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FAMÍLIA, FUNDAMENTO DA SALVAÇÃO
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04/05/2006
A Santa Missa (1)
 
Eucaristia - 09 A Santa Missa (1)
Eucaristia - 09 A Santa Missa (1)

2030623 A SANTA MISSA (1)
 
     No texto anterior, sob o mesmo título, procuramos dar ao leitor, um arcabouço, uma idéia do poder, da força expiadora do Santíssimo Sacramento do altar. Creio que, depois disso, ficará mais fácil entender agora os detalhes da liturgia da Missa, para que fique mais claro o que é humano e o que é mistério insondável nesta maravilhosa celebração. A parte humana, e visível, é representada pelo sacerdote, pela assembléia dos fiéis presentes, e por todos os utensílios que se usa na celebração.
 
    A parte misteriosa, e que fica invisível, é constituída não somente pela presença de milhares de seres celestiais, em adoração profunda, pois cientes do mistério, mas especialmente pela presença de Jesus, o Sumo Sacerdote, que está ali celebrando, e isso em todas as Missas da terra. Eis aí o mistério da sua força arrasadora, a maior fortaleza do Universo. E presença de Deus vivo, não só nas espécies consagradas, mas vivo e real, como sacerdote e celebrante maior.
 
     Também creio que foi possível entender que a Missa não termina, mas se perpetua através dos minutos, pois nunca acaba. E para nós, o simples desejo de ir para a Igreja, já movimenta todo o Céu, os anjos que nos acompanham e os santos que nos aguardam silenciosos e orantes, no recinto sagrado. Também Nossa Senhora está ali presente ao pé do altar, pois ela não perde uma única Santa Missa. E assim também acontece com a presença do santo do dia.  Ou seja, por uma força de Deus, o céu inteiro se faz presente em cada celebração, e por estar invisível, faz parte do mistério da Missa. Bastaria, então, que todos estivéssemos dignamente preparados – mais que todos o sacerdote – para que se consumasse uma união profícua e salutar, capaz de dar a ela um poder de remissão infinito. De fato, ali está a maior fortaleza da terra. É somente por causa dela que Deus ainda não destruiu o mundo. E como se consuma este supremo ato de amor? Leia com toda a atenção cada parágrafo, medite profundamente, e se você entender, a sua idéia sobre a Missa irá mudar completamente.
 
    O que É a Missa? Missa é alma, é espírito, é mente, é coração, é amor. Missa é sofrimento, é dor, é morte e Paixão, mas é também ressurreição e vida. Missa é fazer, não somente o nosso coração pulsar com o de Cristo, mas também estar com Ele pregado na Cruz. Missa é partilha do Pão da Vida e é a Vida de Cristo partilhada. Missa é sacrifício e imolação. Missa é mistério de Fé e caminho seguro de Vida Eterna!
 
    O que NÃO É a Missa? Missa não é abraço, nem palmas, nem confraternizações! Missa não é nada de exterioridades, nem roupas indecentes, nem desconcentrações! Missa não é uma rotina, nem obrigação irada. Missa não é teatro, nem é representação, nem aparência externa, nem faz de conta. Missa não é banquete festivo, não é quebra do Rito, nem supressão da Liturgia Sagrada, porque não é simples celebração profana. Missa não é sinal apenas, mas realidade perfeita, e caminho seguro de salvação eterna.
 
      Eis então, em resumo, a Santa Missa, parte a parte, tendo por base a Santa Missa de Frei Pio. Lembre-se: cada gesto do sacerdote, de ofertar, elevar, de mostrar, de expor, de ajoelhar-se e persignar-se, assim como cada uma das palavras que pronuncia, tem um profundo sentido de sacrifício, de oferta, de entrega e de imolação. É, portanto, intrinsecamente, cerimônia um pouco triste e não pode ser diferente, porque ninguém pode ficar feliz diante de alguém que está sendo pregado numa Cruz. Tudo o que retira da Missa o sentido de sacrifício, elimina dela o Mistério da fé, porque banaliza o Sagrado e desvirtua o Sublime.
 
      A Santa Missa é dividida em diversas partes. Falamos da Missa dominical, completa, porque nas Missas semanais – tempo ferial – algumas partes são suprimidas. A Igreja sabe o que faz. A
ssim, a primeira parte da Missa refere-se aos:
 
Ritos iniciais: Toda a celebração exige uma perfeita preparação de todo o ambiente, aí incluso a parte externa, os utensílios sagrados, as espécies de pão e o vinho a serem consagrados, para que tudo esteja à mão, no momento oportuno. Tudo muito limpo, especial, para ser digno do Rei da Glória que estará presente. Jesus teve o maior cuidado, com cada detalhe, quando instituiu a Eucaristia, e isso fica muito claro nas revelações à mística Ana Catarina Emmerich. Tudo foi providenciado com perfeição para que os resultados fossem ótimos. E assim, também nós devemos fazer, sempre em clima de profundo recolhimento interior. Não de tristeza, mas de alegria santa.
 
A assembléia: Para formar com os santos e anjos presentes uma só unidade com Cristo, todos os fiéis devem estar dignamente preparados interiormente, predispondo-se a obter o máximo em graças desta celebração santa. Devemos, pois, afastar de nós os pensamentos exteriores e adentrarmos em nossa alma. Uma forma de se preparar, junto com todos, a fim de criar um clima perfeito, é certamente desfilar os mistérios do Rosário, enquanto se aguarda a entrada do sacerdote. Isso evita os tantos murmúrios, cochichos, e profanações que normalmente acontecem em muitos lugares. Além do que, afugenta os demônios, que odeiam a Missa e fazem de tudo para distrair as pessoas.
 
Paramentos: Quando o sacerdote veste os paramentos sagrados, reveste-se com Cristo do sacerdócio pleno e assume uma dignidade ímpar na terra, pois passa a ser o homem mais poderoso que existe. De fato, nem reis, nem príncipes, nem presidentes de países, ou generais de exércitos, são tão importantes como os sacerdotes católicos. Sem eles, não existe Eucaristia. Sem a Eucaristia, não ha vida na terra.
 
Preparação interior: Deve o sacerdote, pois, para completar uma perfeita unidade com Cristo, estar não só digna e regiamente paramentado, mas principalmente, isento de pecados, e com a alma pura, senão perdem-se infindáveis graças, certamente. Todo sacerdote deveria, para bem celebrar, no mínimo ficar uma hora antes da Missa, em adoração e preparação interior. Até mesmo junto a uma equipe de intercessão.
 
A preparação de Frei Pio: Ele acordava às 2:30 horas da manhã, para ficar em adoração profunda até as 5:00 horas quando celebrava. São suas estas frases: “Meu filho, na Cruz, nós estamos sempre”. “A minha vida não é outra coisa senão passar do Altar do Sacrifício, para a ara dos holocaustos”. “A (minha) Missa, meu filho, não é senão a agonia de Jesus na Cruz”. Padre Pio, era um todo só: corpo e mente, alma e espírito, totalmente mergulhado na Paixão de Cristo. Ele, na sua Missa, passava inteiro do Getsemani ao topo do madeiro da Cruz. Sofrendo as mesmas dores, passando pelas mesmas humilhações, sendo esmagado inteiro, como Jesus o foi. Sua Missa – normal – durava quatro horas. E ninguém, vejam bem, ninguém, em mais de 50 anos, jamais reclamou disso. Porque as pessoas reclamam hoje, tanto, quando acontece uma Missa mais longa?
 
Introdução: Nos momentos iniciais, a equipe litúrgica costuma ler as intenções pelas quais se vai celebrar, como também lê um breve texto de introdução, que deve ser uma síntese de todas as leituras do dia. Longos textos desvirtuam o sentido, porque a Palavra deve ser explicada pelo sacerdote ungido. Neste momento, já todos devem estar em clima de forte compunção interior, num crescendo que não mais comporta digressões ou alheamentos. De fato, o Mistério é grande demais, para não se lhe dar a maior atenção. Que faria você, se ao invés de ver o sacerdote entrando, você visse o Próprio Deus? Pois, saiba, É o próprio Deus quem irá vir para celebrar.  
 
Entrada: Com o canto de entrada – e a entrada do sacerdote e dos ministros – unem-se os céus e a terra, num louvor sublime, que mostra alegria de podermos participar deste grande Mistério. É como se o sacerdote nos convidasse vivamente, para participarmos juntos, num só coração, daquilo de
mais perfeito que jamais Deus inventou: A Eucaristia! Como poderemos nós, míseras criaturas, banalizar algo tão sublime e Sacrossanto?
 
Beijo no altar: Assim que entra, o sacerdote se dirige ao altar e o beija com reverência e respeito. Beijando-o é como se beijasse a Cristo, do qual o Altar é símbolo. Também é sinal de veneração das relíquias dos mártires, conservadas na Pedra D´Ara, que está em todos os altares, sob as toalhas.
 
Mistério: Misticamente, o símbolo do gesto do beijo no altar, lembra o momento em que Jesus, ao receber a Sua Cruz para a subida do Calvário, a beijou com profundo ardor, aceitando-a com humilde obediência, porque nela estava a redenção do mundo.
 
 O Sinal da Cruz: Quando o sacerdote nos convida, pelo sinal da Cruz, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, repete o mesmo gesto de Jesus subindo o Horto das Oliveiras, depois daquelas últimas palavras, no cenáculo da última ceia: A Minha Alma está triste até à morte! É ali que devemos nos unir profundamente a Cristo, com todas as nossas forças, para vivermos com Ele a Paixão que seguirá.
 
Missa é Paixão? Frei Pio dizia: “A Missa é uma sagrada mistura com a paixão de Jesus. A minha responsabilidade é única no mundo. Indignamente sofro também eu, tudo aquilo que Jesus sofreu na Sua Paixão, quanto é possível a uma criatura humana”. Claro que jamais algum de nós chegará a este abismo, entretanto serve de aviso para aqueles que vivem a exigir modificações e a criar modas: Se o sacerdote comum não sofre as mesmas dores que Frei Pio, certamente Jesus, que está nele sofre! Quer ainda, então, palmas e abraços? Quer risos e confraternizações? De certa forma, todas estas coisas nada mais são que escárnio! Que cusparadas em Cristo! Elas, além de quebrarem o rito e o ritmo das celebrações, ainda roubam do conjunto infindáveis graças.
 
Saudação: Depois do Sinal da Cruz, o sacerdote saúda toda a assembléia reunida, e a congrega inteira, não só os que estão presentes, mas toda a Igreja, militante, padecente e glorificada, a uma humilde união com Cristo, na certeza do amor misericordioso de Deus.
 
Mistério: Quando o sacerdote nos convida à celebração, pelas palavras da oração inicial, é como se o próprio Jesus nos convidasse a vivermos com Ele a Sua Santa Paixão, que terminará certamente, não na morte, mas na Ressurreição da Páscoa Gloriosa.
 
Exortação: Após estas palavras iniciais, é comum o sacerdote fazer uma pequena peroração, onde concentra e sintetiza a essência das leituras que virão adiante, ou trabalha alguma situação grave daquele momento. Quando faz isso, ele está nos conclamando a fé, ao ardor missionário, que certamente tem na Missa o apogeu máximo.
 
O Getsemani: Frei Pio sofria as mesmas dores de Jesus, na medida possível à sua natureza humana. No Horto das Oliveiras, o sofrimento de Jesus foi tamanho que chegou a suar sangue. Isso aconteceu apenas em vista dos pecados dos homens, que Ele foi obrigado a ver. Os meus e... os seus, leitor! É exatamente isto amigos: no momento em que estamos fazendo o Ato Penitencial, misticamente Jesus está sofrendo no Getsêmani, onde lhe foram mostrados todos os pecados dos homens, de todos os tempos.
 
Ato Penitencial: Eu confesso! Depois disso, o sacerdote abre um espaço de profunda reflexão. É aqui que lembramos e reconhecemos humildemente nossas faltas, aceitamos que somos pecadores e imploramos a misericórdia de Deus e o perdão de nossos pecados. Isso é absolutamente necessário, porque quanto maior a pureza da alma que suplica - a oração do justo, bate no Céu e não volta sem ser atendida – maior o poder que ela adquire junto de Deus.
 
Tende Piedade: Nesta parte, deveríamos estar todos de joelhos diante de Deus, até com o rosto colado no chão, como forma de humildade profunda, de arrependimento sincero, e de propósito firme de não mais voltar a cometer as mesmas faltas. O ato de reconhe
cer-se pecador, indigno diante de Deus, é algo que dobra facilmente o Seu Coração Santíssimo, que adora perdoar. Deus não perdoa a quem não PEDE humildemente perdão, pois Ele respeita a liberdade que deu ao homem.
 
O Mistério: Quando na Missa, pelo sacerdote iniciamos com o pedido de perdão a Deus e aos irmãos, e ele nos absolve de nossas faltas leves, naquele mesmo momento, no Altar de cada Missa, Jesus está suando sangue novamente, da mesma forma e pelo mesmo motivo que já o fez no Calvário. E tanto maior será o Seu sofrimento, quanto menor for a nossa compunção interior e o nosso arrependimento. Mas quanto maior for o arrependimento, também maior será a divina misericórdia, e mais superabundante a graça.
 
O Glória: Frei Pio vivenciava cada momento da Liturgia sagrada, como se fora o próprio Cristo na Paixão primeira. E assim, expiava pelos pecados dos homens, pois sempre, considerava-se, ele, o maior de todos pecadores e se declarava culpado diante de Deus, porque dizia que a condenação dos pecadores recaía sobre ele. Mas atenção: este hino de louvor, não deve ser de alegria, mas de contrição, pois se pergunta:
 
Porque o louvor se Jesus sofre? Quando o sacerdote proclama o Glória, nada mais faz que elevar a Deus toda a nossa miséria humana, impotente, e necessitada da graça divina. Também, com isso, aclama a Eterna Misericórdia de Deus, por nos haver concedido o perdão dos pecados e nos chama a cantar louvores ao Poder e a Majestade do nosso Deus Trino. Isso nos aproxima do Amor de Deus, e nos prepara, de alma e mente, para recebermos os influxos benéficos da Santa Missa, pois vive-la em estado de graça, é certamente o melhor dos feitos de um homem. Lembramos, porém: A Missa não perdoa as faltas graves, os chamados pecados mortais. Estes necessitam antes da confissão a um sacerdote e impedem a recepção da Eucaristia.
 
Ao Pai Eterno: Certamente pertence o grande louvor ao Pai Eterno. Por esta oração Ele é sumamente glorificado por nos ter dado Seu Filho único, como Salvador e Redentor. É este o momento misterioso em que se abrem para nós as portas do paraíso, expressão máxima da benevolência e da misericórdia do nosso Bom Deus. 
 
    Começa aqui a segunda parte da Santa Missa: A Liturgia Eucarística!
 
As leituras: Numerosas vezes, Frei Pio foi visto chorando, durante a Leitura da Palavra de Deus. Perguntado sobre o motivo, ele respondeu: “E parece-vos pouco um Deus que conversa com suas criaturas? E que seja contraditado por elas? Que seja continuamente ferido pela sua ingratidão e crueldade?” Ou acaso é diferente o nosso comportamento? De fato, a nossa vida tem sido um contínuo desfile de ingratidões, eis que pessoas há que passam dias, ou anos, até uma vida inteira, sem sequer agradecer por nada daquilo que obtiveram, porque tudo é dom, tudo é graça, tudo é mistério de um Deus que é Amor.
 
Tema Central: A liturgia católica é de uma beleza e de uma perfeição ímpar, e a cada dia é voltada para um tema central. Todas as leituras do dia são escolhidas para focalizar e reforçar o tema do Evangelho, que virá a seguir. Sempre em seqüência de três anos, A, B e C, ao final temos repassado, em síntese, toda a Bíblia.  Pena que na Missa nova, muita coisa extraordinária ficou de fora, por causa desta mania de simplificar tudo, de diminuir o tempo de oração, e de proximidade dos fiéis com Jesus Eucarístico.
 
O Evangelho: Quando se procedem as leituras, especialmente a do Santo Evangelho, que deve sempre ser proclamado pelo sacerdote celebrante, ou diácono, é preciso que sintamos não apenas um homem comum nos falando, mas simplesmente o próprio Deus falando conosco. Neste momento, é como se misteriosamente Jesus estivesse instruindo os apóstolos, ou ensinando numa sinagoga, até mesmo falando nos campos, ou de dentro de uma barca, ou numa montanha. Que a voz do sacerdote, então, ressoe em nossos corações, não como um homem a nos falar, mas sim, como se o próprio Deus o fizesse pessoalmente. Que nã
o nos fixemos apenas nos erros eventuais da homilia, para depois xingar, mas antes, meditemos na Palavra Santa, que ela é Eterna e imutável.
 
O púlpito: Um dos grandes desastres da nova Missa foi a eliminação progressiva do uso do púlpito, certamente um dos mais salutares meios de bem pregar a Palavra de Deus. O sacerdote deve, sempre, estar em posição elevada, para que as pessoas olhando para cima, não percam a atenção, nem se distraiam com coisas e movimentos a sua volta. É um erro do sacerdote vir para perto do povo, como se o quisesse abraçar. Ele deve fazer como Jesus, que sempre mais elevado – na montanha – impunha-se com autoridade, eis porque as suas pregações surtiam tanto efeito. Infelizmente já os sacerdotes não se apercebem disso e desta forma milhares de graças deixam de fluir neste momento.
 
O Credo: Sempre, após a pregação do sacerdote, deve ser feita a oração do Credo. Esta oração é um dos maiores trunfos que temos para vencer o inferno. Deveríamos até rezar de joelhos, tendo em vista a sua suma importância. No momento em que você reafirma, com decisão, todas as verdades sagradas de sua fé, golpeia o nefando báratro, que se torce em dores, porque não consegue ficar perto de quem declara sua fé em Deus Trino. O mínimo que se deve ter, então, é uma devoção extrema quando se reza o Credo.
 
Prece dos fiéis: Após o credo, é comum a assembléia elevar novamente e publicamente as suas súplicas a Deus, em favor de suas intenções maiores ou especiais. Elas são também uma prova de humildade, pois quem pede a Deus, faz-se necessitado Dele, que solícito sempre nos acolhe, na medida do nosso Amor a Ele.
 
Liturgia Eucarística: Após a oração do credo e da prece dos fiéis, inicia-se propriamente a parte Eucarística da celebração. Tudo, até aqui, foi preparação para o grande mistério que terá seu ápice na Consagração e na partilha do Corpo de Cristo. Neste momento, os auxiliares preparam as oferendas e o sacerdote dispõe tudo perfeitamente, para que o Grande Milagre da Transubstanciação aconteça.
 
O corporal: Ao estender o corporal sobre o altar, colocando sobre ele a patena com a Hóstia maior, símbolo de Cristo, também o Cálice com vinho, e as partículas que deverão ser consagradas, ao apresenta-los a Deus e à assembléia, o sacerdote descerra como que o pano do palco, abrindo a cortina do grande cenáculo, para que possa se desenrolar diante de nossos olhos o poderoso efeito deste Supremo Mistério. Tudo isso se cumpriu na primeira ceia Eucarística, entre Jesus e os apóstolos.
 
O ofertório: Também no ofertório, muitas vezes, Frei Pio era visto a chorar. Quando perguntado, certa vez, ele disse: Desejaríeis arrancar-me o segredo? Pois seja! É que este é o momento em que a alma se separa do profano. Ou seja, era o momento em que ele mesmo se separava da sua parte humana, para tornar-se um só com Cristo e ser vítima com Ele, em oferta agradável ao Pai, o preço certo capaz de expiar as nossas culpas. E assim deve acontecer com todos os sacerdotes. Mas como Jesus irá permanecer em um sacerdote que está em pecado grave? Pensemos nisto e rezemos por eles!  
 
Mistério: Neste momento, então, o próprio Cristo se oferece ao Pai, como vítima nova, para um Sacrifício novo, de uma Aliança Nova, eis que Ele veio à terra, não para fazer a Sua própria vontade, mas a vontade do Pai que O enviou, e que está nos céus.
 
Um segredo: E para ser meditado. No momento em que apresenta as ofertas, o próprio sacerdote, misteriosamente, é tomado inteiro por Jesus, separando a alma do seu ser comum. Torna-se então o próprio Cristo, não mais homem, mas Deus, eis porque, a uma alma especial Nossa Senhora disse assim: O sacerdote não é um homem a serviço de Deus, mais sim, é Deus em serviço! Compreenderam agora o poder dele?
 
A patena: Misticamente, neste momento em que o sacerdote nos apresenta a patena, e junto com ela a hóstia maior, este receptáculo sagrado torna-se para nós a visão da Cruz
de Cristo, e a hóstia, o Pão, o Corpo do Senhor. É Ele quem vai ser oferecido em holocausto como vítima perfeita, para um sacrifício eterno e santo. Tudo simples, parecendo sem efeito, mas aceito por Deus Pai e extremamente eficaz. Pois o Pai misteriosamente O aceita, de uma forma para nós invisível, mas para Deus real. Ou seja, enquanto nós humanos vemos somente uma patena e uma hóstia branca, o Pai Celeste vê, realmente, Seu Filho como prestes a ser pregado na Cruz. Eis aí o mistério.
 
O cálice: Quando o sacerdote coloca o vinho no cálice e nele acrescenta uma pequena gota de água, reza uma oração especial que faz unir a divindade de Cristo com a nossa humanidade. É o mistério sublime da dota de água da nossa ínfima participação no processo redentor, pois nos unimos a Cristo – toda a Igreja se une – de uma tal forma, que se torna impossível nos separarmos Dele, assim como é impossível separar a água do vinho.
 
O Vinho: O vinho, neste mistério, prefigura o Sangue de Cristo, derramado por nós e por muitos – não por todos – em remissão dos pecados. Sangue não espremido do fruto da videira, mas sim do Corpo Santo do Senhor, arrancado a ferros e suplícios, durante a flagelação e o drama pavoroso do Calvário.
 
A água: A água nos lembra também a limpeza e nos lembra a água do Batismo, pois precisamos renascer da água e do Espírito, para sermos dignos de entrar no Reino de Deus. É também um sinal do homem renascido, purificado, lavado, e em preparação para assumir a plenitude de uma vida nova em Deus.
 
Oferta de si: Agora o sacerdote reza uma oração de oferta de si mesmo e de todos aqueles que aceitam e aderem ao santo Mistério que está sendo celebrado. Deste modo ele oferta toda a Igreja e a coloca ao redor do altar, eis porque, mesmo que não estejam presentes, milhares de pessoas se apropriam das graças resultantes de cada Santa Missa, pois que aceitam e aderem à doutrina do Corpo de Cristo e participam do Seu Corpo Místico.
 
Invocação: Neste momento importante, o sacerdote invoca a ação do Espírito Santo, esta força transformadora de Deus, para que abençoe o Sacrifício que se celebra naquele momento. Nesta mesma oração, o próprio sacerdote é transformado, a exemplo de Maria Santíssima, Mãe dos Sacerdotes, para que se torne digno de celebrar este Santo Mistério.
 
Oração: Aqui o sacerdote invoca e nos estimula, rezando sobre as oferendas: Corações ao alto! Ao que respondemos: O nosso coração está em Deus! Deste modo, ele nos convida a nos libertarmos de tudo aquilo que nos prende à terra, elevando-nos em espírito contrito para Deus. E nas respostas que seguem, nos preparamos junto com o celebrante, para depois entoarmos o solene cântico do “sanctus”, que faz unir todas as almas e os espíritos criados, num sublime e eterno hino de louvor ao nosso Deus Uno e Trino.
      Aqui, por questão de espaço, temos que cortar o texto porque haverá uma parte 2. Se você realmente ama a Santa Missa, por favor, não deixe de ler até o fim.


 
 
 

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