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26/05/2017
Enterrando Bento XVI
Fácil notar: Bento XVI ecoa Jesus e os apóstolos GOG papagueia o herético Walter Kasper.
 
Quando as palavras arrebatadas de Bento são comparadas com as banalidades de seu sucessor, é difícil não notar uma diferença: um papa ecoa os apóstolos e o outro papagueia Walter Kasper

    Quando as palavras arrebatadas de Bento são comparadas com as banalidades de seu sucessor, é difícil não notar uma diferença: um papa ecoa os apóstolos e o outro papagueia Walter Kasper
 
    Matthew Schmitz (*) — First Things | Tradução: Sensus Fidei — Embora Bento esteja vivendo, Francisco está tentando enterrá-lo. Após sua eleição em 2013, Francisco começou a perseguir uma agenda à qual Joseph Ratzinger se opusera ao longo de sua carreira. Uma ênfase na pastoral contra a doutrina, a promoção de diversas abordagens disciplinares e doutrinais nas igrejas locais, a abertura da comunhão aos divorciados e recasados — todas essas propostas foram pesadas e rejeitadas por Ratzinger há mais de dez anos em um debate acalorado com Walter Kasper. Para melhor ou pior, Francisco agora procura revogar Ratzinger.
 
    Papa emérito Bento XVI rompe seu silêncio para elogiar Cardeal Sarah e advertir sacerdotes e bispos contra a mediocridade e a preocupação pelo poder, a autoridade, as necessidades materiais e o êxito em assuntos mundanos
    Há 16 anos Professor Orlando Fedeli já Alertava Sobre o Perigo das Teses Gnóstico-Modernistas do Cardeal Walter Kasper
    O conflito começou com uma carta de 1992 sobre “os elementos fundamentais que devem ser considerados já estabelecidos” quando os teólogos católicos exercem o seu trabalho. Alguns teólogos haviam sugerido que, embora a doutrina pudesse ser universal e imutável, ela poderia inclinar-se no sentido de atender discretas realidades pastorais — permitindo uma abordagem liberal, digamos, na Europa Ocidental e mais conservadora na África.
    Para se proteger desta ideia, o Papa João Paulo II e Ratzinger, então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, insistiram que a Igreja universal era “uma realidade ontológica e temporalmente anterior a cada Igreja particular”. Nenhuma diversidade de estilo anglicano para os católicos — não sob João Paulo.
    Por trás desse debate aparentemente acadêmico sobre a Igreja local e universal havia um desacordo sobre a comunhão para os divorciados e recasados. Em 1993, Kasper desafiou João Paulo II ao propor que os bispos individuais fossem capazes de decidir se deviam ou não dar a comunhão aos divorciados e recasados. Parando de pedir uma mudança na doutrina, ele disse que deveria haver “espaço para a flexibilidade pastoral em casos complexos e individuais”.
    Em 1994, o Vaticano rejeitou a proposta de Kasper com uma carta assinada por Ratzinger. “Se os divorciados recasados civilmente encontram-se numa situação que objetivamente viola a lei de Deus. Consequentemente, eles não podem receber a Sagrada Comunhão enquanto esta situação persistir.” Kasper não estava pronto para recuar. Em um folheto publicado em 1999, ele criticou a carta do Vaticano de 1992 e insistiu na legítima independência das igrejas locais.
    Ratzinger respondeu a título pessoal no ano posterior. É por causa de tais respostas que ele alcançou sua reputação como um rígido impositor doutrinário, mas esta caricatura é injusta. Bento XVI sempre foi um poeta da Igreja, um homem em cuja escrita o romantismo alemão floresce na ortodoxia. Vemos isso aqui em sua defesa da unidade cristã. Ele descreve a Igreja como “uma história de amor entre Deus e a humanidade” que tende para a unidade. Ele ouve o evangelho como uma espécie de nona sinfonia teológica, na qual toda a humanidade está unificada numa só:
    A ideia básica da história sagrada é a de reunir, de unificar os seres humanos no único corpo de Cristo, a união dos seres humanos e através dos seres humanos de toda a criação com Deus. Há apenas uma noiva, apenas um corpo de Cristo, não muitas noivas, não muitos corpos.
    A Igreja não é “meramente uma estrutura que pode ser mudada ou demolida à vontade, o que não teria nada a ver com a realidade da fé como tal”. Uma “forma da corporalidade pertence à própria Igreja”. Esta forma, este corpo, deve ser amado e respeitado, não colocado na prateleira.
    Aqui começamos a ver como a questão da universalidade da Igreja afeta questões aparentemente não relacionadas, como a comunhão, o divórcio e o novo casamento. Ratzinger citou 1 Coríntios, onde Paulo descreve a unidade da Igreja em termos de dois sacramentos — comunhão e matrimônio. Assim como os dois se tornam uma só carne no matrimônio, também na Eucaristia os muitos se tornam um só corpo. “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos somos participantes do mesmo pão”.
    As conexões que Paulo estabelece entre o matrimônio, a Eucaristia e a unidade da Igreja devem servir de aviso para quem quer mexer em um dos três. Se o corpo único da Igreja universal pode ser dividido, a “única carne” de um casal também pode ser dividida. E a comunhão — o sinal da unidade de crença e prática — pode se transformar em desunião, com pessoas que não compartilham as mesmas crenças unindo-se como se elas o fizessem.
    A réplica de Kasper veio em um ensaio publicado em inglês por América. É a expressão mais antiga e sucinta do que se tornaria o programa do Papa Francisco. Começa com uma distinção-chave: “Cheguei à minha posição não a partir do raciocínio abstrato, mas da experiência pastoral”. Kasper, a seguir, desacredita a “recusa inflexível da comunhão a todas as pessoas divorciadas e recasadas e as regras altamente restritivas para a hospitalidade eucarística”. Todas as controvérsias da era Francisco, mais de uma década antes de sua eleição.
    (Deve-se notar que os termos exagerados como inflexível e altamente restritivo, pelos quais Kasper foi às vezes criticado, foram introduzidos por um entusiástico tradutor e não têm equivalente no texto alemão).
    Com relação ao fundo desta disputa, como de tantas controvérsias católicas, está a questão da liturgia. Ratzinger já era conhecido como um defensor da “reforma da reforma” — um programa que evita a ruptura litúrgica, ao mesmo tempo que lentamente traz a liturgia de volta à continuidade com sua forma histórica. Kasper, pelo contrário, usa a ruptura que se seguiu ao Vaticano II para justificar novas mudanças na vida católica: “Nosso povo está bem ciente da flexibilidade das leis e regulamentos; eles têm experimentado uma grande parte disso ao longo das últimas décadas. Evelyn Waugh descreveu como os católicos na época do Concílio foram submetidos a “uma revolução superficial no que então parecia permanente”. Kasper abraça essa revolução superficial, esperando que ela justifique outra, mais profunda.
    Ele lamenta que Ratzinger não veja as coisas do seu jeito: “Lamentavelmente, o Cardeal Ratzinger abordou o problema da relação entre a igreja universal e as igrejas locais de um ponto de vista puramente abstrato e teórico, sem levar em conta situações e experiências pastorais concretas. “Ratzinger não conseguiu consultar o que Kasper chama de “dados” da experiência: “Para a história, portanto, devemos nos voltar para a teologia sonora”, onde encontraremos muitos exemplos de uma “diversidade” louvável.
    Embora a linguagem de Kasper esteja repleta de clichês (“dados”, “diversidade”, “experiência”), ela tem apelo retórico genuíno. Queremos acreditar que pode haver paz, paz, embora não haja paz entre a Igreja e o mundo. Assim como podemos ser movidos por visões de unidade, podemos ser seduzidos por promessas de conforto. O contraste entre os dois homens é, portanto, retórico e doutrinal: Ratzinger inspira; Kasper alivia.
    Os editores de América convidaram Ratzinger para responder, e ele relutantemente concordou. Sua resposta observa que o batismo é um evento verdadeiramente trinitário; não somos meramente batizados, mas o somos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nós não nos tornamos membros de uma das várias associações cristãs locais, mas estamos unidos com Deus.
    Por esta razão, “qualquer um batizado na igreja de Berlim está sempre em casa na igreja em Roma, em Nova York, em Kinshasa, em Bangalore ou em qualquer outro lugar, como se ele ou ela tivesse sido batizado lá. Ele ou ela não precisa apresentar um formulário de mudança de endereço; é uma e a mesma igreja”.
    Kasper encerrou o debate em 2001 com uma carta ao editor, na qual afirmou que “não pode ser completamente equivocado … perguntar sobre ações concretas, não na vida política, mas na vida pastoral”. Lá, a controvérsia pareceu terminar. Ratzinger tornou-se papa e a proposta de Kasper foi esquecida.
    Doze anos depois, um recém-eleito Papa Francisco deu nova vida à proposta de Kasper. Em seu primeiro discurso no Angelus, Francisco escolheu Kasper para o louvor, reintroduzindo-o à Igreja universal como “um bom teólogo, um teólogo talentoso”, cujo último livro havia feito ao novo papa “muito bem”.
    Agora sabemos que Francisco estava lendo Kasper de perto por muitos anos. Embora geralmente seja retratado como espontâneo e não-ideológico, Francisco tem constantemente avançado a agenda delineada por Kasper há mais de uma década.
    Diante desse desafio, Bento XVI manteve um silêncio quase perfeito. Quase não há necessidade de acrescentar às palavras nas quais ele rejeitou firmemente o programa de Kasper e Francisco. E, ainda assim, o constrangimento permanece. Nenhum papa em memória viva se opôs tão diretamente a seu antecessor — que, neste caso, acontece de viver apenas no alto da colina.
    É por isso que os partidários da agenda de Francisco mostram-se nervosos sempre que Bento XVI fala, como fez recentemente em louvor ao Cardeal Sarah [ndt: cf. em português aqui e aqui ]. Se os dois homens estivessem em acordo genuíno, os partidários de Francisco não teriam medo do sábio e gentil alemão que anda pelos Jardins do Vaticano.
    E assim os dois papas, um ativo e outro emérito, um falando e outro silencioso, permanecem em desacordo. Mas afinal, não importa quem vem por último ou fala mais; o que importa é quem pensa com a mente de uma Igreja que tem visto incontáveis heresias que vem e vão. Quando as palavras arrebatadas de Bento são comparadas com as banalidades de seu sucessor, é difícil não notar uma diferença: um papa ecoa os apóstolos e o outro papagueia Walter Kasper. Porque esta diferença na fala reflete uma diferença na opinião, uma predição pode ser feita. Independentemente de quem morra primeiro, Bento viverá mais do que Francisco.
 
    (*) Matthew Schmitz é editor literário de First Things.
    Publicado originalmente: First Things — Burying Benedict
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OBS > Lendo estes artigos, tão bem trabalhados, tão sérios e tão verdadeiros, eu gostaria apenas de vê-los encerrar com aquela Palavra da Sagrada Escritura que explode contra estes hereges: "Filhos do demônio, cheios de todo engano, até quando provocareis a ira do Senhor?" (Aarão)
 
 
 

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