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25/12/2017
Natal
É preciso repensar o Natal de forma precisa para verdadeiramente compreender seu significado
 

Mensagem recebida de um leitor, desde a sofrida Siria, muito bela e instrutiva. Espero que agrade a todos

 

 ch
 

NATAL

Já provocando a imagem escolhida não é a tradicional da Madona com o Menino Jesus, desta feita a escolha é José carregando Jesus nos braços sob o olhar de Maria, aproveitando, a foto é de SS o Patriarca Mor Ignatius Afrem II celebrando a cerimonia de Natal durante a Missa de Natal deste ano na Sede Patriarcal, Catedral de São Jorge em Damasco, Síria.

É preciso repensar o Natal de forma precisa para verdadeiramente compreender seu significado, assim...

Finalmente é chegado o Natal, a celebração do momento do nascimento de Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus, vindo do Pai para a dispensação divina, ou seja, a redenção da humanidade e sua reconciliação com o Pai Celestial.

O Natal assim como a Ressurreição de Cristo são efetivamente o início e o fim da missão terrena do Salvador especificamente com relação à salvação da criatura – homem – com o seu Criador – Deus.

Hoje a maioria dos jovens e estudiosos colocam em dúvida a existência de Jesus, outros chegam a afirmar que ele foi à China ou Tibete e ainda outros que se trata de um espírito iluminado, mas humano e nada divino.

Teorias falsas ou enganadoras é o que mais há.

Do ponto de vista histórico, Mateus e depois Lucas viveram o momento mais próximo de Jesus e Maria bem como os primórdios da formação da comunidade cristã.

Os dois evangelistas, Mateus e Lucas, podem discordar num ou outro ponto nos seus relatos dos fatos, mas, a verdade histórica primeira é que um édito imperial de Augusto César determinava um recenseamento de todos os cidadãos governados por Roma e isto porque como sabemos os recenseamentos governamentais até os nossos dias objetivam viabilizar a cobrança de impostos.

Por que então se faz necessário o deslocamento para a terra de origem¿

A resposta é simples, a base da produção da sociedade era agrícola-pastoril e consequentemente cada qual poderia ter algum vínculo com um pedaço de terra no caso da agricultura gerador de recursos econômicos.

Isto claro, do ponto de vista administrativo-governamental; por outro lado a importância da citação deste evento que podemos chamar de mundial, uma vez que o império romano se estendia desde parta da Grã-Bretanha e Ibéria até os limites da Pérsia, dominando o Mar Mediterrâneo – o Mare Nostrum – dá a conotação do Redentor, Jesus Cristo, que não vem à um povo específico, mas a todo o mundo.

A ordem do recenseamento se analisarmos com cuidado veremos que alcança os três continentes, Ásia, Europa e África.

Outro fato é que Lucas em seu evangelho situa exatamente a época do nascimento de Jesus informando o décimo quinto ano do governo de Tibério César, além de mencionar o governador romano daquele ano e os tetrarcas da Galileia, da Ituréia e da Traconitide e os sumos sacerdotes. (Lc 3, 1-2)

O Logos ou Verbo – Meltho em aramaico – fez-se homem em local e tempo certo!

Flávio Josefo, principal historiador judeu da época de Jesus alega que o recenseamento ocorreu no ano seis da era cristã, também temos o cálculo errado de Dionísio o Exíguo (+550 AD).

Nos fatos históricos mais distantes sempre há uma tolerância na contagem dos anos, uma vez que se vinculam os fatos aos governantes, mas, o mais importante é que os fatos que circundam o nascimento de Jesus Cristo ocorreram.

Voltando-nos a Maria e José vamos constatar que seguiam para a cidade de origem de José da casa de Davi, talvez, José possuísse alguma propriedade em Belém e, portanto, tinha de comparecer.

Observamos que de repente a situação especifica israelita da chegada do Messias passa a ter uma dimensão mundial com o nascimento de Jesus numa manjedoura fora de uma casa israelita ou judia – “porque não havia lugar para eles na sala” (Lc 2, 6-7)

Lucas coloca o Salvador exposto ao mundo que deve ser informado da sua chegada!

Mais ainda o fato de Lucas citar a frase: “não haver lugar para eles na sala” dá uma forte indicação do que ocorreria, “veio para os seus, mas os seus não o reconheceram” (João 1, 11) e ainda o próprio Cristo confirma: “as raposas tem tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20), e finalmente Paulo em sua carta aos Hebreus: “aquele que foi crucificado fora da cidade, também nasceu fora da cidade”.

Cristo é importante, poderoso, digno de louvor e gratidão, misericordiosos, mas, fica patente que “não é deste mundo”.

Aquela criança menosprezada no seu nascimento, depois, humilhado, crucificado e morto não perdeu a esperança na humanidade insistindo em ensiná-la, ama-la, cura-la e ainda deixando claro que retornará quando então dará a cada um o seu quinhão ou recompensa.

Ainda na Cruz pede por aqueles que não o compreenderam: “Pai perdoai-os porque não sabem o que fazem”.

Observamos que na história depois da destruição do templo de Jerusalém e expulsão dos judeus, Roma manda construir um templo dedicado a Tamuz-Adonis pretendendo suprimir a memória cultural judaica assim como também a cristã, pois, segundo relatos do tempo, o templo foi edificado no local onde hoje se localiza a Basílica da Natividade em Belém.

O templo de Salomão em Jerusalém ficou arrasado até os nossos dias

Os santos padres ainda interpretaram o fato de Maria colocar Jesus depois de enfaixado ao costume oriental numa manjedoura.

A manjedoura é justamente o local onde os animais buscavam alimento e este alimento está preso às madeiras da manjedoura, as mesmas madeiras da cruz.

Não falamos dos pedaços de madeira, mas da simbologia da humildade, nascido numa manjedoura e sacrificado na Cruz.

Ainda com relação à manjedoura, o boi e o jumento representam a humanidade, de um lado o povo escolhido, os judeus, e, do outro lado os gentios que olham o recém-nascido sem nada entender; mas, esta era a hora do conhecimento de Deus desta feita representada pelos pastores e reis magos.

As primeiras testemunhas do grande acontecimento foram justamente aqueles que vigiavam – os pastores e aqui é grande o significado desta escolha, pois, simbolicamente os que vigiavam seu rebanho não podiam desviar o olhar ou a atenção das suas ovelhas.

Cristo nasceu fora da cidade e assim os mais próximos encontrados pelo anjo foram os pastores e que mais tarde vão inspirar a vida monacal, seu voto de pobreza e contínua vigilância em oração por toda a Igreja ou rebanho de Cristo.

Envoltos em Luz e dissipado o medo pela fala angelical, os pastores veem “uma multidão de exército celeste louvando a Deus dizendo – Glória a Deus nas Alturas e na terra paz e harmonia à humanidade”,

Esta mensagem de paz e harmonia aliada à glorificação divina, é cantada em nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia em todas as orações matinais diárias como também na Celebração do Natal, nas vesperais dominicais da quaresma, no enterro de Cristo na sexta feira da paixão e morte de Cristo e na descida do fiel cristão à sepultura.

Esta Paz de Cristo da mensagem angelical superará a Pax Romana.

O Reino da Paz anunciado por Jesus Cristo é diferente do reino dos homens, é o Reino de Deus, um Reino de tempo infinito e Celestial.

Os pastores ansiosos correram a conhecer este Rei da Paz deitado numa humilde manjedoura em Belém e iluminados pelo anjo “puseram-se a adorá-lo voltando cheios de alegria glorificando e louvando a Deus pelo que tinham ouvido e visto”.  (Lc. 2, 20)

Já os reis magos representam a sabedoria e o poder humano terreno inclinando-se em reverencia diante do Rei dos reis, o único redentor da humanidade, e nisto, também vemos uma simbologia do domínio do Cristianismo acima de todas as divisões geográficas, políticas ou mesmo étnicas.

Constatamos que os primeiros reis do Cristianismo aceitam a doutrina sem guerras, perseguições ou imposições.

Vemos na história do Oriente uma tolerância com relação à prática religiosa em função da rica mitologia e a perseguição só se faz presente com os judeus influenciando os governantes locais romanos.

A perseguição começa com o próprio Cristo e segue com os apóstolos e os fiéis até os nossos dias.

O judaísmo percebe o seu fim se o Cristianismo vencer, uma vez que enquanto ele é intolerante com os que não são do seu povo, e o esperado Messias ao invés de liberta-los do jugo dos outros povos prega paz e amor, tolerância e assim universaliza a fé no Deus Único.

Assim devem ser os reis, reconhecedores de um poder muito maior e potente que o seu temporal e retomarem a tolerância.

Os reis magos não são sacerdotes no Cristianismo, mas, são governantes estudiosos que conseguiram definir o nascimento do Rei dos reis, e, orientados pelo poder divino alcançam seu objetivo adorando o Redentor.

O Cristianismo de Oriente foi divulgado de forma pacifica e acolhedora diferentemente do Ocidente onde foi imposto na maior parte dos casos com vitórias bélicas.

O Deus da Paz, da Harmonia, do Amor tornou-se objeto de orgulho e trunfo de guerra por muito tempo, mas nunca deixou de ser sua característica marcante no Oriente.

O Natal é o momento de entrega e dedicação; o exemplo do Deus Doador modela toda a vida do Redentor, o tempo todo curando, alimentando, amparando os necessitados e orientando os mais abastados enfatizando a necessidade do importante amparo espiritual, o acolhimento necessário do próximo, enfim culminando o processo redentor propiciando o Alimento Espiritual Salvífico, o pão e o vinho, Corpo e Sangue de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Nosso Deus.

Aniss Ibrahim Sowmy - 2017

 
 
 

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