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08/12/2017
Jerusalém no centro da história
O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?
 

Perdão aos evangélicos que parecem estar por trás da decisão de Trump, mas deve-se olhar para a Igreja Católica. Não é Lutero quem detém das chaves do fim, mas Roma. Mas quem é contra a decisão de Trump de nomear Jerusalém a capital de Israel, defende aquilo que também o capeta defende... E perderá!

 

O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?

trumpNuma tomada de posição que contraria a quase totalidade do espectro diplomático mundial, Nações Unidas incluídas, e em cumprimento de uma promessa feita durante a campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump fez uma declaração reconhecendo formalmente Jerusalém como a capital do Estado de Israel. Dessa forma, os Estados Unidos serão o único país do mundo a fazer tal reconhecimento. Essa é uma medida que podemos abordar não apenas no âmbito político mas também profético.

Em primeiro lugar, tratemos brevemente da questão política. Salvo exceções pontuais no passado, a comunidade internacional não reconhece Jerusalém como capital de Israel, país que considera a cidade santa como sua legítima, eterna e reunificada capital. Alguns anos atrás, houve tentativas de entregar a parte ocidental da cidade a Israel e a parte oriental à Palestina, mas nunca surgiu o mínimo entendimento para que isso acontecesse, até porque Israel reclama a cidade toda de Jerusalém, algo que os árabes não aceitam.

Todos os países com representação diplomática em Israel têm suas respectivas embaixadas em Tel Aviv, de acordo com o princípio consagrado em resoluções das Nações Unidas de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinos.

Essa não é a primeira vez que esse assunto surge. Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em “interesses nacionais”.

Ainda antes de o anúncio ter sido feito, os principais líderes das nações do Oriente Médio já se tinham posicionado criticando qualquer tentativa de indicar ou reconhecer Jerusalém como a capital do Estado judaico. Durante uma reunião de emergência da Liga Árabe, no dia anterior à declaração de Trump, o secretário-geral Ahmed Abdul Gheit afirmou que a decisão dos Estados Unidos seria “perigosa”.

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, exortou vários líderes mundiais a intervirem contra a eventual posição americana. Abbas encontrou-se pessoalmente com o papa Francisco, a quem pediu ajuda nessa questão. O líder católico foi receptivo ao apelo de Abbas, dizendo que não pode “calar sua profunda preocupação” com essa medida da administração norte-americana.

Mais incisivo foi o representante dos palestinos na Grã-Bretanha. Manuel Hassassian afirmou, em uma entrevista à rádio BBC, que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel “significa o beijo da morte na solução de dois Estados”, acrescentando que Trump “está declarando uma guerra no Oriente Médio, uma guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos e centenas de milhões de cristãos que não vão aceitar que a Terra Santa esteja sob a hegemonia única de Israel”.

Mas foi depois do anúncio oficial do presidente norte-americano que as mais fortes reações surgiram. O presidente palestino voltou a se manifestar, dizendo frontalmente que “Jerusalém é a eterna capital da Palestina”. Ali Khamenei, líder supremo do Irã, considerou que essa iniciativa mostra “incapacidade” dos Estados Unidos e garantiu que “o povo palestino sairá vitorioso”. O presidente da Turquia, Recep Erdogan, agendou de imediato uma cimeira com os principais países muçulmanos, afirmando que a decisão de Trump irá lançar a região para um “círculo de fogo”. O Hamas, organização considerada por vários países como terrorista, apelou a uma nova intifada, ou revolta contra Israel, definindo a decisão de Trump como “declaração de guerra”. Em mensagens de grupos radicais em uma rede social, alguns apoiadores da Al-Qaeda e do Estado Islâmico apelaram à morte de “todos os cruzados [ou seja, cristãos] que encontremos no nosso território”, prometendo matar até que os Estados Unidos da América deixem de apoiar Israel. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse que “não há alternativa” a uma solução com dois Estados a viverem pacificamente na cidade de Jerusalém.

Portanto, sob um ponto de vista geopolítico e diplomático, parece não haver dúvida de que Donald Trump acaba de lançar um possível barril de pólvora para cima da fogueira. No entanto, o que poderá surpreender muitas pessoas são as implicações de ordem escatológica, ou seja, relacionadas ao fim dos tempos, que essa medida provoca. Para perceber isso temos que começar por definir um termo teológico conhecido por dispensacionalismo.

O que é dispensacionalismo?

Dispensacionalismo é uma doutrina teológica e escatológica cristã que defende que o regresso, ou segunda vinda de Jesus Cristo à Terra será um acontecimento no mundo físico, envolvendo primeiramente um arrebatamento secreto, seguido de um período de sete anos de tribulação após o qual se dará a famosa batalha do Armagedom e o estabelecimento do reino de Deus na Terra.

A palavra “dispensação” tem origem em um termo latino que significa “administração” ou “gerência”, referindo-se ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo ao longo da história.

Embora existam três principais correntes dispensacionalistas, duas delas são consideradas minimalistas. A corrente mais divulgada e defendida propõe sete diferentes dispensações ao longo da História, como segue resumidamente:

  1. Inocência – Adão no Éden, antes da queda.
  2. Consciência – da queda até o dilúvio.
  3. Governo humano – após o dilúvio até a Torre de Babel.
  4. Promessa – de Abraão até Moisés.
  5. Lei – de Moisés até a morte de Cristo.
  6. Graça – da morte de Cristo até o arrebatamento da igreja.
  7. Milênio – um período de mil anos de reinado de Cristo na Terra (cuja capital do reino é, adivinhe só… Jerusalém!). Após esse milénio, acontecerá o Juízo Final e a construção do “novo céu” e da “nova Terra”, cuja cidade capital será chamada, adivinhe novamente… Nova Jerusalém.

De acordo com essa leitura escatológica, estamos atualmente na dispensação número seis, o tempo da graça, aguardando para breve a concretização do arrebatamento secreto.

Aqui convém saber o que é esse arrebatamento secreto. Trata-se de um acontecimento no qual Jesus levaria os escolhidos, os salvos para a Nova Jerusalém (ainda no céu), deixando na Terra os demais seres humanos que não O aceitaram como Salvador.

Após o arrebatamento, haveria uma grande desordem na Terra durante sete anos (três anos e meio de falsa paz e três anos e meio de guerras), sob o governo conjunto do Anticristo (que essa teoria entende ser um líder político mundial), do falso profeta (um líder religioso ecumênico) e da besta (um deus de uma religião que surgirá), período esse chamado de Grande Tribulação. No fim desses sete anos, Jesus voltaria novamente, agora juntamente com os salvos para, então, reinar na Terra por mil anos.

Na visão dispensacionalista, a “última semana” profética da profecia das 70 semanas de Daniel 9:24 a 27 ainda está no futuro – no tempo de Jesus foram cumpridas 69 das setenta semanas determinadas sobre o povo judeu; com o surgimento da igreja cristã, houve uma interrupção temporária da profecia; no futuro, quando os últimos eventos estiverem para acontecer, essa última semana se cumprirá nos tais sete anos da Grande Tribulação.

É devido a essa visão equivocada sobre as profecias bíblicas que os evangélicos americanos olham sempre para os conflitos envolvendo a nação de Israel como prenúncios escatológicos ou até de cumprimento profético.

Reação dos evangélicos

Mencionamos anteriormente as reações negativas que a maioria da comunidade internacional teve para com a medida de Donald Trump; convém neste momento mencionar que houve um setor que ficou muito contente com a posição do presidente norte-americano: justamente os evangélicos dos Estados Unidos.

A agência Reuters diz que “o impulso dos evangélicos ajudou a preparar a decisão de Trump”. O jornal Los Angeles Times faz mesmo uma pergunta à qual responde de imediato: “Quem realmente quer que Trump reconheça Jerusalém? Seus apoiadores evangélicos.” O editor de religião da CNN destaca que os evangélicos estão “radiantes” com a decisão do presidente. No passado, a mesma estação de televisão já tinha dito que “Trump e a direita religiosa” eram um “casamento feito no céu”.

Após o anúncio de Trump, Mike Evans, um renomado pastor cristão sionista com grande influência em Israel, recuperou uma comparação que anteriormente tinha sido feita pelo empresário evangélico Lance Wallnau, colocando Trump em paralelo com o rei Ciro, o monarca persa dos tempos de Daniel. Assim que Trump assumiu o poder, Wallnau esteve em uma cerimônia oficial em que afirmou que Deus usaria o novo presidente como um “Ciro moderno”, e que Trump traria grande transformação ao mundo. O pastor Evans revelou ao The Jerusalem Post que no próximo encontro de conselheiros espirituais do presidente norte-americano ele irá repetir a Trump: “Tu és Ciro”, acrescentando ainda que Trump está fazendo “o que Israel precisa que ele faça”.

Diante do cenário profético dispensancionalista, fica bem evidente a importância que assume para os evangélicos que defendem essa teoria o domínio ou controle da cidade real de Jerusalém, em Israel. Tudo isso se torna ainda mais relevante quando relembramos qual foi a principal e maior base de apoio que conduziu Trump até à presidência norte-americana: os cristãos evangélicos, a direita religiosa americana, um setor profundamente dispensacionalista.

Interpretação literal

Todo o pensamento dispensacionalista está baseado em uma interpretação literal da profecia bíblica. Concretamente: o Israel da Bíblia, em particular o do Antigo Testamento, é ainda hoje a nação atual e literal de Israel; o povo escolhido de Deus na Bíblia é ainda hoje os judeus literais, étnicos; a cidade santa na Bíblia é ainda hoje a cidade literal de Jerusalém, em Israel; e o Armagedom será uma luta literal em algum lugar no território de Israel.

Diante disso, são criadas leituras proféticas que se encaixem e não contrariem esta base fundamental, como é o caso da identificação do anticristo, das bestas, do falso profeta, etc., e surge o histórico apoio dos Estados Unidos a Israel. No entanto, basta uma simples leitura atenta de alguns textos das Sagradas Escritura para perceber que entender o Israel escatológico como sendo a nação literal de Israel não encontra fundamento bíblico.

Vejamos:

Gálatas 3:29: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”, indicando que qualquer cristão pode ser herdeiro e descendente espiritual de Abraão.

Romanos 9:8: “Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Ou seja, os verdadeiros filhos de Deus não são aqueles ligados por laços de sangue, mas os que recebam Suas promessas.

Efésios 3:6: “Os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” Até os gentios, normalmente renegados pelos judeus, são participantes da herança do evangelho de Cristo.

Finalmente, Romanos 2:28 e 29: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra.”

Podemos perceber que, na Bíblia e em seu sentido mais amplo e histórico-profético, judeu não é entendido racial ou etnicamente, mas, sim, simbólica e espiritualmente. Assim, o dispensacionalismo começa a cair por terra à primeira prova.

Na prática, tudo isto concorre para retirar, afastar de cena os verdadeiros agentes que no fim dos tempos agirão no sentido de precipitar os últimos acontecimentos da História da Terra, enganando e desviando as pessoas da verdadeira essência da profecia bíblica.

O inimigo da verdade é muito astuto e sagaz: facilmente coloca o mundo inteiro perturbado com um assunto, que para alguns é política e diplomacia, para outros é cumprimento profético; na verdade, todos eles correm o sério risco de estar muito atentos, interessados e envolvidos na questão, mas com o foco completamente errado.

Diante disso, perguntamos: Se Donald Trump assumiu o extremo risco e a coragem de uma medida como declarar Jerusalém a capital de Israel, que mais estará ele disposto a fazer para agradar às pretensões religiosas do principal grupo que contribuiu para colocá-lo na presidência?

Fiquemos atentos às cenas dos próximos capítulos.

(Filipe Reis, de Portugal

 

 
 
 

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