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06/09/2018
O lobby gay
Não resta nenhuma dúvida que Satanás armou tudo isso. Embora odeie a aqueles que cumprem seu plano!
 

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 4 de setembro de 2018

Quando estive pela segunda vez em Roma, em 1998, deparei-me com padres que não eram apenas tolerantes com gays, que já naquela época usavam a retórica da misericórdia para justificar apelos velados, sutis, a uma prática que destoava claramente do ensinamento do Catecismo da Igreja Católica. Um deles chegou a insinuar que o Catecismo estava “fora da realidade”, e fez apologia a “avanços da ciência” buscando imprimir um relativismo para a aceitação do abominável, pois relatos de crianças abusadas por padres e bispos, crianças em sua vulnerabilidade (inclusive social), muitas delas com idade muito tenra, foram vítimas de abusos físicos, e isso é mesmo abominável. Quem está mais exposto à essa violência são as crianças, e atualmente a situação está mais grave do que na década de 90.

Quanto mais os padres relativizavam a dimensão moral da sexualidade humana, e quanto mais silêncio faziam de casos conhecidos (ad intra), mais o lobby gay se disseminava, visando evidentemente chegar ao estupor geral da sociedade (como o que estamos vivenciando agora), com as condições políticas criadas pelos promotores do gay power para justificar o ataque ao celibato clerical. Não é a toa que os novos escândalos emergem poucos meses antes do Sínodo PanAmazônico (2019), quando muitos querem colocar o celibato em discussão (muitos fazem campanha aberta contra o celibato), para que os bispos decidam por uma flexibilização que dê respaldo a decisões que esperam que o papa tome, em relação a isso. O lobby gay criou a crise, agudizou-a, e preparou o terreno para não apenas desmoralizar a Igreja, mas extenuá-la a tal ponto, para que os cardeais acabem dando anuência à “falsa solução” do fim do celibato. E mais: à total “transgressão deliberada”, como quis Michel Foucault.

As pressões também se intensificam, visando atingir ainda o sacramento da confissão, pois já há exigência pelo fim do sigilo dos confessionários. O alvo são os sacramentos. E cada vez mais os católicos se angustiam, atônitos, sem saber o que fazer diante de uma avalanche tão sofisticada de ataques visando destituir a Igreja de sua bimilenar identidade católica.

O caso Viganò é ponta do iceberg de uma convulsão que assola a Igreja, há décadas, sem que os católicos saibam o que fazer diante de tudo isso. O lobby gay tem sido uma das forças (entre muitas) visando a descatolização da Igreja: atingir o celibato e os sacramentos faz parte desse processo de corrosão da fé católica.

Com a internet, o lobby gay avançou mais célere. As tecnologias da comunicação ajudaram a disseminar o relativismo, e foi se perdendo o sentido do pecado. O pecado capital da luxúria passou não apenas a não ser mais visto como capital, mas até mesmo como pecado, pois membros do alto clero não se acanharam mais em fazer declarações em público sobre a necessidade da Igreja mudar sua visão sobre a homossexualidade, etc., até a controversa declaração de Jorge Mario Bergoglio: “quem sou eu para julgar?”

Para o bem da Igreja, apoio D. Viganò. Aplaudo a sua coragem e compromisso com a verdade. Aplaudo também os cardeais do “Dubia” (que até hoje ficaram sem resposta), aplaudo também os leigos os que perseveram na fé, em meio a mais dura tempestade jamais vista na história da Igreja, pois sabemos e cremos firmemente que temos Jesus Cristo, Nosso Senhor e Nosso Salvador, a quem São Pedro declarou: “A quem iremos Senhor? Somente tu tens palavras de vida eterna!”* * *

Incrível como o processo de descatolização ocorreu muito rapidamente. Não esperávamos que a crise interna da Igreja (de segmentos que atuavam por dentro dela, nos intestinos da instituição) fosse capaz de produzir estragos tão incontáveis, com sacerdotes que não exerciam mais um pastoreio convincente, e o rebanho católico foi se dispersando cada vez mais.

Muitos fiéis esperavam de seus sacerdotes a defesa da solidez da doutrina católica, mas muitos adotavam o tom cada vez mais relativista, suscitando dúvidas, interrogações, questionamentos até, que deixavam os católicos atônitos e chocados. Parecia que uma “outra Igreja” emergia de dentro da Igreja, se impondo com mais força, acuando os católicos a aceitar posições e atitudes que destoavam de tudo aquilo que a Igreja ensinou durante dois mil anos. E ninguém sabia o que estava acontecendo.

O fato é que do choque inicial, foi havendo uma certa acomodação, medo de se expor, até chegar a uma certa indiferença. Muitos dos que se chocaram foram embora, evadiram-se para outros grupos religiosos ou mesmo ficaram alheios. Os que permaneciam, em busca dos sacramentos, especialmente o da Eucaristia, sofriam cada vez mais o desconforto de não mais se reconhecerem irmãos da mesma fé, porque se tornava visível a cada dia o apagamento de sinais, de símbolos, de ritos, de tudo o que dava significado e sentido à vivência da fé católica.

O que antes havia sentido de pertença, começou a haver um certo estranhamento. Os que queriam perseverar, sofriam cada vez mais uma nova espécie de perseguição, de martírio, de incompreensão, justamente por aqueles que se diziam católicos, que passavam a ocupar postos de decisão dentro da Igreja, e que acabavam por solapar (inicialmente de modo sofisticado, depois escancaradamente) a identidade católica. 

Parecia que o organismo da Igreja (o corpo da Igreja) havia sido tomado por algo estranho, por algo que havia dominado suas entranhas e que não era da sua essência e identidade, daí o estranhamento, principalmente após a renúncia do papa Bento XVI, dos fatos que sucederam. Tornou-se às vezes até perigoso evangelizar, aonde não havia mais comunidade (pois não se é cristão sozinho), e a atomização da sociedade trouxe perigos e vulnerabilidades, não havia mais elan e nem elo, quando um pouco mais de entusiasmo era tido por falta de realismo. E havia também quem tirasse proveitos da fragilidade de muitos, que com boa vontade, queriam dar o melhor de si.

O relativismo e as dissimulações ajudaram muito a esvaziar o sentido do Evangelho, à luz da fé católica, a desviar inclusive do que realmente propõe, a buscar uma ressignificação que parecia indicar uma “outra Igreja” mais palatável aos apelos da sociedade midiática, cada vez mais plural e atomizada. A catolicidade parecia estar reduzida a alguns guetos, mas a vocação do catolicismo é a universalidade, e não é da identidade católica manter-se em guetos. Mas o que estaria havendo nas paróquias e dioceses, com seus conselhos que mais pareciam células de uma organização política, conselhos ideologizados, impregnados de teologia da libertação e tantos outras influências estranhas à catolicidade? 

Muitas e muitas vezes, nos perguntamos: o que estará acontecendo? 

É evidente que havia sacerdotes e leigos, religiosas também, que buscavam dar o bom testemunho em fidelidade ao Evangelho, mas alguma coisa acontecia indicando que a Igreja do Catecismo não era aquela que víamos, no dia-a-dia, em meio a situações chocantes. “Menos dogma e mais pastoral”, diziam muitos. 

Não havia mais o ambiente cristão. Um bom sacerdote, que tinha bom zelo doutrinal, bom gosto, atendendo com solicitude e caridade a todos os que o procuravam, com muita bondade de coração, etc., deu-me de presente uma imagem muito bonita de São Miguel Arcanjo, defensor da vida, ao qual mantenho até hoje em meu escritório. Com tristeza eu soube do bispo emérito, que me ligou outro dia, dizendo, entre outros assuntos, que ele havia deixado o sacerdócio. E muitos haviam tombado, extenuados, eu mesmo, muitas vezes, sem saber o que estava acontecendo com a Igreja dos grandes santos, que o próprio Jesus prometera a São Pedro, de que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela.

(Trecho do livro “Um Raio na Basílica” – Apontamentos sobre a renúncia de Bento XVI, 3ª parte, de Hermes Rodrigues Nery).

 

 

 
 
 

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