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FAMÍLIA, FUNDAMENTO DA SALVAÇÃO
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02/05/2013
Maria Medianeira
 
Maria - Maria Medianeira
2/5/2013 17:03:29

Maria - Maria Medianeira


                                                  MARIA MEDIADORA

Fr. Garrigou-Lagrange, O.P. - Tradução: Carlos Wolkartt



Maria como mediadora e  dispensadora de todas as graças.



Fontes: Christifidei e www.mariamaedaigreja.net - http://www.derradeirasgracas.com/



Há muitos iludidos que pretendem alcançar a união com Deus sem recorrer constantemente a Nosso Senhor que é o caminho, a verdade e a vida. Outro erro seria querer chegar a Nosso Senhor sem passar por Maria, a quem a Igreja chama, em uma festa especial, Mediadora de todas as graças. Os protestantes caíram nesse erro. Sem chegar a esse ponto, há católicos que não compreendem a necessidade de recorrer a Maria para conseguir a intimidade com o Salvador. São Luís Maria Grignion de Montfort fala também de “Doutores que não conhecem a Mãe de Deus, senão de uma maneira especulativa, árida, estéril e indiferente; que temem abusar da devoção à Santíssima Virgem, fazer injúria a Nosso Senhor honrando demasiado a sua Santíssima Mãe. Se falam da devoção a Maria, não é tanto para recomendá-la como para reprovar os exageros”; dão a impressão de crer que Maria é um impedimento para conseguir a união com Deus.



Consiste, diz o Santo, em uma grande falta de humildade menosprezar os mediadores que Deus nos oferece, tendo em conta nossa debilidade. A intimidade com Nosso Senhor torna-se muito mais fácil mediante uma verdadeira e profunda devoção a Maria.



Para formarmos uma ideia exata desta devoção, veremos o que se entende por mediação universal e como Maria é a medianeira de todas as graças, conforme afirma a Tradição, o Ofício e a Missa de Maria Mediadora que é rezada no dia 31 de maio. Muito se escreve sobre o assunto nesses últimos tempos; consideraremos essa doutrina em suas relações com a vida interior.



Que é mediação universal?



“Ao ofício de mediador, diz São Tomás (Summ. Theol. III-26-1), corresponde o aproximar e unir àqueles entre quem exerce tal ofício; porque os extremos se unem por um intermediário. Pois bem, unir os homens a Deus é próprio de Jesus Cristo que os reconciliou com o Pai, segundo as palavras de São Paulo (II Cor. V, 19): ‘Deus reconciliou o mundo consigo mesmo em Jesus Cristo’. Por isso, só Jesus Cristo é o perfeito mediador entre Deus e os homens, quando por sua morte reconciliou com Deus o gênero humano. Igualmente, depois de dizer São Paulo: ‘Um só é o mediador entre Deus e os homens’, Cristo Jesus feito homem continua: ‘que se entregou como vítima por todos’. Nada impede, contudo, que, em certo modo, outros sejam chamados mediadores entre Deus e os homens, enquanto cooperam à união dos homens com Deus, como gestores ou ministros”.



Neste sentido, acrescenta Santo Tomás, os profetas e sacerdotes do Antigo Testamento podem chamar-se mediadores; e mesmo os sacerdotes da nova Aliança, como ministros do verdadeiro mediador.



“Jesus Cristo, continua o Santo (Summ. Theol. III-26-2), é mediador enquanto homem; porque enquanto homem é como se encontra entre os dois extremos: inferior a Deus por natureza, superior aos homens pela dignidade de sua graça e de sua glória. Além disso, como homem uniu os homens a Deus ensinando-lhes seus preceitos e dons, e satisfazendo por eles”. Jesus satisfez como homem, mediante uma satisfação e um mérito que de sua personalidade divina recebeu infinito valor. Estamos, pois, diante de uma dupla mediação, descendente e ascendente, que consistiu em trazer aos homens a luz e a graça de Deus, e em oferecer-Lhe, em favor dos homens, o culto e a reparação que Lhe eram devidos.



Nada impede, pois, que, como acabamos de dizer, haja outros mediadores secundários, como o foram os profetas e os sacerdotes da antiga Lei para o povo escolhido. Por isso podemos nos perguntar se não será Maria a mediadora universal para todos os homens e para a distribuição de todas e cada uma das graças. Santo Alberto Magno fala da mediação de Maria como superior a dos profetas, quando diz: “Maria foi eleita pelo Senhor, não como ministra, mas para ser associada de um modo especialíssimo e muito íntimo à obra da redenção do gênero humano”.



Não é Maria, em sua qualidade de Mãe de Deus, naturalmente designada para ser mediadora universal? Não é realmente intermediária entre Deus e os homens? Sem dúvida, por ser uma criatura, é inferior a Deus e a Jesus Cristo; porém está, por sua vez, acima de todos os homens em razão de sua maternidade divina, “que a coloca nas fronteiras da divindade” (Caetano), e pela plenitude da graça recebida no instante de sua concepção imaculada, plenitude que não cessou de aumentar até sua dormição.



E não somente por sua maternidade divina era Maria a designada para esta função de mediadora, senão que a recebeu e exerceu de fato.



Isto é o que nos demonstra a Tradição, que lhe outorgou o título de Mediadora Universal, embora subordinada a Cristo; título por demais consagrado pela festa especial que se celebra na Igreja universal.



Para bem compreender o sentido e o alcance desse título, consideremos que lhe convém a Maria por duas razões principais: primeiro, por haver ela cooperado, pela satisfação e os méritos, ao sacrifício da Cruz; segundo, porque não cessa de interceder em nosso favor e de obter-nos e distribuir-nos todas as graças que recebemos do céu.



Tal é a dupla mediação, ascendente e descendente, que devemos considerar, para dela aproveitarmos sem cessar.



Maria nos obtém e nos distribui todas as graças



É esta uma doutrina certa da Mãe de todos os homens: como Mãe, se interessa por sua salvação, roga por eles e lhes consegue as graças que recebem.



No Ave, Maris Stella, canta-se:



Solve vincla reis,



Profer lumen coecis,



mala nostra pelle,



bona cuncta posce.



As prisões aos réus desata.



E a nós cegos alumia;



De tudo que nos maltrata,



Nos livra, o bem nos granjeia.



Leão XIII, numa Encíclica sobre o Rosário, diz: “Por expressa vontade de Deus, nenhum bem nos é concedido se não é por Maria; e como nada pode chegar ao Pai senão pelo Filho, assim geralmente nada pode chegar a Jesus senão por Maria”.



A Igreja, de fato, se dirige a Maria para conseguir graças de toda sorte, tanto temporais como espirituais, e, entre estas últimas, desde a graça da conversão até a da perseverança final, sem excluir as necessárias às virgens para guardar sua virgindade, aos apóstolos para exercer seu apostolado, aos mártires para permanecer invictos na fé. Por isso, nas Litanias Lauretanas, universalmente rezadas na Igreja há muito tempo, Maria é chamada: “saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos, rainha dos apóstolos, dos mártires, dos confessores e das virgens”. Sua mão é a dispensadora de toda sorte de graças, e até mesmo, em certo sentido, da graça dos sacramentos, porque ela nos mereceu em união com Nosso Senhor no Calvário, e nos dispõe, também com sua oração, a aproximarmo-nos desses sacramentos e a recebê-los convenientemente; ás vezes até nos envia o sacerdote, sem o qual essa ajuda sacramental não nos seria outorgada.



Enfim, não só toda espécie de graça nos é distribuída pela mão de Maria, senão cada graça em particular. Não é outra coisa o que a fé da Igreja declara nestas palavras da Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”. Esse “agora” é repetido, a cada minuto, na igreja por milhares de fiéis que pedem desta maneira a graça do presente momento; e esta é a mais particular de todas as graças, pois varia em relação a cada um de nós e para cada um a cada minuto. Embora estejamos distraídos ao pronunciar essas palavras, Maria, que não o está, e conhece nossas necessidades espirituais de cada momento, roga por nós e nos obtém as graças que recebemos.



Tal ensinamento, contido na fé da Igreja e expressado pela oração coletiva (lex orandi, lex credendi), está fundamentado na Escritura e na Tradição. Com efeito, já em sua vida sobre a terra, Maria aparece na Escritura como distribuidora de graças. Por ela, Jesus santifica o Precursor [São João Batista], quando visita sua prima Santa Isabel e entoa o Magnificat. Por ela, Jesus confirma a fé dos discípulos de Caná, concedendo o milagre que pedia. Por ela, fortaleceu a fé de João no Calvário, dizendo-lhe: “Filho, eis aí a tua mãe”. Por ela, enfim, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, já que Maria orava com eles no Cenáculo no dia de Pentecostes, quando o Divino Espírito desceu em forma de línguas de fogo.



Com maior razão, depois da Assunção, desde sua entrada na glória, a Santíssima Virgem Maria é a distribuidora de todas as graças. Como uma Mãe bem aventurada, conhece no céu as necessidades espirituais de todos os homens; e como é Mãe mui terna, roga por seus filhos; e como exerce poder omnímodo sobre o coração de seu Filho, nos obtém todas as graças que chegam à nossas almas e as que se dão aos que não se obstinam no mal. Maria é como o aqueduto das graças e, no corpo místico, em forma de pescoço que junta a cabeça aos membros.



A essa altura, já se compreende quão necessário é fazer com frequência a oração dos mediadores, isto é, começar esta conversa filial e confiada com Maria, para que nos conduza à intimidade de seu Filho, e a fim de elevar-nos logo, mediante a santíssima alma do Salvador, à união com Deus, já que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.



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OBS> Considero estes escritos sobre Maria como verdadeiras obras de arte, embora entenda também que, por mais que nos esforcemos, jamais conseguiremos descrever o que significa e aimportância de Maria para a história de nossa salvação. Isso porque o vínculo dela com seu Filho Jesus é de natureza inquebrantável, e sua proximidade com Deus é tão grande, que jamais outra criatura haverá de chegar tão perto, porque é literalmente impossível a um ser de carne, evoluir para além deste limite de humildade. Maria atingiu o máximo que alguém pode atingir.



Entretanto, mesmo assim, a diferença entre ela e seu Filho é quase infinita, porque ela pode até ser tida como a Onipotência Suplicante, mas jamais ascenderá a um plano além dos pés de Deus. Mas exatamente aqui é que se esconde um mistério, quando falamos da Mulher do Gênesis e do Apocalipse: falo da batalha dela contra o Dragão! Por qual motivo Deus mesmo não extingue os demônios, aniquila o inferno, e expulsa Lúcifer? Porque isso Ele poderia fazer com um mísero sopro, melhor, faria isso apenas se “esquecendo” que o inferno existe, tal é seu poder, verdadeiramente infinito.



Assim, quis Deus que fosse uma criatura Aquela escolhida para liderar a descendência de Eva, em sua vitória contra o tenebroso e orgulhoso dragão. Maria a mais humilde de todas as filhas de Deus – exato motivo pelo qual ela está tão próxima Dele – deverá esmagar a cabeça do inimigo, não pela força que ela dispõe e tem de si mesma, mas pelas graças que derrama sobre toda a humanidade, uma vez que ela é o canal por onde todas as graças chegam até Jesus. E isso lhe advém em parte por mérito pessoal e por graça e dom concedido pelo Altíssimo, e isso passa pelo seu Sangue.



De fato, tendo Jesus remido a humanidade por Seu Sangue derramado na Cruz, não se pode negar que este sangue lhe foi dado por Maria. Não somente isso, existe uma ordem expressa da Divina Vontade que lhe confere o império – e naturalmente a dispensação – de todas as graças que salvam, eis que Deus, para o momento mais extraordinário da história da salvação, o da encarnação do Verbo, colocou na boca do anjo estas palavras: Tu és cheia de graças. O Senhor é contigo!



Ora, esta palavra “cheia” indica plenitude, e não somente isso, como indica a totalidade das graças, que fluem através do Coração Imaculado de Maria, coração que bombeou por nove meses seu próprio sangue humano, para o Filho Homem e Redentor. O Senhor é contigo, implica em que o próprio Deus está nela, eis o motivo pelo qual Maria jamais cometeu um só erro, nem um só pecado, por mínimo que fosse, porque o Deus que a rege, não pode errar. Que mais se precisaria dizer sobre esta maravilhosa Mulher?



Qual foi a palavra que ela deixou aos pastorzinhos em Fátima: No fim, o meu Imaculado Coração triunfará! Ela não disse nem “eu triunfarei” nem disse “meu sangue triunfará”, mas sim o meu Coração Imaculado, na verdade coração de Mãe. Naturalmente que Maria não pode ir ao Pai, sem ser através de Jesus. Mas divido a esta ligação inquebrantável que existe entre e Mãe e o Filho Redentor, do mesmo modo, ninguém pode chegar até Jesus, se não for por meio de Maria, por mérito de Maria, por graça e mercê de Maria Santíssima.



Assim, a Santa Igreja Católica, da qual Maria é Mãe, é apenas, digamos, o “armazém” das graças que salvam, e Maria é a dispensadora de todas elas sem exceção. De fato, Deus nos concedeu a imensa graça dos intercessores – sem os quais a maioria dos homens se perderia – pelo extraordinário mistério da Comunhão dos Santos. Mas mesmo sendo os santos e as almas os nossos intercessores, e mesmo sendo a Igreja este armazém das graças que brotam de todas as boas ações, sofrimentos e dores oferecidas em sufrágio das almas, também das orações de toda a Igreja – militante, padecente e glorificada – ainda assim, nada flui sem Maria. Nada chega até Jesus, sem passar pelo Coração de Maria.



E aqui chego no ponto final deste comentário: o Dogma da Medianeira e Corredentora! Um dogma que ainda não foi promulgado pelo Papa, mas que em breve o será. De fato, aqui se esconde um dos mais espantosos mistérios da história da salvação, e ele passa por aquela palavra de Jesus: Tudo o que ligares na terra, será ligado no Céu! Desde séculos se trava na Igreja uma intensa batalha em torno dos bons que defendem a Mediação de Maria, e aqueles maus que a combatem com fúria exaltada. E por que combatem? Porque o demônio, o inimigo maior da Mulher Maria, sabe muito bem que, se a Igreja ligar na terra este Dogma, num tempo que pode ser fulminante, ele será derrotado.



Infelizmente os bons Cardeais, bons Bispos e bons padres não percebem o alcance desta verdade e por isso tudo fica emperrado. A Igreja Santa acredita na mediação de Maria, o povo humilde se vale desta mediação até Jesus, mas isso ainda não foi ligado oficialmente na terra. E isso como que obstrui o canal de graças, que encontram inúmeras barreiras antes de chegar ao torno do Altíssimo. Algo que, tão logo for desobstruído, levará ao triunfo de Maria, da Mulher e sua geração, os filhos e filhas de todos os tempos, e poderá ser fulminante.



Positivamente eu creio que, todos os papas, especialmente aqueles após o Concílio Vaticano II, onde esta mediação já foi aprovada por votação – embora por diferença mínima – na realidade gostariam de ter promulgado este último Dogma, entretanto as forças do mal, que estão encasteladas dentro da Igreja, lutam furiosamente para impedir que isso aconteça, até sob a pífia alegação de que isso dificulta nossa união com as seitas. Que tristeza! Que desgraça!



Ora, e que temos nós a ver com as seitas? Que têm elas a ver com nós? NADA! Então nossa Igreja católica tem toda a obrigação de caminhar soberana empunhando a verdade, da qual é guardiã única, sem se preocupar com as outras denominações. Em cima e em torno desta verdade, a Igreja não pode abdicar de sequer uma letra, quanto mais de tão espantoso mistério como este. Isso tem que vir, e virá! E virá, e não demora! E virá quer queiram as seitas ou não, quer impeça o diabo ou não!



Quem quiser duvidar é livre, mas marque na agenda o que acontecerá ao mundo, a partir do momento em que o Santo Padre anunciar ao mundo este Dogma. Em pouco tempo o império do mal estará sepultado nas trevas, sem deixar vestígio! (Aarão)



 
 
 

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