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FAMÍLIA, FUNDAMENTO DA SALVAÇÃO
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10/04/2017
A perfeição do pequeno.
Disse Jesus: “Eu te louvo o Pai, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”.
 

A perfeição do pequeno...

Uma crônica sobre a humildade... Para desanuviar um pouco o espírito, e perceber que existe ao nosso lado um mundo, que parece nem ser deste mundo, hoje tão envolto na maldade, na corrupção, no vício, no crime, nas drogas, e nesta pavorosa crise que nossa Santa Igreja está vivendo.

Deus fez tudo perfeito e bem acabado! Jesus a certa altura disse assim: “Eu te louvo o Pai, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”.  De fato, para encontrar e compreender as perfeições do Criador, não se deve apenas tentar penetrar nas dimensões do infinito, mas deve buscar nas pequenas coisas a suprema beleza e perfeição de tudo o que Ele criou, então entenderá mais facilmente aquelas grandes. A começar pelo átomo, que compõe as moléculas, que forma todas as coisas, visíveis e invisíveis. De fato, o grandioso é demais para mim, porém observar a valentia do pequeno, do frágil, isso me empolga.

Por isso deixo de lado a complexidade deste Universo, ainda absolutamente desconhecido, para me fixar em coisas simples, e me detenho nas plantas. Já escrevi algures que me encanta menos a visão de uma árvore gigante como a sequoia, ou qualquer outra, plantada em terra fértil, mas sim aquela pequenina, que cresce na extrema dureza. Nas visitas aos cemitérios, sempre tornados tórridos pelo acúmulo de lajes, é comum encontrar plantinhas diminutas, com uma ou duas folhinhas, e uma flor... Sinal de que dali adiante brotará sementes... e novas vidas. Não falo daquelas enraizadas em solo fértil, mas naquelas fixadas nas frestas, nas rachaduras do túmulos, em lugares quentes e espremidos, porque na verdade estas nos dão as mais espetaculares lições de luta pela vida.

Tenho plantado e cuidado de uma horta, e nela procuro fazer experiências, o que dá bem e o que não dá, a época de plantio, e planto também fora de época, e tantas são as coisas que nos surpreendem, seja porque são mitos e lendas dos “entendidos”, seja porque os desajustes do clima atual realmente parecem mudar as estações e a “endoidecer”, até mesmo as plantinhas. Não existe terapia melhor do que cuidar de plantas, vê-las crescer, dar frutos e flores, desde que você esteja atento e sempre aberto às perfeições de Deus. E como Ele diz: o homem vê as coisas crescerem, mas não sabe como isso acontece.

Entre muitas hortaliças e vegetais da horta, plantei alguns pés de pimentão, daquele amarelo, porque queria ver se aqui dava, em nosso solo e clima. Plantei uma dúzia de pés, com todo cuidado e carinho, mas por algum motivo que ainda não sei explicar, a maioria simplesmente acabou definhando e desaparecendo. Restaram apenas três pés. Cresceram, e se tornaram assim: um grande, um médio e um diminuto. Eu o chamo de “Tadinho”. E está ainda lá para quem quiser comprovar. O grande tem mais 60 Cm de altura! O médio, tem 40 cm, e o “tadinho” tem apenas 10 centímetros de altura. Isso mesmo, apenas 10 centímetros, do solo até a folhinha mais alta.

Claro eu continuei regando e adubando os dois pés maiores e mais promissores, e também, de quando em vez botava um pouco de adubo no “tadinho”, porque ficava com pena dele. Não sei quantas vezes acabei pisando no “tadinho” porque ele ficou no meio das plantas, e quase se afogava às vezes no capim. Claro que eu jamais pensei que aquele nanico pudesse produzir alguma coisa. Eu sempre o deixei ficar ali e o reguei, porque afinal eu o havia plantado, e minha ideia era deixá-lo definhar, e morrer, de “morte natural”.

E aconteceu que, por muitos dias, acabei me esquecendo do “tadinho”. Eu olhava para as outras plantas, regava os dois outros pés, mas nem olhava para o diminuto. Entretanto, num determinado momento eu passei por perto, e penso que foi através de um reflexo do sol, vi que brilhava algo entre aquele montinho de folhas verdes. O que vi me deixou maravilhado, pasmo. Acreditem aquele nanico tem lá pendentes, três pimentões, e tenho da outra fileira mais antiga, colhido já centenas deles, simplesmente o maior de todos está lá, colado ao solo, e até meio torto, parecendo que quer elevar mais alto o pé que o sustenta, porque deseja crescer ainda mais. Fantástico!

Tirei uma foto para guardar de recordação, e ainda hoje mostrei para minha esposa. De fato, não dá para acreditar. Os dois outros pés, dos quais cuidei até melhor e deles esperava colher bons frutos, estes têm lá suas bagas, mas nem perto do tamanho daquelas do “tadinho”. Penso que a maioria das pessoas simplesmente iria descartar aquela planta “falhada”, porque “nunca iria produzir”, e certamente se não fiz foi porque precisava ter mais esta lição de vida. Nunca desista! Nunca despreze o que é pequeno! Nunca faça pouco caso do humilde!

Veja, se aqueles pés de pimentão falassem entre si – o menor fica praticamente à sombra do maior – que não diriam eles? Duvido que o grande orgulhoso não estaria ostentado e enaltecendo os seus frutos, pendurados lá nas alturas, sem sequer olhar para baixo. E será que ele veria também o reflexo do sol mostrando que também o pequeno tem frutos, escondidos entre as folhas? E maiores? Teria ele vergonha dos seus pequenos frutos, o ver aquele maior que está lá, colado no solo, quase escondido entre as folhas, e até mimetizado entre elas?

Deus abomina os orgulhosos! E Ele é tão infinito, que simplesmente só Se deixa encontrar no infinito extremo da humildade, quando então revela seus segredos. Claro que abomino os pés de joio que sufocam as plantas, mas até eles me dão lições, seja pela “valentia” com que lutam pelo seu espaço, seja pela durabilidade extraordinária de suas diminutas sementes, que podem permanecer no solo durante muitos anos, apenas aguardando a hora certa e as condições exatas para brotarem. Sinal de que até com os injustos, Deus é Justo!

Sim, as plantas nos dão lições de vida! Já escrevi uma vez sobre outros três pés de frutas, cada um com suas peculiaridades. Conto mais uma vez para ver como tudo se aplica aos homens, basta observar com atenção e se verá como é fantástica a obra do Todo Poderoso.

O primeiro foi um pé de ameixa amarela. Peguei uma semente, de uma fruta que tinha na chácara do meu tio – eu era bem jovem – e plantei-a no fundo do quintal. Meses depois percebi que havia nascido, e tinha algumas folhas, e fiquei muito feliz. Mas depois, devido ao tempo escasso que a gente tinha naqueles tempos de lavoura, e de estudos, acabei por me esquecer da plantinha. E ela acabou ficando sepultada no meio do capinzal. Então minha mãe pediu para ei ir carpir o quintal, e aconteceu que, logo nos primeiros talhos de enxada dei um talho no pequeno tronco, apenas não a desprendendo totalmente, mas ficou caído ao solo. Como fiquei triste, porque eu queria muito aquela ameixeira.

Resultado, fui ao paiol, busquei um punhado de adubo, cavei ao redor da plantinha e limpei tudo bem, e ainda com um barbante comum, amarrei o pezinho, porque não ficava em pé, devido ao corte. Eu tinha fé, mas não imaginava o que pudesse acontecer. A planta adquiriu um viço espantoso, cresceu num ano até o dobro da minha altura, e já naquele ano deu os primeiros frutos, e deliciosos como nunca vira. E assim foi, por três anos seguidos: a planta carregava tanto, e frutos tão grandes, que os galhos se partiam... Parece que se esgotou de tanto esforço! Passados três anos ela simplesmente secou, e nada do que tentei fazer conseguiu salvá-la.

A segunda planta foi um mamoeiro. Ele nasceu por si, na beira da calçada de minha casa, e eu fiquei com pena de arrancar, porque Dulce gosta muito de mamão, e fui deixando a planta crescer. Não era, nunca foi, nem creio que houve algo sequer parecido. A primeira coisa que percebi é que, ao invés de um caule fino, o pé logo ficou vigoroso em baixo, como se fosse um mamoeiro anão. E a menos de 50 centímetros do nível da calçada – que por sinal já tinha rachado e se elevado – surgiram os primeiros frutos.

Não eram frutos pequenos, mas gigantes, bem coladinhos no tronco. Havia tendões que saíam e sustentavam até dois mamões enormes, que depois de maduros passavam de um quilo, e de tal forma era que quando os primeiros frutos começaram a madurar, eu tirei um tempo e contei já 110 frutos, e a planta estava apenas ao nível do meu peito. Uma pessoa sozinha não conseguia abraçar a parte de baixo, tão grande era a circunferência dos frutos. E assim foi, por muitos anos, sempre naquela dimensão de frutos, a árvore cresceu até mais alto que a cumeeira de minha casa, e por todo este tempo não precisamos comprar no mercado. Sempre tinha frutos.

A terceira planta, eu trouxe de outra região, apenas porque produzia frutinhas para os passarinhos. Plantei atrás do meu muro, e a árvore cresceu muito rápido, logo começando a produzir frutinhas. Enquanto eu morei naquela casa, desde os primeiros frutos, por mais de quatro anos seguidos, estação após estação, ela nunca deixou de produzir, para felicidade dos passarinhos. Não sofria com a geada, nem se importava com o calor... Mas um tempo depois que saí de lá, ela morreu, secou, simplesmente... Parecia ter saudade de mim, que a observava todos os dias, vendo os passarinhos se fartando. Tinha ramos extensos, e quando estava florindo na ponta, já próximo ao tronco havia frutinhos maduros. E assim, sem parar.

Bem, falando assim das três plantas, embora que algumas possam espantar, na aparência não trazem lições de vida que possam nos dar sentido de vida, mas tem os frutos, e o que elas três geraram. Meu pé de ameixa, que produzia até quebrar os galhos, mas morreu cedo, produziu muitos pés de ameixa das sementes, mas nenhum deles carregou como aquela árvore matriz. Entretanto se ela morreu em três anos, tem uma filha que carrega há mais de 50 anos, todos os anos. Como explicar tanta diferença, de uma planta mãe para suas sementes?

Meu incrível mamoeiro, do qual extraí milhares de sementes, até produziu outras árvores, mas nunca consegui uma muda sequer que não fosse macho, e nenhuma que produzisse sequer um centésimo o que a mãe. Além disso, todas morriam cedo, enquanto a planta mãe durou muitos anos.

 E daquela para os passarinhos, há hoje centenas de árvores pela região, mas nenhuma que eu conheço chegou perto daquela mãe, até porque estas não mantêm os frutos de estação em estação como a principal.

Qual é a árvore da sua família? Cada um pode responder! Que frutos você tem dado?

Sabe eu planto não para mim, mas para o Grande Pai. Sei, por exemplo, que o “coco anão” é uma planta de clima quente, mas plantei 50 pés dele, porque tenho a certeza de que o Pai os regará. Sei que estamos muito próximos de um tempo, onde haverá uma tremenda mudança no ciclo da vida, um tempo em que a Escritura nos promete que as árvores darão frutos o ano inteiro. Mas não será apenas isso! De fato, então as plantas não mais sentirão os efeitos das estações, e tudo poderá ser plantado, o ano inteiro, em qualquer estação, sem a interferência das pragas e sem o ataque dos animais. A natureza inteira está em dores de parto, e sofre horrivelmente com o pecado humano.

Falando em ataques de animais, as vacas do vizinho entraram na minha horta, e promoveram o maior estrago. Eu fiquei muito triste, por ter centenas de plantas danificadas, mordidas, quebradas, pisoteadas, tudo como se fosse exatamente para praticar o mal. Mas de que adiantaria me exaltar contra aqueles animais irracionais? Plantei tudo novamente, e o resultado é que passado um mês, está tudo mais bonito e viçoso do que antes. E agora o vizinho fez cerca nova, quem sabe não teremos mais ataques. O certo é que existe uma diferença brutal entre a plantação que se faz com instinto comercial, e aquela que se faz com Deus, pela lei natural. Sem comparação! Por exemplo...

Quem cuida de uma horta, sabe os ataques que as plantinhas sofrem pelos pulgões e vaquinhas, que parecem ter sete fôlegos. No início da plantação, tentei de tudo para não usar veneno, sem resultado. Pulverizar com sabão, com detergente, com fumo e pimenta passada no liquidificador, mas nada surtia efeito. Certo dia “briguei” com as vaquinhas: vocês não têm vergonha de assaltar desta forma as plantinhas? Como eu posso apresentar ao Pai Eterno uma horta bem vistosa e bonita, se vocês as deixam todas furadas e feias? Por favor, vão embora e não me apareçam mais aqui. Existem outras plantas para vocês se alimentar então deixem estas em paz. Acreditem, deu certo, elas praticamente sumiram, e não mais precisei pulverizar com defensivos. Veneno nem pensar!

Sim, teria ainda muitas coisas a dizer, mas acho que até o leitor sentiu o quanto a terapia das plantas, e o que elas nos ensinam sobre Deus, nos podem aliviar o espírito. E tendo desde criança este espírito de observação, me sinto feliz, porque já cumpri aquele ditado que diz: para um homem ser feliz, precisa fazer quatro coisas: ter um filho, plantar uma árvore, construir uma casa e escrever um livro.

Bem, pela graça do Poderoso recebi Dele cinco filhos, já plantei milhares de árvores, construí com minhas mãos mais de uma casa, e escrevi mais de 30 livros. Tudo apenas emprestando minha vontade ao Criador. E como disse certa vez ao término de uma palestra, se eu puder me definir em poucas palavras, ante a magnificência da obra do Pai, ante a imensidão e a perfeição do criado, e as maravilhas que Ele postou no diminuto, eu diria de mim: sou um simples grão de pó... Procurando ser meio grão!

De todas as plantinhas que coloquei na terra, o “tadinho” é meu preferido! (Aarão)

 
 
 

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