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10/07/2016
Escrúpulos de consciência
O que são e como fazer para remediá-los.
 

ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA: O QUE SÃO E COMO REMEDIÁ-LOS

Publicado em 09/07/2016

Pe. Lucas Prados – Adelante la Fe | Tradução: Sensus fidei

Definição

Define-se consciência escrupulosa como aquela que diante de qualquer ato realizado não sabe determinar a moralidade do mesmo, mas que se encontra num mar contínuo de dúvidas das quais não sabe sair.

Distinção entre a consciência meticulosa, delicada e laxa

Devemos distinguir a consciência escrupulosa da consciência delicada. Consciência delicada é aquela que julga corretamente, mesmo em pequenas faltas. Toma cuidado, por amor a Deus e por rejeição ao pecado de praticar qualquer ato, mesmo leve, que possa ofendê-lo. Quando no momento de fazer um exame de consciência, não só examina de modo genérico, mas desce aos detalhes e, em seguida, é capaz de manifestá-los com serenidade na confissão.O oposto da consciência delicada seria uma consciência laxa. Consciência laxa é aquela que não vê nenhum pecado em muitas ações que lhe são próprias. Quando uma pessoa com consciência laxa se examina, mostra-se genérica: “Padre, há dois anos que não me confesso. Eu não tenho pecados, pois não mato nem roubo.”

Fatores que causam o desencadeamento dos escrúpulos de consciência

Ao longo da minha experiência sacerdotal no trato com pessoas escrupulosas tenho sido capaz de verificar a existência de três elementos que agem na maioria dos casos como fatores causais e / ou desencadeantes dos escrúpulos: a soberba espiritual, a falta de aceitação de si mesmo e em focar a vida espiritual não tanto em amar a Deus quanto em não cometer pecados. Esses três elementos são uma forma de terreno comum, e embora que de si mesmos não sejam exatamente a origem dos escrúpulos, se não forem corrigidos adequadamente, mais tarde poderão agravar-se.Soberba espiritual ou mais comumente também chamado de “perfeccionismo” é uma inclinação psicológica para tentar ser perfeito pelo desejo de ser perfeito e não por qualquer outro motivo humano ou espiritual. São pessoas que quando descobrem um defeito ou limitação de sua personalidade se entristecem em um primeiro estado. Começam a lutar para remover essas limitações e quando veem que é quase impossível, tentam negar que essas imperfeições são suas, surgem os escrúpulos para auto justificar-se e, assim, inicia-se um círculo vicioso. Esse círculo deve ser cortado fazendo-se com que essas pessoas vejam que “só Deus é perfeito.”

Nós temos que seguir o lema de Jesus Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”, mas sabendo que é uma meta e não um resultado que possamos obter com o próprio esforço pessoal e sem a ajuda da graça de Deus; e que, enquanto não a alcancemos, teremos de ter paciência conosco, não desanimarmos e pedir a ajuda de Deus para, gradualmente, nos corrigirmos.A falta de aceitação das próprias limitações.

É muito frequente que um escrupuloso não se aceite a si mesmo tal qual é, com suas luzes e sombras, virtudes e defeitos. É por isso que quando ele descobre os seus defeitos ou pecados veniais percebe-se emaranhado num mar de dúvidas ao tentar desculpar-se dos mesmos. No fundo, não é senão outra manifestação desse orgulho espiritual. À medida que a pessoa vai amadurecendo humana e espiritualmente e vai se aceitando como é, essa inquietação e agitação em se descobrir como é, vai se apaziguando; reconhece suas limitações e é capaz de vê-las com serenidade e humor positivo para que possam ser resolvidas de forma gradual, uma após a outra.Mal enfoque da vida espiritual. Pessoas escrupulosas tendem a focar a sua vida espiritual, não tanto por amar a Deus, quanto em evitar os pecados. Aparentemente, parece o mesmo, mas não é.

Quando uma pessoa orienta sua vida espiritual em amar a Deus, tende a ter uma atitude mais positiva e alegre. Alegra-se em amá-lo, servi-lo, entregar-lhe sua vida. Em vez disso, quando concentra sua vida espiritual no fato de não cometer pecados, passa o tempo todo esquadrinhando a sua consciência e a sua conduta para tentar descobrir se está fazendo ou pensando algo que de alguma forma possa estar indo contra a vontade de Deus. Este modo de proceder lhe produz desassossego, inquietação, e com o tempo, pode levar a uma neurose de ansiedade.Um exame pessoal e humilde destes três fatores desencadeadores de escrúpulos de consciência pode nos ajudar muito quando se trata de descobri-los, evitá-los e corrigi-los. Em outras palavras, o bom diagnóstico de uma doença é o primeiro passo para o seu tratamento adequado.

Tipos de consciência escrupulosa segundo sua gravidade ou duração

1.- Os escrúpulos de consciência podem ter múltiplas manifestações e graus. Simplificando e resumindo diremos:Consciência escrupulosa na fronteira da neuroseSeria uma pessoa que psiquicamente não é estável. Possui tendências ou inclinações de tipo neurótico ou obsessivo. Essa “neurose”, quando tem como objeto a moralidade dos atos humanos, faz com que a pessoa sofra muitíssimo, e devido ao seu processo não sabe avaliar a moralidade dos mesmos.É típico destas pessoas estar continuamente mudando de sacerdote, pois nunca encontram quem os compreenda de forma satisfatória: alguns são demasiado rígidos, outros muito brandos; alguns lhes tratam como a débeis mentais, outros exigem deles heroicos esforços de vontade.

A psicologia atual tende a ignorar o papel que o sacerdote pode exercer nestes casos, e sim opinar que nós, sacerdotes, geralmente pioramos sua situação. Em relação a este ponto particular, se estivéssemos falando de uma neurose do tipo obsessiva que não afeta a consciência moral, um bom psiquiatra será a primeira escolha; mas quando o problema é de ordem moral, o primeiro indicado para estudar o problema deve ser o sacerdote, e se ele vê que a situação é realmente grave, deveria por honestidade profissional, procurar a ajuda de um bom psiquiatra. A solução ideal seria a colaboração entre um sacerdote e um psiquiatra, para que cada um na sua área, possa fornecer soluções adequadas a estas pessoas.

2.- Alguma inclinação ou tendência aos escrúpulos seria uma pessoa que, sem chegar a um comportamento neurótico, tem certa tendência aos escrúpulos, especialmente em alguma área muito específica da moralidade dos atos. Na maioria dos casos, normalmente a respeito dos pecados contra o sexto e o nono mandamento. Este problema geralmente é resolvido com relativa facilidade se for um diretor espiritual apropriado.

3.- Escrúpulos durante um curto período da vidaPessoa totalmente normal a partir deste ponto de vista, mas que durante um período de sua vida relativamente curto, tem escrúpulos. Em muitas ocasiões, geralmente é um “truque” que Deus utiliza para que a pessoa tome uma maior consciência da situação moral de sua vida e mude. Em numerosas ocasiões, Deus se aproveita desses escrúpulos para “remover” a consciência e despertar uma possível vocação ao sacerdócio ou a vida consagrada.Eu tenho encontrado com relativa frequência este tipo de pessoas quando ao longo da minha vida sacerdotal estive em algumas paróquias onde os fiéis acorriam assiduamente ao confessionário e planejavam uma vida espiritual séria.Estes escrúpulos são geralmente temporários, em nenhum momento chegam a neurose, e servem para formar uma consciência mais delicada.Na maioria dos casos ocorrem em pessoas que anteriormente não eram escrupulosas ou até mesmo tinham uma consciência relativamente laxa. Frequente desaparecem de modo quase milagroso depois de terem cumprido sua “função”.

4.- Escrúpulos como uma cruz pessoalE, finalmente, há pessoas que têm uma tendência escrupulosa, sem chegar a ser uma neurose, nem muito menos, se manifestará como uma maneira de ser ou inclinação em direção a eles.É um “modo de ser”, assim como há pessoas que tendem a ser tranquilas e outras a ser impacientes. Deverão suportar como cruz por muitos anos, e às vezes por toda a vida. Na maioria dos casos, é fruto da formação que receberam, mas acima de tudo, porque Deus as fez assim. Como cruz, elas terão que ser pacientes e oferecer essa maneira particular de ser a Deus; assim como todos nós temos que lutar com outras peculiaridades de nosso caráter.

Para o tratamento dos escrúpulos: psicólogo, psiquiatra ou padre?

Hoje, como consequência da perda da fé e da ascensão da psicologia; pouco a pouco esta vem substituindo o sacerdote em uma área que anteriormente era quase que exclusivamente dele.Antigamente, quando uma pessoa ou grupo passava por uma situação traumática, buscava-se o sacerdote, sua ajuda e conselho nesse mau transe. Hoje, já não se conta com o sacerdote, e em primeira mão procura-se um psicólogo. É típico ouvir no noticiário o anúncio de que depois de um atentado com quarenta pessoas afetadas, os serviços sociais buscaram a equipe de psicólogos para ajudar essas pessoas. Para mim, a psicologia — e isto é puramente uma opinião pessoal — é um ramo do conhecimento que tem pouco de ciência, bastante de ignorância e muito de imaginação. Quando uma pessoa vai a um psicólogo, este tende a classificá-la dentro de esquemas pré-estabelecidos estudados na faculdade ou em um livro, e na maioria dos casos acaba por não se encaixar em nenhum deles, porque o espírito humano é muito mais complexo e não pode ser espartilhado nem tão facilmente rotulado.

No caso que estamos a tratar dos escrúpulos de consciência, se a pessoa solicitasse ajuda de um psicólogo, as soluções que pudessem surgir a partir de sua atuação seriam mais o resultado do psicólogo ser uma pessoa centrada e com sentido comum, do que a consequência de um diagnóstico preciso e tratamento adequado que procedesse daquilo que a psicologia possa haver ensinado. Quando o problema de escrúpulos de consciência beira as fronteiras da neurose, eu prefiro antes a ajuda e o conselho de um psiquiatra centrado do que a de um psicólogo.Psiquiatria e psicologia são dois termos semelhantes, mas cujos pontos de partida e métodos de trabalho são totalmente diferentes. E, se não, pergunte-se a um psiquiatra e verá o que ele responde. O psiquiatra é um médico especializado neste ramo da medicina; uma ciência muito complexa e relativamente obscura. O psicólogo, estudou uma carreira, recebeu um título… mas os conteúdos da sua formação, em muitos casos, são mais o resultado de imaginações febris do que descobertas científicas. Os pais da psicologia moderna, Wundt, Freud, Skinner, Piaget, W. James, não poderiam dizer que suas conclusões sejam científicas, nem o resultado de provas experimentais, mas sim o resultado de certas observações pessoais unidas a inúmeros pressupostos ou axiomas que dão como dogmas, mas que não sabem, nem podem justificar.Na verdade, o modo de acesso à mente raramente é o resultado de uma análise química ou de um scanner ou ressonância magnética. Estamos a trabalhar não tanto com o cérebro, quanto com a alma, a qual se serve do cérebro como estrutura anatômica, mas a alma não pode ser reduzida ao cérebro nem muito menos. A alma, como tal, escapa à observação científica e nunca pode ser estudada em um tubo de ensaio.A psicologia moderna tem caído nas redes da psicanálise e do behaviorismo (comportamentalismo), que tendem a reduzir os processos mentais a reações químicas que ocorrem no interior do cérebro (comportamentais) ou a uma soma de complexos da infância (psicanálise).

Para mim — e como já disse antes, esta é uma opinião meramente pessoal — o psicólogo atua hoje como substituto do sacerdote em um mundo que se separou de Deus, que já não crê na alma como uma entidade espiritual, e reduz tudo a matéria. É por isso que dificilmente um psicólogo, que parte destes pressupostos, ou de outros similares, poderá vir a compreender o que acontece dentro de uma mente escrupulosa, e muito menos, oferecer soluções válidas.Por outro lado, uma vez que o problema da pessoa que possui uma consciência escrupulosa é eminentemente espiritual, embora também tenha um componente psicológico, terá que se valer daqueles que Deus colocou como “guias espirituais” para que nos possam ajudar. O que não significa, que, nos casos específicos em que o componente de desequilíbrio psicológico que beire a neurose, o sacerdote procure a ajuda do psiquiatra para que o oriente e também a pessoa que sofre deste problema. 

Buscando uma solução para os escrúpulos

1.- Qualidades que um sacerdote deve reunir. 

Para ajudar uma pessoa com escrúpulos, o sacerdote deve ter qualidades especiais:Não ser ele mesmo escrupuloso, porque se for, agravará ainda mais o problema de quem a ele recorre buscando uma solução.Deve ser uma pessoa humana e espiritualmente centrada. Além disso, Deus concede ao sacerdote o que é chamado de “graça de estado” para que possa ajudar e aconselhar toda pessoa que dele se aproxime.

Deverá conversar o tempo necessário, embora não tanto como o escrupuloso gostaria, para conhecer a pessoa a fundo e ser capaz de ter uma ideia da gravidade do seu caso.

Deverá ser paciente e flexível, mas ao mesmo tempo deverá ser autoritário e firme, não permitindo que seja o escrupuloso quem lidere a conversa nem a solução de seu problema. Na situação de dúvida e confusão em que se encontra o escrupuloso dificilmente vê com clareza o seu problema, por isso deverá confiar no critério de seu confessor

Não deverá se transformar em um psicólogo, nem usar “armas” próprias de um psicólogo. Esta não é a sua missão. Poderá se valer de seus conhecimentos psicológicos e das ciências humanas, mas as suas principais armas serão espirituais.Uma vez que na maioria dos casos a pessoa escrupulosa virá perguntando se algo é ou não pecado, é melhor que atenda a pessoa no confessionário enquanto realiza o sacramento da penitência.Deve dar um dia específico para atender a pessoa, não cedendo às chamadas telefônicas, mensagens de e-mails… Para isso, terá que exigir plena confiança nele.

2.- O que deverá fazer a pessoa com escrúpulos

Primeiro de tudo deverá encontrar um sacerdote de sua confiança, que ao mesmo tempo seja fiel ao seu ministério e melhor ainda se tem certa experiência em lidar com estes problemas.Depois de escolher o sacerdote que considere adequado, deve ser fiel a ele e não ir mudando de um para outro. Na solução do problema a confiança no sacerdote desempenha um papel muito importante; é por isso que, se a pessoa decide por um em particular, deverá ser fiel e ao mesmo tempo obediente às suas inclinações, ainda que não as entenda ou até mesmo discorde delas. Na situação em que se encontra não pode ser juiz, então deverá confiar no sacerdote e seguir as indicações dadas por ele.

Durante a duração deste processo, a sua “consciência” será a do sacerdote. A pessoa escrupulosa deverá deixar-se ser dirigida e orientada humildemente. O sacerdote será responsável diante de Deus pelos conselhos dados à pessoa com escrúpulos.

Espiritualmente deverá tentar crescer na vida espiritual, especialmente naquelas virtudes de que mais careça; como por exemplo a humildade e a confiança em Deus.

Humanamente falando é bom que se distraia com atividades que lhe ocupem a imaginação e o pensamento: a leitura, o esporte, o trabalho; devendo “fugir” do ócio e do tempo em que não está fazendo nada, porque será quando os escrúpulos virão atormentá-lo.

Deverá procurar o sacerdote, não todos os dias, nem quando surgirem dúvidas, ou em qualquer momento, mas quando o sacerdote lhe indicar.nO processo durará mais ou menos, dependendo de vários fatores envolvidos em cada caso particular. Na maioria deles, exceto em casos de neurose obsessiva ou aqueles em que sempre tenderam a ser algo escrupulosos, geralmente são curados dentro de um prazo aceitável. Tudo depende da fidelidade do sacerdote, da docilidade da pessoa escrupulosa; e, claro, da vontade de Deus.

Pe. Lucas Prados

 

 
 
 

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