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12/04/2020
A tribulação do vírus
Se não fosse o pecado o homem não teria que sofrer e nem passar pela morte.


COVID-19 E TRIBULAÇÕES

"Eles, vendo-se na sua tribulação, dar-se-ão pressa a recorrer a mim. Vinde (dirão), e voltemos para o Senhor" (Oséias VI, 1).

Caríssimos, o novo vírus Corona, o Covid-19 está trazendo, praticamente para o mundo todo, grandes tribulações: lutos pelos milhares de óbitos, lágrimas, temores, crise econômica com desempregos e por conseguinte misérias e fomes para muitos.

Se não fosse o pecado o homem não teria que sofrer e nem passar pela morte. Deus criou nossos primeiros pais na justiça original e deu-lhes (o que seria também para todos os seus descendentes) uma total imunidade. Mas, veio o pecado e com ele entraram no mundo os sofrimentos e a morte.

Deus, como já havia prevenido a Adão e Eva, retirou essa lei preservativa, e agora castiga, porém como pai, isto é, não pelo prazer de ver sofrer, mas pela felicidade que tem em realizar a cura tal como um pai vê o médico dilacerar as carnes inocentes de seu filho, animoso com a esperança de o ver recobrar a saúde. A este respeito, eis o que diz a Sagrada Escritura: "... Somos castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com este mundo" (1 Rom. XI, 32).

E diz o Príncipe dos Apóstolos: "Mas o Deus de toda a graça, o que nos chamou  em Jesus Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes sofrido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará" (1 S. Pedro V, 10).  Além de Oséias VI, 1 supra-citado.

"As provações providenciais, físicas ou morais, como a doença, os lutos de família, as angústias da alma, os revezes de fortuna, são muitas vezes acompanhadas de graças internas que nos estimulam a uma vida mais perfeita. Desapegam-nos do que não é Deus, purificam a alma pelo sofrimento, fazem-nos desejar o céu e a perfeição que é o caminho para lá contanto que a alma tire proveito dessas provas para se voltar para Deus" (Tanquerey, Comp. de Teol. Ascética e Mística).

A maioria dos homens sobre a face da terra está sufocada pelas preocupações do dinheiro e dos prazeres da vida. O progresso científico está levando tudo isto a um clímax talvez nunca visto. Confesso que, quando vi na Internet a representação do Covid-19, isto é, um como globo cercado de espinhos, que, no entanto, parecem também flores (daí o nome "Corona" = coroa), vendo isto, digo, veio-me à memória aquele terceiro tipo de terreno ruim como está na parábola do semeador, parábola esta feita por Nosso Senhor Jesus Cristo e por Ele mesmo explicada. Terreno coberto de espinhos, significa os corações sufocados pelas preocupações das riquezas e dos prazeres da vida. Na verdade, os mundanos procuram estas coisas como se fossem flores: "Coroemo-nos de rosas antes que elas murchem" (Sab. II, 8).

Santo Agostinho diz no seu livro "De Libero Arbitrio, I, 1, 2 : “Deus todo-poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal”. O profeta Jeremias no cap. XI, 12 pergunta: "Por que a terra está em desolação? E responde: "Porque não há quem pare para pensar no íntimo de seu coração". Malgrado todo progresso e luxo modernos, a terra está realmente em estado lastimoso, e a prova disto é a depressão, doença da moda.

E isto por que? A maioria dos habitantes da terra, pensando e correndo desenfreadamente à procura de riquezas e prazeres da carne, não para pensar no único necessário que é a salvação da alma. Aí aparece o Covid-19 que obriga milhares e milhares de pessoas a pararem e a se retirarem do convívio social e do barulho. Deus com certeza quer que aproveitem este retiro, embora forçado, para que meditem na necessidade do cuidado de suas almas.

Meditem nas belíssimas palavras bíblicas de Judite, mulher santa do Antigo Testamento: "Nós, pois, não nos impacientemos por causa do que sofremos, mas, considerando que estes mesmos castigos são menores do que os nossos pecados, creiamos que estes flagelos do Senhor, com que, como seus servos, somos castigados, nos vieram para nossa emenda e não para nossa perdição" (Livro de Judite VIII, 26 e 27).

Os cristãos, por sua vez, devem seguir as pegadas de Jesus, o Divino Mestre. A cruz pela qual Ele nos remiu, não nos dispensa de carregar a nossa. Pelo contrário, a maior prova de amor que Jesus nos deu, morrendo na cruz por nós, impele-nos a carregar a nossa cruz por amor a Ele. E isto  é causa de nossa felicidade. Pois, na verdade, ao contrário, fugir da cruz  e procurar tudo o que possa contentar a natureza traz inevitavelmente infelicidade já nesta vida.

Eis uma verdade que o mundo não é capaz de entender: Os mundanos estarão em mais sofrimentos em se encaminhando para a perdição do que os bons sofrem em procurando a salvação. Na verdade, todos, sem exceção, sofrem neste vale de lágrimas; mas os maus sofrem sem consolação ou esperança, como sofreu Gestas, o mau ladrão.

Os bons e os maus estão inevitavelmente expostos às cruzes providenciais. Os bons, porém, carregam estas cruzes com paciência e amorosa submissão à vontade de Deus, Assim aconteceu com S. Dimas, o bom ladrão, naqueles momentos após a conversão até a morte. As pauladas que quebraram os ossos de Gestas e Dimas certamente causaram em ambos a mesma dor física, mas esta foi esquecida por Dimas pela doçura de sofrer e morrer com Jesus para logo depois viver eterna e perfeitamente feliz com seu Senhor e Redentor no Paraíso. Amém!

 

Recebi sem indicativo de autoria, mas é edificante


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