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04/09/2018
Coisa preta
Uma boa história para descontrair
 

COISA PRETA

20180411

- Oi Mãe, o diabo é preto?

- Quem te disse isso?

- O Nardo disse que o Guido é feio como o diabo. E o Guido é preto!

- O diabo pode ter qualquer cor: Preto, amarelo...

- Então o Pet pode ser o diabo: ele é amarelo!

- O Pet é doente: tem “trisa” e por isso parece amarelo.

- Eu tenho medo dos pretos.

- Não deves ter medo: eles são pretos por fora, mas por dentro são brancos. Eles têm a alma bem branquinha... E por falar em branquinha, quando voltares da escola precisas passar na Dona Tina e trazer o leite, porque a empregada dela ficou doente e não vai poder trazer.

- Tá bem, Mãe! Tchau. Bênção!

- Deus te abençoe. Boa sorte na escola.

Na volta, a meio caminho da escola – 1,5 km. – ficava a casa da “Dona Tina” e o menino parou ali para apanhar o leite fresquinho tirado das vacas de D. Tina e “Seu Armando”.

Mas quando já abria o portão o menino viu, em frente à porta da cozinha, uma mulher preta que olhava para ele! Tremeu e não conseguiu abrir o portão. A moça, percebendo a dificuldade do rapaz, veio ao seu encontro.

Apavorado, unindo todas as forças que tinha nas pernas o menino saiu em disparada estrada afora, direto para casa!

 - Que foi, Beto? O que aconteceu? Por que a língua de fora?

- A Preta, Mãe! Já não encontrava forças para falar e, ofegante dizia: A Preta, Mãe. Ela queria me pegar!

- Que preta? Aonde?

E o menino, tremendo, relatou o ocorrido.

- Deve ser alguém que também foi buscar leito ou ovos. Eu já disse para não teres medo...

- Mas era feia, Mãe. Muito feia! Os olhos “deste tamanho” e os dentes brancos grandes de fora...

- Para! Para com isso...

- Os dentes grandes, Mãe...

- E de que cor eram os dentes?

A Mãe, inteligente como todas as mães, encontrava ali uma salvação...

- De que cor eram os dentes?

- Brancos, eu já disse! Bem branquinhos...

- E eu não te disse que estas pessoas são pretas só por fora? Que por dentro tem alma branca! Que por dentro são brancos?

Beto parou de soluçar e pareceu, para sua Mãe, que ele aceitara a sua explicação.

- Mãe, devemos rezar pelos pretos para eles se converterem e ficarem brancos?

 A Mãe teve vontade de perder a paciência, mas como que, segurando-se explicou:

- Filho, há tanta gente branca que precisa de conversão: que são feios por dentro; que usam máscaras...

- Os brancos são falsos, mascarados?

- Não todos, mas existem muitos assim e devemos rezar por todos.

Quando a conversa estava nestas alturas, o rapaz percebeu alguém chegando no portão da casa.

- Mãe! É ela, Mãe. Ela veio atrás de mim!

E correu a se esconder sob a escada que dava acesso ao sótão...

- Oi, Dona Amélia.

- Oi Bela! Como vai? Entre...

- (Bela! Ela é bela?) O menino tremia.

- A Tina me pediu para trazer o leite... O menino fugiu!

- Ele chegou com o “fígado” fora da boca, disse Amélia rindo. Bela riu também!

- Ei, Beto: vem cá cumprimentar a Dona Bela!

Ele veio, cabisbaixo.

- Vem aqui, menino: quero te dar um abraço.

Mais tarde ele diria:

- Sabe, Mãe, naquela hora me deu uma vontade louca de sumir, mas na hora do abraço, tudo foi tão gostoso! Parecia a Senhora!

Conversaram um pouco e Bela relembrava dos momentos que ajudara a Amélia, quando teve as suas crianças: Ela fora a parteira de quase todos os filhos de Amélia!

- E não só parteira, mas amiga e muitas vezes fez o papel de mãe quando eu estava doente. E quando tu, Beto, estiveste doente ela te embalou, te medicou no hospital como médica, como enfermeira e até como mãe! E tu eras tão franzino, tão pequenino, tão doentinho...

No abraço, o menino foi perdendo o medo e aos poucos, recuperou o folego...

- Eu não sabia...

- Eu sei que tu não sabias, porque se soubesses, não terias medo de mim, não é?

- É!

- Porque tu tens um coraçãozinho bonito... e branco!

- O da senhora também é branco! A Mãe disse que vocês são muito brancos por dentro!

- Sabe, Beto: muitos de nós, os negros, também às vezes temos pensado assim: Será que os brancos têm corações pretos? Por fora são brancos, mas, e por dentro?

- Não dá pra saber...

- É! Só se virar do avesso...

- Sabe, Dona Bela: hoje eu aprendi muita coisa e foi tudo tão bonito e sabe o que achei mais bonito?

- Não, Beto! Não sei...

- O nome: Bela! E a senhora é isso mesmo: Bela! Muito Bela!

Amém!

Cláudio Heckert

 

 
 
 

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