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As almas
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15/09/2005
Perda eterna


As almas - 05 Perda eterna
As almas - 05 Perda eterna

2050914 PERDA ETERNA
 
     Naquele artigo “Cilada”, eu mencionei uma questão que mexeu com muita gente, quando falei sobre uma pessoa perdida eternamente, uma alma que foi para o inferno. Não vêm agora ao caso as circunstâncias daquele artigo, apenas quero fixar neste quesito: perda eterna de uma alma, isso para sempre e sempre mais levar ao leitor e devoto das benditas almas, a se compenetrarem da imensa responsabilidade que nós temos, em lutar para que ninguém se perca Deus quer que todos se salvem – ou que poucos se percam, já que nem todos se querem salvar. Medite no que seque!
 
     Em verdade, todos aqueles que sentem o chamado de lutar pelas almas, pela salvação eterna, devem compreender que Deus nos deu uma missão singular e espera que cada um de nós cumpra sua pequena parte. É de se perguntar aqui, o motivo pelo qual, tão poucas pessoas sentem este chamado e seguem a esta verdadeira vocação, se poderia dizer, um sacerdócio? Normalmente em cada família – e em quase todas as famílias – encontramos um, ou dois membros que sentem no coração este chamado, raras são as famílias – estas muito abençoadas – onde muitos membros se envolvem com a salvação eterna. Em princípio isso se explica, porque com certeza, Deus faz tudo, e na realidade quer precisar de poucas pessoas para esta tarefa. Com isso ele engana o diabo, que pensa que todos estão mortos e parados, quando o amor destes poucos basta.
 
     Em dezenas de artigos e textos, também de cartas e e-mail, tenho mostrado o quanto já pudemos entender do processo de salvação das almas – para explicar a misericórdia infinita de Deus – também a perda eterna – a terrível Justiça Divina – destinada aos rebeldes. Não vamos aqui questionar a existência do inferno e dos demônios, até porque isso seria trabalhar para eles. Jesus falou 19 vezes que ele existe, e ponto final. E nos textos Buscando Almas encontramos dezenas de exemplos, paralelos ao caso de Epulão e Lázaro citado por Jesus, onde se pode vislumbrar o que realmente leva uma alma a se entregar às trevas eternas, fugindo, propositalmente de Deus. Sim, por teimosia e sim, por livre vontade! Mas será que isto explica tudo?
 
     Numa passagem singular do Evangelho de São João em 17, 12, Jesus diz: Conservei os que Me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. Esta citação – nenhum deles se perdeu exceto o filho da perdição – em princípio quer dizer que – referindo-se apenas aos 12 apóstolos – apenas Judas o traidor se perdeu, os outros não. Mas penso que o alcance desta frase, é infinitamente maior que apenas restringir-se aos doze; em verdade, isso se refere a toda a humanidade. No final do texto voltarei a esta passagem.
 
     Há também uma outra passagem dos Evangelhos, que gostaria de aqui citar, e refere-se á parábola da ovelha perdida, onde o pastor deixa as 99 que estão em segurança, e vai a busca daquela perdida, e se regozija quando a encontra. Mistério de um Deus Amor, fruto de uma Misericórdia além de infinita, verdade é que pelo sacrifício da Cruz, pelo assombroso poder do Sangue Redentor de Cristo – se podemos assim dizer – já 99% dos homens estão salvos, o que nós fazemos, nosso esforço como Igreja de Jesus, é buscar apenas aquela 1 ovelha perdida, a que falta, esta a nossa grande missão.
 
     Dirá o leitor que isto é pouco, mas posso afirmar que é algo inaudito. Naturalmente que para a salvação destas 99, embora o Sangue derramado na Cruz, cada um deve fazer a sua parte, cada um deve despender a sua cota de sacrifícios – sua pequena cruz de cada dia – sua cota de orações, sua grande caridade em prol da salvação dos outros, pois se Jesus nos abriu as portas do Céu – fechadas pelo pecado de Adão – verdade é que o bilhete da entrada deve ser pago por alguém daqui da terra. E em verdad
e, por este processo assombroso, da comunhão dos santos, milhões de bilhetes de entrada no Céu, são comprados por outros, sem mérito algum até, da parte da quase absoluta maioria.
 
     Então, estes 99% de felizardos, mal ou bem, acabam ganhando facilmente o Céu, como disse, a maioria sem mérito algum. Claro, nenhum de nós merece nada, pois nosso pecado individual é causa sempre do mal que atinge a coletividade. Mas o que acontece com estas ovelhas perdidas, desgarradas, que precisam ser buscadas nos abismos e entre os espinheiros? Acaso todas elas são encontradas? Nem todas: somente as que se deixam encontrar. Para melhor fazer entender a mecânica da redenção, para entender como uma alma pode se perder, para que ninguém mais pergunte o motivo pelo qual Deus criou certas almas, mesmo sabendo que elas iriam escolher o horror do inferno, quem sabe é preciso que nos reportemos novamente aos primórdios, ao tempo da revolta dos anjos, ao tempo em que o orgulhoso Lúcifer e seus sequazes escolheram afastar-se de Deus.
 
     Obviamente que todas as histórias ou ponderações que fizermos sobre esta questão dos anjos caídos, não se encontram diretamente relatadas nas Escrituras, e portanto não são matérias de fé. São objetos apenas de meditação particular, e ninguém é obrigado a acreditar que seja assim. Mas, com certeza, existem na nossa Igreja Católica movimentos que estudam estas coisas, notadamente a partir de revelações particulares confiáveis – como penso ser, por exemplo, a Obra dos Santos Anjos – também de santos, e até dos textos apócrifos, que nos podem direcionar ao entendimento de algumas coisas. Falando, recentemente, com uma pessoa que participa deste movimento acima citado e que conhece os sacerdotes que dele participam, percebi que há muito ainda por entender daquele episódio aterrador, a queda dos anjos. Digo aterrador, porque ali se decidiu o destino eterno de milhões de seres especiais, criados com o maior esmero e Amor pelo nosso Deus, para O amarem e servirem com amor, e para livremente O adorarem como Onipotente e Único Senhor do Universo, o nosso Deus e Pai.
 
     Na verdade, os anjos não foram criados, completos e acabados, isto é, Deus não os criou imutáveis e – se poderia dizer – escravos de Sua tirania. Muito pelo contrário, Ele os criou livres para O amarem, servirem e adorarem, e livres também para O renegarem. Não somente isto, os criou com uma inteligência superior tal, que nem os mais pequenos, e os menos poderosos anjos, podiam negar que sabiam exatamente o que acontecia: Antes de lhes dar a plenitude, Deus determinou que os Seus anjos passassem por uma prova, para que somente assim se tornassem dignos da vida eterna com Ele, o Pai Criador. Algo na realidade tão grandioso e forte que, depois, pela eternidade inteira jamais esquecessem. Eles então, sabiam perfeitamente o que significava distanciar-se deste Deus para sempre!
 
     Nestes tantos trabalhos que já escrevemos, muitas vezes o leitor pode entender que – quanto às almas dos homens – muitas delas Deus como que as agarra pelo último fio de cabelo, antes que elas se atirem livremente no inferno. Na verdade, a mesma coisa aconteceu também com os anjos naquele momento. Milhões deles, embora enfeitiçados pela idéia fixa de Lúcifer – o conhecimento da ciência do bem e do mal – por outro lado percebiam que a verdadeira fortaleza estava com o Criador, não com a criatura. Este, aliás, foi o motivo maior da condenação deles, pela simples constatação da realidade: Lúcifer, jamais, poderia lhes dar a mesma garantia de Deus! Os inteligentes anjos sabiam disso! Lúcifer, por si mesmo, não podia criar nada, como poderia ser um Deus?
 
     E aqui está a prova de que existe um abismo entre o que seja a Sabedoria que vem do Espírito Santo de Deus, e a inteligência que é um simples atributo – no caso dos anjos – concedido por Deus a todos eles. Aqui está a prova de que a inteligência, quanto maior ela for, mais alimentará a fonte do orgulho, que mais se poluirá com um caudal de inveja, com o fumo do
ódio, chegando a formar o oceano imundo de todos os vícios onde eles hoje estão mergulhados. Mas, os seguidores de Lúcifer – ele, a mais inteligente de todas as criaturas celestes – vislumbraram com sua rebeldia e o seu afastamento de Deus, uma possibilidade de comandar o Universo com ele – serem deuses também – alçando-se a um grau maior até, de Poder, que o do próprio Criador do Universo. Que petulância!
 
     Para milhões de anjos foi um dilema, para muitos a decisão foi difícil e com certeza para os que seguirem Lúcifer foi loucura. E assim, entre os que se decidiram por Deus, houve milhões de anjos que ficaram com Ele, apenas na última centelha do enésimo segundo. São anjos que alimentaram a dúvida em seu coração! São anjos que chegaram a discutir consigo mesmos, que dialogaram com o espírito de rebeldia, e que portanto, mesmo no Céu guardam diferentes graus de poder. Sim, eles são felizes no céu, mas poderiam sê-lo ainda mais, caso tivessem decidido logo por Deus, sem se questionar.
 
     Por outro lado, se pergunta: acaso os anjos sabiam do castigo que lhes adviria caso eles se rebelassem contra o Altíssimo? Em primeiro lugar – como já disse – eles sabiam que eram simples criaturas, e sabiam que eram infinitamente diminutas diante do Criador. Em segundo lugar, eles tinham consciência plena de que o mal, eram as trevas, e seriam destinados a elas, se escolhessem a rebeldia. Nem Lúcifer conseguia penetrar na escuridão do mal, mas sabia plenamente que se penetrasse nele estaria fugindo para sempre da Luz Eterna, e da presença de Deus, ele e todos os que o seguissem.
 
     Mas ele imaginou – e  seus comparsas concordaram livremente quanto a isto – de criar um reino próprio dentro das trevas, onde ele fosse o soberano e Senhor. Lúcifer quis ser um Deus. Os anjos caídos, todos, quiseram ser como Deus. Só de uma coisa eles não analisaram – embora tivessem inteligência para isto: É que eles próprios se tornariam trevas, horror e repugnância, tão logo deixassem a presença da luz de Deus. Mas com toda certeza, entre este ato dos maus, a sua livre decisão de separar-se definitivamente de Deus, e a decisão dos bons, de ficarem com Deus, na verdade vai um abismo, não só tão grande como o que existe entre o Céu e a terra. Vai ali um abismo de eternidade!
 
     Nos é dito que São Miguel – o segundo ser criado, logo após Lúcifer – foi o primeiro a gritar e a decidir-se em favor de Deus, eis porque ele é considerado o príncipe da milícia Celeste, e o maior entre todos os anjos de Deus. Na verdade, o mérito de cada um, o poder e a força que Deus concedeu a cada um de Seus anjos, dependeu da decisão pessoal de cada um, da força, do denodo e do amor com que eles defenderam a Deus naquela hora. Claro, Deus não precisava deles, mas quis que fosse assim para provar Seus anjos. Há sempre, pois, uma diferença entre eles, embora de milésimos de grau, para mais ou para menos, mesmo dentro de cada um dos nove coros angélicos. E eles demonstraram isso na batalha que se seguiu à revolta, onde venceram os que ficaram com Deus.
 
     Milhões de pensadores, nestes milênios de história da salvação, já se perguntaram sobre o número de anjos que se perderam, tal como, quantos deles existem no Céu. Penso que até hoje, nem os santos já tiveram conhecimento deste número, mas com certeza tudo leva a crer que são miríades. Porque digo isso? Porque eles devem ser num número tal, que exprimam e atestem o Poder e a Glória de Deus, também a imensidão do Universo criado por Ele. O que se presume, entretanto, é que em torno de 1/3 parte dos anjos se decidiu contra Deus, e – também se presume – infelizmente o estrago foi maior, justo nas hostes superiores e mais inteligentes. Segundo os que participam desta obra citada acima, houve algumas legiões em que mais de metade decidiu-se por Lúcifer. Infelizmente para nós, é justo contra estes poderosos espíritos infernais a nossa luta.
 
     Vejam que eu falei em inteligência! Adão havia sido criado com inteligência superior até que a dos anjos, isso p
ara compensar o peso da carne que nos oprime, enquanto os anjos são leveza e espírito. Por qual motivo Adão caiu? Porque era inteligente, e calculou que também ele poderia ser igual a Deus como quis a serpente. Então Deus Se obrigou diminuir nossa inteligência a uma insignificância, porque senão, nós todos sem exceção, quereríamos ainda hoje ser iguais a Deus. E só quando formos Sabedoria e entendermos, que Deus é tudo e não somos nada, é que receberemos de volta aquela inteligência inicial, para vivermos Deus plenamente, participando com Ele da Criação do Universo.
 
     Por qual motivo relato estas coisas? Porque quero me firmar numa só particularidade: o livre arbítrio, a livre decisão, a livre vontade, a independência consciente de escolher o inferno, mesmo conhecendo e tendo visto a Deus. Também a arrasadora verdade de que nenhum daqueles anjos, podia alegar que foi enganado por Lúcifer, ou que não teve condições de decidir corretamente, porque Deus o privou de algum conhecimento, que o pudesse prejudicar na escolha. E se pergunta: se Deus sabia que estes anjos iriam se decidir contra Ele, por qual motivo os criou? Simples! Se Ele os criasse, para decidirem por Ele, não precisaria de prova alguma. Mas que mérito haveria para os anjos?
 
      Sim, como eles poderiam ascender em glória diante de Deus, se não fossem livres para decidir por Ele ou contra Ele? Como Deus os poderia manter felizes, livres, mas ao mesmo tempo com um desejo ardoroso de O servir para sempre sem os fazer escravos? Assim, depois desta prova terrível, Deus sabe que eles cumprem Suas determinações, com a mais perfeita, livre e a mais decidida de todas as suas forças, com a maior diligência e presteza de que são capazes. De fato, se os anjos tivessem sido criados para serem o que já são, sem possibilidade de – por algum mérito e esforço – crescerem ainda mais na medida de seu amor por Deus, tais criaturas acabariam por enfadar-se do serviço Divino, e quem sabe, um dia, pela eternidade, virem a desejar sequer ter existido. Eles agem então por puro amor, e o amor é que mede também seu grau de felicidade!
 
     Da outra parte, quando aos perdidos, não será crueldade de Deus determinar castigo tão hediondo – além de eterno – para uma única atitude de revolta? Já disse outras vezes, o próprio sofrimento inaudito do inferno, é uma prova concreta do infinito Poder de Deus. Se o inferno fosse algo “merreca”, um castigo pequeno, indicaria também uma Justiça pequena, um Deus pequeno, não levaria ao Temor de Deus. Indicaria em contrapartida também um prêmio eterno pequeno, quando Deus é perfeito equilíbrio. Para um infinito prêmio eterno, também cabe – no oposto – infinito desespero. O castigo então, que tais rebeldes atraíram sobre si, foi na mesma proporção de sua decisão, de sua livre vontade, de seu decidido ódio contra o Bondoso Criador.
 
     O tamanho do inferno, é então, do exato tamanho do ódio e do orgulho de Lúcifer, nada mais. O castigo dos demônios, é sempre proporcional à sua teimosia e seu orgulho. É proporcional à sua falta de humildade em reconhecer o primado de Deus sobre eles. Um dos maiores castigos do inferno, sem dúvida, é a sua eterna submissão a Deus. Embora imensas legiões satânicas, de anjos antes poderosos – e também agora poderosos porque o dom que Deus dá, não retira – componham as hostes infernais, elas não podem avançar um só milímetro – e elas obedecem cegamente – daquilo que Deus lhes permite. Eles, que em seu desmedido orgulho, pretendiam liberdade total para cometerem seus desatinos, na verdade são mantidos submissos – eternamente – ao infinito poder de Deus.
 
     Em suma, a Justiça perfeita e equilibrada de Deus, permite que os anjos que O servem amorosa e humildemente, com toda a liberdade, cresçam ainda hoje em alegria e poder, na medida de seu desempenho em missões que lhes são confiadas pelo Altíssimo, eis porque eles ficam felicíssimos em atender aos pedidos Dele. Da mesma forma quanto aos anjos caídos, seu terror eterno, sua angustia sem fim, se sofrimento único, é
também aumentado, na medida exata do ódio com que cumprem as determinações de Lúcifer, na busca furiosa da perda das almas. Quanto mais tramam contra os filhos de Deus, mais aumentam seu tormento, e assim irá até o fim dos tempos, quando estacionará.
 
     Digamos que Deus permitisse aos demônios que eles trocassem o seu tormento eterno, pela livre decisão de – por exemplo – desaparecerem como se nunca tivessem existido. Que aconteceria? Com certeza absoluta, 100% deles decidiriam continuar existindo, para continuarem odiando a Deus. São pois, livremente incorrigíveis. São os tais réprobos – destinados a se perder – que não têm cura. Já são assim, desde o momento da criação!
 
     Ora, tal como aconteceu com os anjos caídos, também acontece quanto aos homens. Na essência o processo é o mesmo! Também o homem foi criado para o livre exercício de sua vontade e para poderem decidir pró ou contra o Criador. Nós todos aceitamos vir para a terra para esta missão, para dar a Deus esta prova de que merecíamos Seu Amor Eterno, e fomos feitos conscientes do bem e do mal. Não foi isso que Deus disse a Adão e Eva: agora aprendesses o bem e o mal!? Ou seja: tal como nenhum dos anjos pode alegar qualquer mínima coisa sem sua defesa, dizendo que foi enganado por Lúcifer, também o homem não pode alegar que perdeu a Deus por culpa do inferno.
 
     Chego a ir mais longe, e quero que o leitor me entenda bem, pois agora explico aquela frase de Jesus: Não perdi a nenhum daqueles que Me deste, a não ser o filho da perdição. Para mim, que tanto já meditei nisso – é opinião pessoal – todos aqueles que decidem ir para o inferno, iriam para lá, mesmo sem a tentação do demônio. Eles são réprobos, como Judas o filho da perdição, e desde sempre se destinaram à perda eterna. Sim, Deus sabia que eles iriam se perder e mesmo assim Ele os criou, porque eles foram criados por uma livre vontade própria. Esta a Sabedoria: nós quisemos ser criados! Deus tem este poder! Ele nos criou, porque aceitamos ser criados! Só isso explica: não perdi nenhum deles!...
 
     Digo mais, por este raciocínio lógico, e vou a fundo da questão: O grande desespero atual do inferno, sua luta encarniçada, seu ódio sem limites, seu furor incansável, sua loucura frenética e permanente, na verdade se manifesta por uma simples constatação: Quando terminar esta luta terrível, esta disputa assombrosa pelas almas, Lúcifer irá perceber, estarrecido, que não conseguiu conquistar uma só alma, pela sua força, pelo seu poder, pela sua capacidade de sedução – Jesus não perderá uma só, Ele disse – pois todos os homens e todas as mulheres que se decidiram perder eternamente, todos eles sem exceção alguma, se perderiam automaticamente, sem qualquer esforço do inferno.
 
     Na verdade, indo ainda além, o poder de Deus em atrair as almas para Si é tão supremo e tão indescritível, que o demônio finalmente perceberá, aturdido e confuso, que dia e noite somente cooperou para a salvação dos homens. De nada, então, adiantou todos os seus milenares esforços, seu desespero, seu ódio derramado em borbotões sobre a humanidade: tudo isso serviu apenas para santificar ainda mais os filhos de Deus, para faze-los crescer em graça, para fortalece-los rumo a caminhada eterna. Esta nossa luta era necessária, era indispensável, porque sem a fortaleza dela advinda, jamais iríamos conseguir manter o curso, rumo ao sem fim da eternidade feliz em Deus. Porque também isso deve ser decisão livre, e firme, e inarredável, para só então ser eterna.
 
     Preciso dizer mais? Aturdidos? O leitor se perguntará quem sabe: isso quer dizer que tais pessoas foram destinadas por Deus automaticamente à perdição! Nada disso, cada uma delas e todas elas – falo das almas perdidas e dos anjos maus – decidiram perder-se, já desde o início da criação, pelo próprio espírito de rebeldia, embora tivessem iguais, exatamente as mesmas chances de todas aquelas que se salvam, já se salvaram e que se salvarão ainda. Quem é perdido, se fez livremente perdido,
e já desde o ato de ser criado, decidiu afastar-se do Criador, até porque para Deus o tempo é um eterno agora: o momento antes da criação e o da morte de alguém, é para Ele o mesmo e único instante.
 
     Quem sabe assim, agora, ficará mais fácil de entendermos o motivo pelo qual algumas pessoas são tão bestialmente teimosas. Elas já se fizeram desde o nascimento fechadas para a graça, e embora as orações dos outros, embora tudo o que se faça por elas, ainda assim, no momento da morte elas procuram as trevas, não aceitando a Deus. E isso elas o fazem, e o fariam, sem qualquer pressão do inferno. Eis porque, se Deus lhes desse a chance de voltarem à terra e redimir-se, elas voltariam a se perder, e isso infinitas vezes. E não se trata de uma fraqueza interior, mas sim de uma fortaleza exacerbada para o mal e a semente de um germe maldito que não morre. Livre desejo delas, não querer de Deus! 
 
     Então, a mecânica da perdição eterna é a mesma: tal como aconteceu com os anjos caídos, assim acontece com os homens. Tal como Lúcifer não pode ser culpado pela queda dos que o seguiram, também as almas não podem alegar a pressão do inferno, quanto á sua livre queda. Ambos caíram e caem, pela sua livre vontade! E, da mesma forma que acontece quando aos demônios, se acaso Deus permitisse a uma alma, que está no inferno, que ela livremente escolhesse desaparecer e deixasse de existir para escapar daquele tormento eterno, ela não aceitaria. A resposta é: Decididamente não! Ela iria querer continuar existindo para poder odiar. Embora, muitas vezes em meditação eu tenha pensado que, quem sabe, um dia Deus fizesse o inferno desaparecer, com todo seu inaudito suplício, para que todo o Universo seja paz, e felicidade.... Mas agora sinto que isso é impossível, porque nem os anjos caídos, nem as almas perdidas iriam aceitar isto.
 
     Embora sim, pelo que pude entender nestes anos todos, quando terminar entre Céu e Inferno a luta pelas almas, também lá haverá um novo inferno, uma nova forma de tormento, onde a contemplação permanente do gozo eterno dos santos e anjos – eles serão obrigados e ver continuamente as maravilhas do Céu que rejeitaram – será o alimento eterno de um corrosivo remorso, por haverem rejeitado ao Bom Deus. E então, lá não se poderá odiar, a mais nada do mundo exterior, porque até isso acabará para eles. Acredito que, tal será muito pior que o regime atual baseado no ódio. E vejam, isso será causado a eles não por Deus, mas pelo desejo deles. De fato, então não adiantará odiar!
 
     A batalha hoje é então, entre o AMOR e o ÓDIO. Quem nasceu e se fez livre e aberto para o amor, é humilde também para curvar-se, adorar a Deus e ser feliz Nele. Quem aceitou nascer e se fez livre e aberto para viver o ódio, é também orgulhoso o bastante para não cair de joelhos no perdão, e queimar no inferno. Porque o maior inferno é sem dúvida a queima eterna e interior do ódio em si mesmo, ou do remorso, algo que não se consome embora arda em chamas, algo que não aparece embora exista, algo real e terrível que não vê, embora atormente sem parar.
 
     Penso que, se aqui na terra não confirmamos plenamente esta verdade, no eterno, haveremos de comprovar esta impressionante constatação: em toda esta luta imensa do inferno em busca da perda eterna das almas, ele não conseguirá uma alma sequer a mais, do que aquelas que já iriam para lá, caso os demônios ficassem quietos em seu canto. Quem é réprobo, já se fez assim desde o nascimento, e este se perderá mesmo que os demônios não o tentem. Mas o terror dos anjos negros será saber que com a tentativa de fazer mal às almas, apenas acenderam novas brasas para seu tormento eterno, seu castigo, que seria bem mais diluído, que a brutal condena a que se auto-impuseram!
 
     Quem leu o Livro Mística Cidade de Deus, onde fala do tratamento especial que Nossa Senhora dispensava a Judas, percebe claramente a questão dos réprobos. É que Ela, no início, conhecendo a tendência malévola e perdida do coração de Judas, tentava de todas as formas converte-lo,
tratando-o de forma especial. Mas Judas era tão mau, que ao invés de agradecer por esta condescendência de Nossa Mãe, ao contrário a odiava ainda mais. Isso porque o amor incendiado dela, apenas atiçava o fogo interior de seu ódio. E Deus então a fez compreender que era impossível, mesmo para ela, converter a Judas. Eis o motivo pelo qual Jesus o trata como filho da perdição! Ou seja: destinado a se perder!
 
    Agora a última para encerrar: Isso quer dizer que não adianta a gente rezar e pelas almas, porque de qualquer forma algumas se perderão? Nada disso! Este é o motivo exato pelo qual somos chamados a rezar pelas ovelhas perdidas. Porque se nós não fizermos a nossa parte seremos chamados duramente por Deus pelo nosso desleixo, porque Ele assim Se obrigará a usar as orações de outros, para que nenhum se perca! Deus, de qualquer forma levará todos os possíveis à salvação, mas embora se saiba que eles não se perderiam, permanece a missão de cada um. Com isso crescemos para o Céu! (Arnaldo)
   
 



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