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14/02/2014
Convertida pela Missa


Cartas - Convertida pela Missa
14/2/2014 22:46:02

Cartas - Convertida pela Missa


    CONVERTIDA PELA MISSA!    
    Arnaldo
    Li o artigo que transcreveste do protestante convertido pela Missa. Sei que é autor de alguns livros muito bons.
    E lembrei-me do caso que me aconteceu quando eu tinha doze anos e não sabia nada da Bíblia, da qual este homem sabia tanto. Por esse motivo ainda dou mais graças a Deus, uma vez que só Ele poderia ter sido o Autor dessas maravilhas e não conhecimento algum da minha parte. Ainda hoje o acontecimento está tão vivo em mim, como se tivesse acontecido ontem.
    Depois de ter feito a Comunhão Solene,a Profissão de Fé e o Crisma, tudo no mesmo dia, sem grande ensino, pois tinha tido apenas sete meses de catequese, num grupo de mais de vinte raparigas com uma só catequista, catequese à qual faltei mais de dois meses, primeiro por estar doente, depois por vergonha de ter faltado, nada mais aprendi em seguimento, pois a minha família não era praticante.
    A minha mãe era uma mulher muito boa, muito calada no sofrimento, uma mulher que nunca dizia mal de ninguém e era uma excelente dona de casa, mas pouco ou nada sabia de religião e tinha-me posto na catequese porque, dizia ela, “é uma cerimónia muito bonita e as meninas vão de branco”. Além disso, daí por uns meses iríamos para África, onde o meu pai já estava e ela queria que eu fosse já “despachada” da escola primária e da Comunhão. Isto eram mesmo palavras dela.
    A minha mãe só tinha aprendido umas orações que a avó dela lhe tinha ensinado, quando era viva e pedia ao meu avó se podia levar a neta com ela à igreja. O meu avó sempre dizia que sim, embora não fosse homem religioso, tanto que só batizou as duas filhas mais velhas. Depois foi a república e ele não batizou mais nenhum filho.
    Entretanto a avó da minha mãe morreu tinha ela onze anos. A partir daí a minha mãe só voltou à igreja para se casar aos 19 anos. Nessa altura rara era a rapariga que aceitava casar sem ser na igreja, mesmo sem serem praticantes, porque tinham medo que os maridos as deixassem com facilidade.
    Quase a fazer 11 anos fui para África. De religião já nada me lembrava e passava as aulas obrigatórias de religião na escola, a brincar, sem tomar qualquer atenção.
    Entretanto conheci uma menina que era filha do sócio do meu pai. Ela ia à Missa aos domingos e queria que eu fosse com ela. Mas acontecia que essa menina queria sempre ficar no último banco. Dizia ela que era para à saída ver os vestidos das senhoras que passavam. Para mim isso era um sacrifício sem medida. Os vestidos não me interessavam nada. No último banco não via nada e não ouvia nada, porque não havia microfones.
    Acabei por ganhar um aborrecimento tão grande a ir à Missa que dizia à minha mãe que não queria ir. Ela também não ia, mas dizia-me sempre para eu ir, porque devíamos muitos favores àquela família e se eu não fosse fazer companhia podiam ficar zangados.
    Mas um dia, em plena Missa, o aborrecimento ganhou tais proporções que, mesmo ali, fiz o propósito firme de nunca mais lá ir, mesmo que aminha mãe se zangasse comigo e aquela menina também.
    Com esse propósito fui para casa, sem dizer nada a ninguém. Mas durante a semana pensei que afinal, deixar de ir sem ter ao menos visto o que se passava na frente era tolice minha. E resolvi no domingo seguinte ir mais cedo e ficar no banco da frente para ver o que é que ali se fazia, porque já nada me lembrava da catequese, uma vez que já tinha 12 anos. E pensava que depois de satisfeita a minha curiosidade, deixava então definitivamente de ir à Missa.
    Assim fiz no domingo seguinte. Fiquei no banco da frente. Vi tudo e, à medida que via, ia ficando conquistada. Toda eu era olhos e ouvidos. A Missa era em latim, mas deu-me a impressão de entender tudo. Sentia-me envolta numa chuva de
qualquer coisa que não sabia explicar o que era, mas que me fazia sentir muito bem e achava que era maravilhoso tudo quanto via e ouvia.
    Resolvi logo ir confessar-me durante a semana, para poder ir à Comunhão.Foi a partir daí que comecei a frequentar os Sacramentos. Nunca mais fui com a tal menina. A minha mãe só muito mais tarde é que reparou, mas não se importou com isso. Ninguém se zangou comigo.
    Nas aulas de Moral e Religião passei a ser a aluna mais atenta, pois queria aprender muito, queria aprender tudo. Tornei-me uma “esponja” em tudo o que fosse ensino religioso. Tinha o meu livro das aulas de Moral e Religião, que tinha passagens dos Evangelhos. Lia tudo até ao fim e voltava ao princípio até já saber de cor toda a vida de Jesus.
    Aprendi a rezar, como as crianças aprendem a comer, mesmo que não tenham quem lhes ensine. Ainda hoje não sei como isso se passou.
    A partir de então entrei num caminho muito espiritual, que seria muito longo e muito privado para referir aqui, mas que também depois me deu alguns amargos de boca com a minha mãe, que começou a dizer que eu não andava boa da cabeça, com as ideias de religião.
    O meu pai era bastante anticlerical. Deixava-me ir à Missa ao domingo, mas pensava que tudo parava ali. Ele mesmo dizia que não queria a família a frequentar muito a igreja nem a andar atrás dos pedres. Às vezes contava em casa certos casos pouco edificantes, que tinham o resultado de me fazer rezar por esses padres. Mas o meu pai não sabia disso, porque eu nunca dava a minha opinião, porque tinha medo daquilo que ele dizia quando se zangava.
    Ele não sabia mais nada do que se passava. A minha mãe sabia mais qualquer coisa e tinha um medo grande que o meu pai soubesse que eu ia à igreja durante a semana. Ela não conseguia sequer entender porque é que eu tinha essa necessidade, pois não era vulgar em raparigas da minha idade, que normalmente só pensavam em rapazes e bailaricos. Mas acabei por conseguir levá-la à Missa aos domingos e mais tarde até aos Sacramentos. No entanto, ela nunca entendeu muito bem as minhas necessidades espirituais. E nem sequer delas conhecia nem a décima parte.
    Como vês, fui também convertida pela Missa, embora andando por outros caminhos, caminhos mais restritos e solitários que esse senhor e com as dificuldades de quem não pode fazer tudo o que deseja nos seus anseios.
    Mas sempre pensei que por isso mesmo teria que toda a vida render muitas graças, pelo trabalho que Deus realizou em mim, com muito pouco auxílio externo.
    Se tiveres vontade de partilhar este testemunho, podes fazê-lo, sem pôr o nome, já se vê.
    Um abraço!
    +++++++++++++++++++++++++++
    OBS> Deixo apenas um comentário, bem curtinho, para meditação: Quem, algum dia, realmente viveu, com coração e alma a experiência de uma só Santa Missa, jamais deixa a Igreja Católica, ou não vem para ela.
    Ou seja: só saem católicos da Igreja, porque nossos padres não lhes explicam o valor da Santa Missa. Só isso! Que é TUDO!



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