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FAMÍLIA, FUNDAMENTO DA SALVAÇÃO
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24/06/2005
O Sofrimento
 
Montanha - 03 O Sofrimento
Montanha - 03 O Sofrimento

2ª MONTANHA
O SOFRIMENTO
 
    Depois de percorrermos a cordilheira do perdão, vamos entrar pela segunda, a do sofrimento, da dor aceita com resignação, não como semelhança de castigo, mas como dádiva do Amor de Deus. Ó como não compreendemos o sentido maravilhoso da dor e do sofrimento, seja ele físico, moral ou espiritual. Milhões de pessoas no mundo, julgam que suas dores e seus sofrimentos são castigo de Deus, quando na verdade são é prova da Sua misericórdia infinita, de Seu Amor Supremo.
 
     Existe uma lei divina, e esta Lei deve ser cumprida, mas os homens a quebram todos os dias com seus pecados. Para os pecados, existe uma Justiça que deve ser satisfeita, e ela em princípio – no final da vida – se executa no Purgatório para as faltas leves, e no inferno e na perda eterna para os pecados graves. Então a misericórdia de Deus tem apenas o caminho da dor, do sofrer, para, sem afrontar a liberdade dos homens, leva-los à salvação eterna. Desta forma – por exemplo – um minuto de dor de cabeça, aceito com submissão e sem reclamar – e sem analgésicos – pode significar um dia, um mês, um ano a menos de duro purgatório na eternidade, mais tarde.
 
     Ou seja, o que o analgésico tira de dores nesta vida, o fogo da purificação multiplica em tormentos e prantos na eternidade. E o que a reclamação das dores transfere de carga e cruzes para outros aqui, os gritos, gemidos e lamentos as sufocarão na hora da justiça reparadora. Sim, a rejeição da Cruz, pode até ser a causa da perda de milhares de almas! O que disse Jesus: quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e me siga!
 
     Outra observação nos vem clara de São Paulo quando fala do “espinho na carne”. O que pude verificar é que, praticamente não existe uma só pessoa na terra, que não tendo qualquer tipo de dor, de sofrimento, de angustia, mantenha-se ligada em Deus. Quero dizer, quanto mais longe da dor, mais longe os homens ficam de Deus. Somente quando a dor, a doença, o sofrimento e o mal afligem ao ser humano, também a proximidade da morte é que ele tende mais fácil a buscar o alívio sob a proteção divina. Na verdade, sem a dor, e sem a privação do emprego, do salário, e de tantas outras coisas que afligem ao homem moderno, ele muito facilmente tende a não se lembrar que precisa de Deus. Entretanto, quando a doença ou a privação bate em sua porta, ele fatalmente buscará Nele o alívio para suas dores.
 
     E percebo então, claramente que, para as pessoas serem produtivas para o Reino, elas precisam destes “espinhos na carne”, como diz São Paulo, para que não se ensoberbeçam, antes para que se humilhem e se liguem cada vez mais no Onipotente. Ou seja, é somente pela dor que a maioria dos homens se verga e se submete ao primado de Deus. O exemplo nos vem de muitos doentes que, mesmo sendo hereges e ateus enquanto tudo estava bem, mal são atingidos pela doença mortal, ou que, vendo a morte às suas portas, e até mesmo pela morte em família, voltam os olhos para Deus e repensam suas atitudes e mudam suas vidas. Ou seja: em vida não querem saber de padres e da Igreja, mas ao se verem as portas da morte mandam rapidamente chamar um padre!
 
     Muitos também me perguntam: Por que os bons, os que rezam, são os que mais sofrem? Porque são os mais amados de Deus! Dor, quem inflige nas pessoas é o diabo, mas ao permiti-las a alguém, o Pai lhes abre o caminho da salvação, e a todos Deus da esta chance e oferece esta vantagem. Os fracos a rejeitam, os fortes a apreciam. Não com o sentimento de que Deus é sádico e cruel, mas porque elas sabem e sentem que a dor é uma forma de correção e aceitam a dor, não somente para si, mas para a salvação de muitos. Dificilmente os que não sofrem nada são fiéis até o fim. Tomem a história, e observem o próprio rei Davi, tão amado de Deus, e também seu filho Salomão, a quem Deus deu tudo, palácios, templos, reinos,
derrota dos adversários, saúde, esposas, filhos, tudo. Mas por falta de dores, mesmo tendo tudo em riquezas e em poder, eles acabaram traindo a Deus, justo eles que O viam e conversavam com Ele.
 
     Por outro lado, vemos criaturas fenomenais, como Frei Pio e tantos outros verdadeiros mártires, verdadeiras chagas vivas, que tiveram dilúvios de sofrimentos, de perseguições e dores, de todos os tamanhos e quilates, dia e noite, sejam eles físicos, também morais e espirituais. Mas olhem a imensa produção espiritual deles para a Glória. Eles infligiram ao diabo tantas e tão fragorosas derrotas, que o inferno treme de medo só ao ouvir o nome destes santos. E certamente que, se eles não tivessem estas dores todas, estas perseguições tão exacerbadas, jamais eles produziriam tanto. Bendito, pois, o Deus que trabalha tão sabiamente esta perfeita engenharia de salvação dos homens e que suscita estas almas vítimas e expiadoras, que com as suas dores salvam o mundo.
 
     Se nos fosse dado conhecer e sentir na pele, apenas uma centelha das dores já vividas por nossos santos e santas, pelos mártires do Império Romano e pelo outros mártires de todos os tempos passados, certamente que sucumbiríamos em meio a dores horríveis. Deixar-se queimar vivo, por amor a Deus! Deixar-se esmagar na perseguição, por amor a Deus! Ter seu corpo inteiro como uma chaga viva, inteiro, e não aceitar nem uma cama para descansar o corpo, mas ficar deitado numa taboa, dia e noite, por amor a Jesus, e isso sem reclamar, mas sempre, dia e noite, cantando hinos de amor e de louvor a Deus, tudo isso nos esmaga e aniquila, no momento em que reclamamos de uma simples dor de cabeça, de um corte no dedo, de uma batida na canela, igualmente das incompreensões, das não aceitações e de mil outras coisas pequeninas. 
 
    Dou o exemplo de Santa Serafina! Ela nasceu numa cidade da Itália, onde há mais de 200 anos as famílias que se odiavam, viviam em luta tentando, cada uma, construir a torre mais alta para mostrar sue força e poder. E nada os demovia desta idéia e deste ódio. Então nasceu esta santinha. Ela, aos dez anos, contraiu uma doença rara, que transformou seu corpo inteiro em uma chaga viva, da cabeça aos pés. E sem aceitar qualquer tipo de tratamento, ela exigiu para si uma cama de taboas, onde permaneceu por cinco anos, cantando e louvando a Deus, dia e noite, Lhe agradecendo pelo dom da vida. E tal foi a comoção que isso causou na cidade, que as famílias começaram a vista-la, e em pouco tempo haviam cessado as construções e acabou-se aquela guerra insana.
 
     E uma pergunta que podemos nos fazer neste momento é: acaso sabemos enfrentar e aceitar a dor, sem reclamar, sem xingar contra Deus, ou sem querer dividi-la com os outros, ou pior, sem querer transferi-la completamente para os que nos amam? Penso que pouquíssimas pessoas na face da terra podem fazer-se esta pergunta e responder sim e eu não me incluo entre estas. Pois para me testar nisto, tempos atrás, quando meditava na Paixão de Jesus e nos sofrimentos que Ele teve na Cruz, também sobre as pavorosas chagas que meus pecados Lhe haviam infligido, pedi a Ele que me fizesse experimentar uma de suas chagas. Penso que fiz isso sem bem compreender, sem me dar conta do alcance daquilo que tinha pedido, entretanto, por três dias seguidos aquele sentimento de busca desta chaga, me vinha sempre à mente, de forma incontrolável.
 
     E aconteceu que, no terceiro dia, tive que subir no telhado de minha casa para ali arrumar algumas telhas que o vento derrubara. Antes de subir, deixei sobre a calçada uma enxada bem afiada, com a qual havia aparado as beiradas da grama. Ela estava com o corte virado para cima. Eu tinha plena confiança nas madeiras – ripas – que colocara na casa e por isso desci pela beira do telhado – uns três metros de altura – tirando as telhas fora de ordem, para depois começar de baixo, arrumando tudo. Mas eis que, ao pisar numa das ripas, ela se partiu como um raio. E num reflexo instantâneo levei a mão esquerda na segunda ripa acima, mergulhando pelo f
uro aberto. Então, com a mão presa na ripa superior, meu antebraço encostou-se à de baixo, de forma que esta alavanca me rasgou um corte de uns 15 centímetros na borda afiada da ripa, arrancando toda a pele até os músculos e tendões e abrindo uma chaga de uns dois centímetros de largura. 
 
     Não conseguindo ficar pendurado, larguei a mão em vista da imensa dor, despenquei daquela altura, justamente sobre a enxada. Milagrosamente, caí de bruços sobre ela, sem levar um único arranhão. Tenho certeza de que bati com o peito no chão, e foi como se um anjo tivesse tirado a enxada no momento da queda e depois a posto no lugar, porque quando dei por mim, eu estava apoiado com os joelhos e mãos no chão, e a enxada bem sob o meu peito. Impossível, incrível, mas aconteceu. Aquela ferramenta cortante, bem me poderia ter aberto um rasgão no peito, entretanto nem um só arranhão me fez.
 
     Quando me dei conta da situação, minha mente explodiu num sentimento: a chaga! Eis aí a chaga que eu pedira a Jesus! A dor lancinante do rasgão no antebraço, não me deixava nem respirar, até porque eu batera com a barriga no chão, e isso dificultava o ato de respirar. E num esforço supremo, tentei não fazer nem cara feia, pois está dito que Jesus era açoitado e não movia sequer um músculo da face. Tentei não gritar e não gritei, mas foi impossível conservar na face a serenidade, assim como fez Jesus, sem mover nenhum músculo! Era impossível! E um suor intenso e frio começou a me escorrer por todo o corpo e comecei a sentir vertigens e passar mal. O sangue escorria pelo braço abaixo num grosso filete e isso aumentou ainda mais minha comoção, até porque não consigo ver correr sangue sem ficar ruim.  
 
     Não sentei, não gritei, não chorei, não reclamei, apenas cerrei os dentes e agradeci a Jesus. Eu sabia não ser digno daquela dor, e durante muitos dias pude continuar meditando na Paixão e nos Seus sofrimentos. Não fui ao médico dar pontos, porque queria que a marca ficasse ali profunda, para me lembrar sempre daquela passagem. Não coloquei nenhum medicamento em cima, apenas lavei o sangue deixei sarar assim. Também, durante quase um mês, procurei usar sempre camisas de manga comprida para que ninguém visse e sequer mostrei para minha esposa. Somente um de meus filhos viu por acaso, mais ninguém, e somente mais tarde quando já estava cicatrizado lhes contei o fato. Afinal, se eu pedira a experiência, deveria levar até o fim.
 
     Óbvio que não consegui encarar este desafio com a mesma fortaleza de Jesus. Óbvio que foi a proteção divina que tirou a enxada debaixo de mim. Óbvio que Deus queria apenas me fazer experimentar uma pequenina centelha do sofrimento de Jesus, até porque, em minha fraqueza, eu teria sucumbido se recebesse toda a extensão de uma chaga completa, ou se a enxada me abrisse um rombo no peito. Mas foi certamente uma experiência gratificante, até porque, a cada pequena dor que sinto, basta olhar para meu braço e tenho ali a marca, porque até alguns tendões se romperam, e ao sarar ficou meio defeituoso. Deus seja louvado por esta duríssima experiência, que não relato aqui para engrandecimento pessoal, apenas porque ela ilustra com certeza, aquilo que quero levar a todos: A maravilhosa arquitetura de salvação de Deus, conseguida pela Cruz. 
    
     Eis então que a cordilheira da dor, a cruz do dia a dia, é uma das coisas mais difíceis de transpor, sem reclamar. Vejo que as pessoas são compulsivas em reclamar de seus sofrimentos, de reclamar das perseguições, das batalhas perdidas, da família que não se converte e as angustias pelo casamento desfeito, da família destruída, dos filhos doentes, dos maridos que bebem, das filhas que não obedecem, da família que não reza, enfim, de mil e um tipos de sofrimento, como as perseguições, as calúnias, os ataques e toda as incompreensões. Entretanto, muitas pessoas destas rezam, mas ao reclamarem da sua cruz, em grande parte se perde o direito à graça, até porque ao revelar aos outros o tamanho de própria cruz, elas estão dividin
do com o outro, seu infortúnio e... suas graças! E ainda, risco maior, é já receber a consolação do mundo e perder assim toda a graça que lhe seria destinada.
 
     Na verdade, a dor derruba a pessoa de seu pedestal. Ela nos faz ver a nossa condição mortal e incapaz. Ela nos lembra de Deus – fortaleza suprema – e nos faz buscar a Ele nos momentos de dificuldade. O sofrimento é afinal obra prima da engenharia salvadora, porque prova o supremo Poder de Deus sobre o Inferno. É que Deus permite ao diabo que nos aflija pela dor, pela tentação, por mil artifícios diferentes, entretanto, se o inferno faz isso para nos ver blasfemar contra o Criador, na verdade só nos faz caminhar ainda mais para Deus. De fato, são poucos os que buscam alivio junto ao inferno. E se o fazem é apenas por um tempo, até descobrirem que o demônio nada lhes pode dar de bom, até porque ele é a dor personificada e o reflexo maior do sofrimento eterno.
 
     Na verdade, Deus permite ao diabo que nos aflija, mas apenas na medida certa para cada um. Deus lhe impõe limites claros e ele obedece. E tal será que, quando a final desta imensa guerra pelas almas acabar, quando o inferno lançar um olhar sobre a sua obra nestes milênios, perceberá estarrecido que foi na verdade o maior colaborador de Deus. E verá que somente contribuiu para aumentar a alegria dos justos. Sem dúvida este será o tormento eterno de Lúcifer e seus comandados: ver continuamente diante de seus olhos a alegria dos eleitos diante de Deus, justo aqueles que eles tentaram induzir a revoltar-se contra o Criador! E saberão que tudo o que fizeram, foi nos fazer chegar ainda mais próximos do trono do Altíssimo e mais felizes. Eis ai seu tormento, seu desespero eterno!
 
     É difícil sim, aceitar o sofrimento! É difícil, sim, aceitar a Cruz sem reclamar! Mas será muito mais difícil depois passar dias, meses, décadas ou até séculos no Purgatório, quando teria sido tão fácil aceitar as dores que Deus nos enviou sem reclamar, aqui em vida. E sempre, ao nosso lado, para nos ajudar e fortalecer, poderemos ir vendo nossos irmãos que sofrem ainda mais, e sempre, à nossa frente, poderemos ter a lembrança da Cruz de Jesus, das Suas chagas vivas e Suas dores infinitas, a nos lembrar que esta é a única forma que Deus tem para nos salvar, e nos atrair para Ele.
 
      De fato, se as pessoas que não sofrem, que não têm nenhum tipo de dor, de angustia e de sofrimento, por mínimo que seja, vissem nisso uma prova da bondade infinita de Deus e justo por isso mais O amassem, com mais vigor e garra O buscassem, com mais amor e profunda reverência O adorassem, imediatamente sumiriam todas as dores da terra, e a partir dali ninguém mais sofreria o mínimo tormento, seja físico seja espiritual, de modo que num relance a terra se converteria num paraíso! Sim, me encontrem este homem, esta mulher de tamanha fé, de tamanho ardor, de tamanho amor, e terão achado a mais rara de todas as criaturas. Terão achado uma outra Maria! Só ela – totalmente humana – chegou a este ponto, não porque não tivesse sofrido, mas porque não precisando sofrer, aceitou ser vítima reparadora junto com seu divino Filho Jesus. 
 
     Enfim, lutemos pelo Novo Reino que vem! Ele está próximo! Ali não haverá mais dor, nem pranto, nem mesmo a morte, porque terá desaparecido da terra todo o pecado. Só ele é a causa da dor e do sofrer! Não lamente, pois, o fim desta terra que se fez maldita porque rejeita a Cruz, e que se vai. O Reino dos filhos de Deus vem ai! Sem sofrimento!
 
     Mas para chegar lá, teremos que escalar o último “Everest”, a mais terrível das dores que jamais uma criatura viva poderá passar: a dor do Aviso de Deus! Mas será curta e será salutar! Ela virá apenas para o nosso bem e a salvação de nossas almas!
 
O fim dos sofrimentos está próximo!
Alegremo-nos!
 
Aarão!


 
 
 

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