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22/10/2020
Francisco e o casamento gay
Ora, a posição de Francisco contrasta abertamente com a doutrina das Sagradas Escrituras e o Magistério multimilenar da Igreja, inclusive dos seus últimos e recentíssimos predecessores.


21 OUTUBRO, 2020

Uniões homossexuais: o “sim” do Papa Francisco às uniões civis e a sua ruptura com o Magistério da Igreja.

Por FratresInUnum.com, 21 de outubro de 2020 – Mal publicamos o nosso editorial dizendo que Francisco se tornou indefensável e que ele mesmo não dá sequer tempo para a defesa e se adianta em dar um novo escândalo: explode em todos os jornais do mundo a notícia de que Francisco se posicionou a favor das uniões civis entre homossexuais.

Promotional poster, "Francesco."

A afirmação foi feita ao longo de um documentário sobre o pontífice argentino, apresentado pela primeira vez ontem, em Roma, durante um festival de cinema. Apesar de ainda não termos o vídeo, o unânime noticiamento coloca o fato fora de questão.

As declarações de Francisco foram contundentes: “Pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direitos a uma família. Ninguém deveria ser descartado ou transformado em miserável por conta disso. (…) O que nós temos de criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente protegidos. Eu me posiciono por isso”.

Ora, a posição de Francisco contrasta abertamente com a doutrina das Sagradas Escrituras e o Magistério multimilenar da Igreja, inclusive dos seus últimos e recentíssimos predecessores.

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou um documento em 2003 no qual afirma de modo inequívoco:

“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade” (n. 11).

E, um pouco mais acima, diz enfaticamente:

“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência” (n. 5).

Não há o que desculpar nem o que aliviar na fala de Francisco. Ele realmente rompeu com o Magistério anterior.

Contudo, os passadores de pano não tardam em chegar com a anetesia e já começam o seu trabalho de desinformação, visando desarticular e confundir a resistência católica.

É absolutamente previsível a tríplice tática que seguirão.

Os mais conservadores tentarão tirar peso da fala papal, dizendo que não pertence a nenhuma categoria de magistério pontifício: é uma fala solta, improvisada, a braccio, despretensiosa, que precisa ser interpretada em função de todo o ensino anterior da Igreja. “Tratar-se-ia”, dirão, “de uma opinião privada; lamentável, na verdade, mas nem por isso abertamente heterodoxa, já que o Santo Padre jamais atropelou algum dogma católico, visto que esses ensinos não são dogmáticos, mas de moral social”.

Os mais moderados dirão que Francisco em nenhum momento equiparou a união civil de homossexuais com o matrimônio e passarão a desviar o assunto para a defesa intransigente do matrimônio entre um homem e uma mulher, dizendo que esta a única forma prevista pela lei natural e pela lei eclesiástica, e que, portanto, quem atribuir ao Papa uma eventual apologia do matrimônio homossexual não passa de um caluniador desgraçado, que precisaria ser degredado para o exílio. Dirão ainda que a Igreja nunca aprovou o divórcio, mas aceita que haja leis civis que o normatizem, para o bem das partes; e que, agora, trata-se de uma situação análoga: o Papa Francisco condena a homossexualidade em si, segundo a doutrina católica, mas seria tolerante quanto a regulamentações meramente civis.

Os progressistas, porém, irão surfar na onda, tirando benefício da anestesia dos primeiros e acelerando ainda mais a sua própria agenda gayzista, dizendo que os ensinos anteriores ficam invalidados pelo supremo magistério do Sucessor de São Pedro, quem sabe até com a esperança de poderem logo mais oficializar um simulacro de casamento com o parceiro com quem vivem escondidos há décadas.

Entretanto, fato é que a Igreja sempre defendeu o seu direito de magistério em relação à lei natural, visto que o seu cumprimento é necessário para a salvação eterna, única finalidade de toda a sua atuação pastoral.

O aspecto positivo da notícia é que, pelo menos, começa a definhar logo esta hipocrisia de que Francisco e seus antecessores, a começar por Bento XVI, estão em plena continuidade, e de que o pontificado atual é legitimamente perpetuador da tradição da Igreja. Por fim, o povo, chocado, vai agravar ainda mais as suas críticas contra Francisco e contra quem o defender.

Se o que o papa argentino quer, antes de terminar o seu pontificado, colocar a Igreja em divisão e pé de guerra, “parabéns!”, pois já está conseguindo isso e cumprindo a sentença que ele deu acerca de si mesmo:

“Não é impossível que eu passe para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica” (palavras de Francisco, segundo o correspondente de Der Spiegel, Walter Mayr).

* * * [Atualização – 21 de outubro de 2020, às 19:00] O vídeo foi disponilizado pelo jornal La Repubblica aqui. Compartilhe!

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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Declaração de Mons. Viganò a propósito do documentário “Francesco”

 

21 de Outubro de 2020
 

O site Vatican News[1] deu a notícia de que, no Festival de Cinema de Roma, será, hoje, projectado um documentário intitulado “Francesco”, feito pelo realizador Evgeny Afineevsky.

Este documentário – conforme noticiado pela Catholic News Agency[2] e pelo site America, the Jesuit review[3] – torna públicos alguns pronunciamentos de Jorge Mario Bergoglio sobre o tema da homossexualidade. Entre outras afirmações, desconcertam estas frases:

«Os homossexuais têm o direito de fazer parte de uma família. São filhos de Deus e têm o direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou infeliz por causa disso»[4].

«O que devemos fazer é uma lei para as uniões civis. Desta forma, são legalmente protegidos. Eu sou a favor disso»[5].

Não é preciso ser teólogo ou moralista para saber que tais afirmações são totalmente heterodoxas e constituem um gravíssimo motivo de escândalo para os fiéis.

Mas atenção: estas palavras constituem a enésima provocação com que a parte ultra-progressista da Hierarquia tenta suscitar, astutamente, um cisma, como já tentou fazer com a Exortação Pós-Sinodal Amoris laetitia, a modificação da doutrina sobre a pena capital, o Sínodo pan-amazónico e a imunda Pachamama, a Declaração de Abu Dhabi, depois reafirmada e agravada pela Encíclica Fratelli tutti.         

Parece que Bergoglio procura descaradamente “subir a parada”, num crescendo de afirmações heréticas, a fim de forçar a parte sã da Igreja – episcopado, clero e fiéis – a acusá-lo de heresia, para, depois, declará-la cismática e “inimiga do papa”.

Jorge Mario Bergoglio tenta forçar alguns Cardeais e Bispos a separar-se da comunhão com ele, obtendo como resultado não a própria deposição por heresia, mas a expulsão dos Católicos que querem permanecer fiéis ao Magistério perene da Igreja. Essa armadilha teria – nas presumíveis intenções de Bergoglio e do seu “círculo mágico” – o propósito de consolidar o seu poder dentro de uma igreja que seria apenas nominalmente “católica”, mas, na realidade, herética e cismática.

Este engano conta com o apoio da elite globalista, dos media mainstream e do lobby LGBT, ao qual não são estranhos muitos Clérigos, Bispos e Cardeais. Não esqueçamos que, em muitas nações, existem leis em vigor que punem como crime aqueles que, mesmo com base no seu Credo, consideram repreensível e pecaminosa a sodomia ou que não aprovam a legitimação do “matrimónio” homossexual. Um pronunciamento dos Bispos contra Bergoglio numa questão como a da homossexualidade poderia autorizar a autoridade civil a persegui-los criminalmente com a aprovação do Vaticano.

Bergoglio, portanto, não teria apenas do seu lado a “deep church”, representada pelos rebeldes, como o P. James Martin, s.j., e os expoentes do “synodal path” alemão, mas também o “deep state”. Não é de surpreender que, no documentário, também haja um endorsement ao candidato democrata nas próximas eleições presidenciais americanas, juntamente com uma desconcertante condenação da política da administração Trump, acusado de separar as famílias que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos, quando, na verdade, o Presidente está a enfrentar a exploração de seres humanos e o tráfico de menores.      
Assim, enquanto aos Bispos conservadores americanos é feita a proibição de intervir no debate político em apoio ao Presidente Trump, o Vaticano pode permitir-se a desenvoltas ingerências nas eleições em favor do seu adversário democrático, unindo-se à censura das redes sociais e dos media sobre as gravíssimas acusações contra a família Biden.

Como Católicos, somos chamados a estar ao lado daqueles que defendem a vida, a família natural, a soberania nacional. Pensávamos ter o Vigário de Cristo ao nosso lado. Reconhecemos dolorosamente que, neste confronto épico, aquele que deveria conduzir a Barca de Pedro escolheu ficar ao lado do Inimigo para afundá-la. Recordando a coragem dos Santos Pontífices em defender a integridade da Fé e promover a salvação das almas, deve-se observar: «Quantum mutatus ab illis!».

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo



[4] «Homosexuals have a right to be a part of the family. They’re children of God and have a right to a family. Nobody should be thrown out, or be made miserable because of it».

[5] «What we have to create is a civil union law. That way they are legally covered. I stood up for that».

 

 


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