que É! E é este “É”, na essência de SI mesmo, quem rege com soberania e majestade o universo inteiro, pois Ele a tudo “permeia” com Sua consciência eternamente presente em tudo que existe. Se, pois, Aquele que “É” viesse, por um momento sequer, a “esquecer” de alguma coisa, ela simplesmente se desagregaria naquele exato momento. Ela desapareceria sem deixar vestígio, como se nunca tivesse existido. Seja esta “coisa” um ser vivo, ou qualquer objeto inanimado que vagueie pelo universo. Desde um simples grão de pó perdido no espaço, até mesmo uma constelação inteira. Seja um mísero micróbio, até a maior das baleias azuis. 
 
      Deste modo, a medida em que caminhamos na compreensão deste “Desconhecido”, vamos também nos abismando, sempre mais e mais, em Sua infinita magnitude. Percebemos, então, que dizer apenas “Deus é Amor” para O definir, é muito pouco! Na verdade, não existe dimensão para comportar Deus. Não existe palavra nem idioma, para explicar Deus. Não existe para Ele qualquer parâmetro de medida ou de comparação, pois, na verdade, não existe linguagem humana suficientemente perfeita para bem O descrever.
 
      Por outro lado, percebemos, também, que existem alguns entraves que nos vedam, nos impedem de chegar ao melhor conhecimento d’Ele. Entre estes, um é de extrema importância analisar. Trata-se do EU de cada um de nós! Como? Pense bem como nós dizemos: Eu faço! Eu posso! Eu digo! Eu quero! Eu exijo! Eu prefiro! Eu acho! Eu...! Eu...! Eu...! Eis que, enquanto colocamos  nosso EU como único e soberbo, vedamos, entravamos o entendimento da forma como Deus age em nossa vida. Verdade seja dita, nós não fazemos nada: Ele faz tudo! Ele é tudo! Nós somos apenas Seus instrumentos. E quanto maior for a nossa docilidade a este comando único e absoluto, maior será também o número de obras que Ele executa por meio de nós. Assim, foi a nossa eterna REBELDIA, nossa desobediência, que começou como nossos primeiros pais e continua até hoje, a causadora ÚNICA de todas as nossas desgraças e infelicidades. Se fôssemos dóceis ao comando do Senhor, Ele nos conduziria por caminhos seguros(Sl 23).
 
      Então você percebeu: quanto MAIS nós somos “EU” para nós mesmos, MENOS somos para Deus. O único e perfeito caminho para entendermos a Deus é anularmos completamente este EU que nos atrapalha, e mergulharmos no outro extremo da humilde entrega ao Pai, para que ELE Se faça em nós. Então, Nele, seremos tudo. Para que façamos exatamente a vontade d’ELE e nunca a NOSSA. Então, Nele, faremos tudo!
 
     Eis que nos vem, então, à mente o exemplo maravilhoso de Maria, que foi a mais humilde das criaturas. Por que ELA achou graça diante do Senhor? Porque Ela foi humilde e obediente até às últimas conseqüências, sem jamais pôr qualquer entrave ao plano de Deus em sua vida. E porque foi humilde e obediente, o Senhor fez maravilhas por meio d’Ela. É preciso, então, despojar-se completamente deste nosso “eu” mísero e restrito, para aí sim ser conduzido e mesmo penetrar no Absoluto d’Aquele que É. 
 
     Outro grande entrave para o entendimento, ainda que diminuto, des
te nosso “Desconhecido”  tão amoroso, é querer compreendê-Lo à luz da razão humana. Ora, isso só faz limitar os Seus atributos. Só faz diminuir Sua Perfeição. Só faz minimizar o Seu Poder. Só faz irmos cada vez mais para longe Dele. O único modo de compreendermos este Deus é simplesmente reconhecendo que Ele é Único, Absoluto em Si Mesmo, pleno em todos os sentidos, incomensurável e sem limitações, além de insondável em Seus eternos e perfeitos desígnios. De outra forma, não seria Deus. Pois para definir qualquer ser, dotado que fosse de alguma imperfeição, de alguma incapacidade, mesmo que mínima, seriam de fato impróprios os termos: “eterno” e “infinito”. Não seria, portanto, um Deus!
 
    Assim, à medida que vamos levantando uma pontinha do véu deste mistério insondável, vamos compreendendo que a nossa miséria é infinita, ante tanta magnitude. Vamos percebendo que é para nós impossível compreendê-Lo. Que, muitas vezes, não é fácil aceitá-Lo. Mas, se formos ver bem, é prova de extrema sabedoria decidir pelo Senhor. Ser-Lhe dócil ao comando e seguir as Suas Leis. Vamos perceber, também, que a rebeldia contra elas é a causa da nossa ruína eterna e prova da mais absoluta estupidez. Sim, Ele nos criou livres, até para decidirmos nos perder para sempre na escuridão do “sem Deus”! E como, sem Ele, não há vida, pretender livrar-se d’Ele é privar-se da fonte do Amor, “seiva” divina que a tudo permeia, é “morrer” para o nosso nada de grão de pó.
 
     Deste modo, decidindo-nos por Ele, e aceitando humildemente a Sua perfeita, incomensurável e eterna magnitude, tornamo-nos livres para ser n’Ele; envolvemo-nos no Seu Amor sem medidas, pois louco amor, e encontramos aí a ÚNICA forma de sermos felizes plenamente. Sabedoria é, pois, descobrir que devemos ser NADA, para que Deus seja TUDO em nós. Que devemos baixar a cabeça para que todos O vejam! Que devemos, enfim, baixar nossa voz para que todos O ouçam! De fato, tentar achar Deus fora do nosso reconhecimento inquestionável, desta imensa, abissal e indescritível e infinita diferença entre “Aquele que É TUDO” e “aqueles que nada são fora d’Ele”, isto é, entre o Criador e a pequenina criatura, é impossível. E aí chegamos à formula – única - de “conhecer” este nosso “Desconhecido”. Fora disso, nem tente!
 
     Por ora, falemos então sobre Jesus. Falemos do Amor do Pai! Falemos ao mundo sobre este Deus que é Pai. Façamos então como São Paulo e digamos a todos diante do imenso Aerópago que é este mundo de pavoroso de hoje e digamos sem medo: Homens de boa vontade! Vinde conhecer a este Deus que é apenas amor e misericórdia. Vinde jogar-vos em Seus braços eternos pelo caminho perfeito do arrependimento. Vinde aprender a amar com o Amor! Vinde, ainda a tempo de O conhecer! Ele é Verdade... e é Justiça!
 
     Falemos sobre Jesus! Falemos sobre o amor do Pai! Falemos sobre o ardor do Divino Espírito! E o Senhor desconhecido lhe dará em cêntuplo na eternidade esta sua prova de amor. Sim, a medida Dele é o Amor! A essência Dele é a Simplicidade! Ele está, agora, bem ao seu lado. Fale com ele?
 
      Diga: Pai, eu tenho um grande orgulho de você! E Ele lhe dirá: Filho! Tenho um orgulho ainda maior de você! Eu Te amo, amo, amo, amo....
 
Em busca do meu Desconhecido,
 
Aarão!
 
 
 
 



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