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Página dedicada aos que amam as almas do Purgatório.
FAMÍLIA, FUNDAMENTO DA SALVAÇÃO
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24/10/2005
O inferno existe (4)
 
Trevas - 301 O inferno existe (4)
Trevas - 301 O inferno existe (4)

2051024 O INFERNO EXISTE (4)
(parte 4)
 
 
CAPÍTULO IX
 
Lembrança salutar do inferno
 
 
O pensamento do inferno é fecundo de magnânimas resoluções. Quantos se santificaram meditando naquele terrível sempre e naquele terrível nunca! Quantos deixaram o pecado e se entregaram à virtude ouvindo um sermão sôbre o inferno! A lembrança daquelas chamas eternas dava fôrça aos mártires para suportarem os mais cruéis tormentos e caminharem alegres para a morte. Quem pensa no inferno suportará com paciência os males dêste mundo, reputando-os insignificantes em comparação com os da eternidade.
 
O Padre João Eusébio Nierenberg, glória da Igreja de Espanha pela doutrina, pela santidade, pela direção esclarecida de muitas almas, teve dez anos antes de morrer tantos sofrimentos e tão excessivos que passava por certo envenenado da Babilónia! Ele trilha a passos agigantados a caminho da perdição; e como é difícil deter-se e voltar atrás!
 
E êste pecado traz muita vez consigo o sacrilégio, mormente nos jovens. Confessam-se sem dificuldade das culpas cometidas contra a obediência, a caridade as outras virtudes; mas têm vergonha de revelar ao confessor as faltas cometidas contra a bela virtude. O demônio tira-lhes a vergonha no ato de cometer o pecado e depois lhes restitue no momento da confissão. E então comentem um sacrilégio, depois outro e mais outro, até que a justiça divina cansada, abre para êsses infelizes a porta do inferno.
 
Sirvam os seguintes exemplos para causar salutar temor e preservar-nos de impureza e de sacrilégio.
 
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Santo Antônio de Florença refere nos seus escritos um fato terrível, que pela metade do século XV encheu de pavor todo o norte da Itália.
 
Um rapaz de boa família, que na idade de 16 para 17 anos tivera a desgraça de calar na confissão um pecado mortal e de comungar nesse estado, ia adiando, de semana em semana, de um mês para outro, a confissão para êle tão penosa dos seus sacrilégios. O santo arcebispo não menciona qual fôsse o pecado oculto, mas parece que tenha sido uma culpa grave contra a bela virtude. Atormentado pelos remorsos, em vez de descobrir com sinceridade a sua miserável condição, procurava a paz fazendo grandes penitências; mas inutilmente.
 
Não agüentando mais os contínuos assaltos da consciência entrou num convento, pensando: – Lá, ao menos, confessar-me-ei bem e farei penitência dos meus pecados: Por sua desgraça foi recebido como um moço de vida exemplar, pois os superiores sabiam da boa reputação de que gozava; e por isso, também aqui a voz da consciência para outra ocasião, e dois, três anos passou-se em tal deplorável estado, sem ter a coragem de se confessar.
 
Afinal uma doença parecia-lhe trouxesse oportunidade: – Desta vez, dizia consigo o infeliz, manifesto tudo e faço uma confissão geral antes de morrer.
 
Mas, também desta vez não foi sincero na acusação; fez tantos rodeios que o confessor não compreendeu nada; esperava confessar-se melhor no dia seguinte, mas surpreendido por uma crise, expirou miseràvelmente nesse estado.
 
Na comunidade, ignorando todos o seu triste fim, cercaram de veneração o defunto; o corpo foi transportado para a igreja do convento, onde ficou exposto no côro até as matinas do dia seguinte, quando se fariam as exéquias.
 
Uns minutos antes da hora marcada para a cerimônia, a um dos frades que fora tocar o sino aparece o morto amarrado de correntes afogueadas com não sei que de incandescente que lhe transparecia em tôda a pessoa. O frade caíu de mêdo, mas cravou o olhar naquela terrível aparição; então o réprobo lhe falou: – “Não rezeis por mim, que estou no inferno para sempre.” E contou-lhe a lamentável história de sua maldita vergonha e dos seus sacrilégios. Depois desapareceu, deixa
ndo na igreja um odor pestífero que se espalhou por todo o convento, como para atestar a verdade do que o frade tinha visto e ouvido.
 
Advertidos os superiores fizeram remover de aí o cadáver, julgando-o indigno de sepultura eclesiástica.
 
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Narram as crónicas de S. Bento de um solitário de nome Pelágio, que encarregado pelo pai da guarda do rebanho, levava vida exemplar, tanto assim que todos lhe chamavam santo. Assim viveu muitos anos. Mortos os pais, vendeu as poucas coisas que lhe deixaram, e se retirou para o ermo.
 
Uma ocasião teve a desgraça de consentir num pensamento desonesto. Cometido o pecado, caiu em profunda melancolia porque não queria confessá-lo, para não perder a fama em que era tido. Resolveu fazer penitência, sem confessar o pecado, iludindo-se a si mesmo que Deus talvez lhe perdoasse sem confissão. Entrou num convento, onde foi recebido pela sua boa fama, e aí viveu vida austera. Chegou a hora da morte e êle se confessou pela última vez; mas como por vergonha ocultara o pecado durante a vida, assim deixou de o contar na hora da morte. Depois de receber o viático morreu e foi sepultado como o mesmo conceito de santo.
 
Na noite seguinte o sacristão encontrou o corpo de Pelágio em cima da sepultura e o enterrou outra vez; como, porém, o encontrasse desenterrado três noites consecutivas, avisou o abade, o qual foi ao sepulcro com outros frades, e:
 
– Pelágio, disse, tu foste sempre obediente durante a vida, obedece-me também agora depois de morto; dize-me: é talvez vontade divina que o teu corpo tenha lugar reservado?
 
O infeliz defunto dando um formidável grito respondeu:
 
– Ai! eu estou condenado por um pecado que não confessei; olhe, snr. abade, para meu corpo.
 
E o seu corpo, nêsse instante, apareceu como um ferro em brasa, que mandava chispas. Todos fugiam espavoridos; mas Pelágio chamou o abade para que lhe tirasse da bôca a partícula consagrada que ainda se achava aí. Depois disto, Pelágio disse que o tirassem da igreja e o lançassem no monturo, e a ordem foi executada.
 
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Conta o Padre João Batista Manni, jesuita, que houve uma pessoa que por muitos anos calou na confissão um pecado de desonestidade.
 
Passaram por aquêle lugar dois frades dominicanos; ela, que sempre esperava um confessor estranho, pediu a um dêles que a ouvisse em confissão. Saindo da igreja, o companheiro contou ao confessor, que observara que, enquanto aquela senhora se confessava, saiam de sua bôca muitas serpentes; mas, que uma enorme serpente apenas pôs para fora a cabeça e entrou de novo; e então voltaram tôdas as outras.
 
O confessor, suspeitando o que isso pudesse ser, correu à casa daquela senhora; na porta lhe disseram que ela ao chegar à sala caira morta.
 
Depois disto, apareceu-lhe, durante a oração, a pobre mulher vestida de fogo e disse: – Eu sou aquela mulher que me confessei contigo, cometendo um sacrilégio; eu tinha um pecado que não queria confessar aos sacerdotes da cidade; Deus mandou um confessor de fora, e foste tu, mas também nessa ocasião deixei-me vencer pela vergonha e logo a justiça divina me castigou, tirando-me a vida apenas cheguei à casa, e justamente me condenou ao inferno.
 
Tendo assim falado, abriu-se a terra onde se precipitou e desapareceu para sempre.
 
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O Padre Martinengo, no seu livro da Primeira Comunhão, conta também um fato que aqui reproduzo com as próprias palavras.
 
Numa paróquia de França celebrava-se a festa de Primeira Comunhão das crianças. Estava já o celebrante distribuindo a comunhão, quando, de repente, um menino, apenas recebeu a sagrada Partícula, caíu no chão. O socorro não se fez esperar. O menino estava frio como cadáver, sem conhecimento e sem fala. Levado nos braços para uma casa próxima e deitado numa cama, procuram reanimá-lo. Vem o médico, que tudo faz para que o menino volta a si. Debalde!
 
Entretanto, terminada a função, chega o padre que tanto o amava, senta-se à cabeceira, chama-o
pelo nome, sacode-o até. Nenhum sinal de vida.
 
– Ah! coitadinho! Que teria acontecido? Estará mesmo morto? eram as perguntas que então se faziam.
 
Não; não tinha morrido, mas era moribundo. Depois de convenientemente medicado, o menino se mexeu, abriu os olhos e olhou estonteado os circunstantes. Momentânea alegria se difundiu no semblante de todos. O bom padre deu um grande suspiro de esperança e consolação, e começou a acariciar o menino e a confortá-lo com santas e afetuosas palavras.
 
– Filho, te sentes mal, não é? Coragem! sofre com paciência. Jesus a quem recebeste te ajudará com certeza.
 
Ouvindo êsse nome, o menino torna-se lívido, olha assustado para o padre e prorrompe nestas palavras de desespêro: – Ai de mim! cometi um sacrilégio!
 
Assim dizendo, vira sinistramente os olhos, cerra os dentes, range-os, e fazendo esgares volta-se para o lado da parede e expira.
 
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Conta o Padre Francisco Rodrigues, e o traz também Santo Afonso, um fato acontecido na Inglaterra, quando aí dominava a religião católica.
 
O rei Anguberto tinha uma filha que por sua airosidade fôra pedida em casamento por muitos príncipes. Mas a princesa recusou terminantemente, pois fizera voto de castidade. O pai pediu para ela dispensa de Roma, mas a filha ficou firme no propósito de não se casar dizendo que não queria outro esposo senão Jesus Cristo; e ao mesmo tempo pedia ao pai permissão de viver afastada do mundo; o pai, que a estimava muito, condescendeu dando-lhe uma casa e côrte convenientes. Começou então uma vida santa de oração, jejum e penitências; frequentava os sacramentos e muitas vezes ia prestar serviços aos doentes dum hospital vizinho. Nêsse teor de vida morreu, apesar dos seus verdes anos.
 
Certa vez uma senhora, que tinha sido sua criada, ouviu, durante a oração da noite, um rumor estranho e depois viu aparecer subitamente uma alma em figura de mulher, no meio do fogo e acorrentada entre muitos demônios, que se apresentou assim:
 
– Eu sou a infeliz filha de Anguberto.
 
– Como? perguntou assustada a aia; vós, condenada após uma vida tão santa?
 
Replicou a alma; – Fui justamente condenada por minha culpa.
 
– Sendo ainda criança tive a desgraça de cair num pecado desonesto. Fui confessar-me, mas a vergonha fechou-me a bôca e em vez de revelar candidamente o meu pecado, eu o cobri de jeito que o confessor nada compreendeu, e cometi um sacrilégio. Depois comecei a fazer penitências, a das esmolas, para que Deus me perdoasse, mas sem confissão. Em artigo de morte disse ao confessor que tu tinha sido uma grande pecadora. O padre ignorando o meu estado respondeu-me que devia repelir êsse pensamento como uma tentação; logo depois expirei e fui condenada para sempre, às chamas do inferno.
 
E, dizendo isto, desapareceu, mas com tanto estrépito que parecia derrubar a casa, deixando no quarto um mau cheiro insuportável, que durou por muitos dias.
 
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O terceiro pecado que arruína tantos cristãos é a blasfêmia. E como se tornou comum no dia de hoje!
 
Se um carroceiro não consegue fazer o seu animal andar vomita blasfêmia contra Deus e contra os santos. Se um comerciante vai mal nos seus negócios dirige imprecações contra os céus. Um jogador perde e então se ira fortemente contra Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima. Não se pode sair de casa, sem que os ouvidos e o coração se firam por blasfêmias. Mas, que mal nos fez Nosso Senhor para o maldizermos? Não é Ele o nosso Criador, o nosso Redentor que morreu na cruz para nos salvar, e que está pronto a derramar sôbre nós as suas bênçãos celestes, se o amamos? Por que usamos mal dessa língua que nos foi dada para cantar os seus louvores, profanando o seu santo nome?
 
A blasfêmia é a linguagem do inferno. Os santos padres justamente indignados pelos gravíssimos excessos que ela encerra chamam os blasfemos demônios em carne. Ai de quem se habitua a blasfemar! Ele se encaminha a largos passos para o inferno, pois multiplica pecados sôbre pecado
s, escândalos sôbre escândalos.
 
Em alguns países católicos fundaram-se pias uniões que têm por escopo impedir as blasfêmias, ou, pelo menos, fazer a reparação, bendizendo o santo nome de Deus. Quando encontram algum infeliz que não sabe observar o segundo mandamento da lei de Deus, o advertem caridosamente por si ou por meio de seus conhecidos, mostram o mal que faz à própria alma, o escândalo que dá ao próximo e o castigo que o espera, se não se corrige. São admiráveis os resultados que conseguem tais pias uniões ou ligas e muito fôra para desejar que florescessem em todos os países, em tôdas as cidades.
 
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Reuniram-se alguns soldados numa taberna de Voviano, na Lorena, e depois de terem bebido demais, começaram a jogar. Um dêles tendo perdido muito levantou-se raivoso da mesa e vendo por acaso uma imagem de Maria SS., pôs-se a desabafar a sua raiva vomitando as mais nefandas blasfêmias contra a Mãe de Deus.
 
Mas no mesmo instante, caiu no chão, com um horrível tremor em todos os membros e com tão violentos espasmos nas vísceras que se contorcia e bramia como um leão ferido. Três dias êle passou nesse estado, sem poder engolir nem alimentos, nem remédio para acalmar um tanto aquelas dores horríveis, até que no quarto dia, espumando de raiva e mordendo nervosamente a poeira morreu na presença de seus companheiros, estarrecidos por êsse lutuoso espetáculo.
 
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Sabendo S. Leonardo de Porto Maurício que em Suzze, onde pregava as santas missões, estava enraizado o vício da blasfêmia começou a falar com veemência contra êsse enorme pecado.
 
Um jovem devasso e grande blasfemo, riu-se das ameaças que Deus fazia por meio de seu ministro; aconteceu que no dia seguinte, precisamente na hora do sermão, êle passeava a cavalo pelas ruas da cidade; num dado momento levou uma forte quéda e teve morte instantânea, ficando com a língua fora da boca.
 
Todos conheceram o fato como castigo manifesto de Deus, o que serviu para incutir no povo um grande horror à blasfêmia.
 
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Lê-se na Sagrada Escritura, que o soberbo e perverso Nicanor foi ferido de morte numa batalha. Judas Macabeu, vendo-o tombar, mandou que o degolassem e arrancassem a língua sacrílega que tantas blasfêmias proferira, atirou-a às aves, para incutir temor nos blasfemos.
 
 
 

CAPÍTULO X
 
Três amplos caminhos que conduzem ao inferno: a desonestidade, o sacrilégio e a blasfêmia
 
 
Todos os pecados mortais são caminhos que vão dar no abismo eterno; há, porém, alguns que fazem mais estragos e causa a morte a um maior número de almas. O pecado de desonestidade é talvez o que mais povoa o inferno, porque é um pecado muito grave, fácil de cometer, pela corrupção de nossa natureza, e depois difícil de abandonar.
 
Santo Agostinho diz que a soberba povoou o inferno de anjos e a desonestidade o enche de homens. E Santo Afonso não receia afirmar que todos os cristãos que se condenam, se condenam pela impureza, ou, pelo menos, não sem ela. Ai do jovem que chega os seus lábio a êste cálice que êle os pedira a Deus para fazer com merecimento o purgatório nesta vida. No auge da dor, todo encolhido pela contração dos nervos, dizia; – “Dói muito, mas não é fogo, não é fogo”. Crescia a tortura e aumentava a dor, “mas não era fogo”; à contração dos nervos juntava-se a gota, “mas ainda não era fogo”. Por estar de cama dez anos seguidos, dolorosas chagas cobriam-lhe o corpo aumentando o seu sofrimento, contudo êle repetia sempre: – “não é fogo, não é fogo, e acabará”. E assim se animava a suportar tudo com paciência por amor de Deus.
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Um santo solitário, assaltado por violenta tentação, temendo ser vencido, acendeu o lume e para se compenetrar vivamente do pensamento do inferno, pôs os dedos na chama e os deixou queimar, dizendo de si para consigo: – Uma vez que tu queres pecar e merecer o inferno que será o castigo de teu pecado, experimenta antes se és capaz de su
portar o tormento de um fogo eterno.
 
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Um rico dissoluto, ainda que pelos seus inúmeros pecados vivesse em contínuo temor do inferno, todavia não tinha coragem de romper com os seus maus hábitos e de penitenciar-se. Recorreu, pois, a Santa Ludovina que então edificava o mundo com a sua paciência e lhe pediu que fizesse penitência por êle.
 
– De boa mente, respondeu a santa, oferecerei por vós os meus sofrimentos, com a condição, porém, que uma noite inteira vós conserveis na cama a mesa posição, sem vos moverdes de nenhum modo.
 
Aceitou fàcilmente a condição, mas passada apenas meia hora, sentiu enfado e já queria mover-se. Todavia não o fez; aumentando, porém, o mal-estar daquela posição que lhe ia parecendo insuportável, cedeu. Então uma impressão salutar se despertou no seu coração: – Se é tão molesto ficar imóvel num leito cômodo por uma noite, oh! o que não será ficar deitado num leito de fogo pelo espaço de uma eternidade? E terei ainda dúvida de me livrar dêsse suplício com um pouco de penitência?
 
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No ano 285, duas matronas cristãs, Donvina e Teonila, foram levadas ao prefeito Lisias que as intimou a renegarem a fé e abraçarem o culto dos ídolos. Elas recusaram terminantemente. Então o prefeito mandou acender o fogo e erguer um altar dos ídolos.
 
– Escolhei, disse; ou queimar incenso aos nossos deuses, ou ser vós mesmas queimadas nesta fogueira.
 
As duas mártires responderam sem hesitar:
 
– Nós não tememos êste fogo que daqui a pouco se apaga; tememos, sim, o fogo do inferno que não se apaga nunca. Para não cair no inferno é que detestamos os vossos ídolos e adoramos a Jesus Cristo.
 
E assim sofreram o martírio.
 
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Tomaz Moor, o grande chanceler da Inglaterra, foi perseguido e ameaçado de morte por ter recusado um juramento iníquo exigido pelo ímpio rei Henrique VIII. Empregaram todos os meios para o seduzir, e, não valendo as promessas, recorreu-se à violência. Foi atirado à prisão para que definhasse. Os amigos o importunavam para ceder; a espôsa o conjurava a dobrar-se à vontade do rei, e conservar assim a vida para o bem dêles e dos filhos.
 
– Quantos anos, lhe disse êle, te parece que poderia ainda viver?
 
– Mais de vinte, respondeu ela.
 
Tornou o preso, mostrando-lhe severo semblante:
 
– Pois, por vinte anos e tanto queres que venda uma eternidade?
 
Ele foi, por isso condenado à morte. Este homem generoso, assim como tinha sabido viver entre as grandezas da côrte sem fausto, soube também morrer no patíbulo sem fraqueza. Antes de ser executado rezou o Miserére, e morrendo como forte ensinou a todos que é preciso salvar a alma, a todo custo, porque perdida a alma, tudo está perdido.
 
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Apresentou-se uma ocasião ao Papa Bento XI o embaixador de um grande soberano, pedindo em nome do rei um favor, mas de tal natureza que não se podia conceder lìcitamente.
 
– Deus sabe, respondeu o Pontífice, como desejo ardentemente contentar o vosso imperador. E tão vivo é êsse desejo, que se tivesse duas almas, sacrificaria de boamente uma para lhe conceder o favor que pede. Mas, dizei ao vosso soberano que tanto só uma alma, e absolutamente não posso, não devo, não quero perdê-la para agradar a êle.
 
Belas palavras, que todo cristão deveria ter sempre presentes à memória e pronta na bôca para semelhantes circunstâncias!
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É célebre a invenção usada por um rei piíssimo para fazer pensar mais retamente a um cavalheiro de má vida. Convidou-o para uma soberba caçada. Imediatamente depois da caça um jôgo de muitas horas. Acabando o jôgo, convite para assistir a uma representação. O cortesão estava cansado; mas era convite do rei e precisava aceitar. Depois do teatro que durou quatro horas, uma embaixada anunciava uma sessão de músicos estrangeiros, e pedia ao cavalheiro quisesse honrá-la com a sua presença. O pobre homem murmurou: – Parece que o rei quer matar-me com tanta diversão; se vier mai
s um convite morro de verdade.
 
E o quinto convite veio mesmo; no salão da côrte havia um baile e aí também o rei o esperava.
 
– Pobre de mim! ainda um baile? não posso mais ficar em pé!
 
E excusou-se com o rei:
 
– A bondade de Vossa Majestade me confunde. Mas, por amor de Deus, um pouco de descanso; dezoito horas ininterruptas de diversão…
 
– E vos parece muito? replicou ou rei. Não podeis então, aguentar dezoito horas de divertimento e aguentareis a longa eternidade de contínuos sofrimentos não variados, para os quais vos leva vossa vida?
 
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O Padre Cattaneo narra um fato para nos fazer compreender o mêdo que devemos ter de nossa sorte futura. E todavia de nós depende a escolha!
 
Maomé II, senhor dos turcos, aquêle que anexou mais de duzentas cidades ao grande império de Constantinopla e invadiria a Itália se a morte lhe não frustrasse a realização dos planos, foi homem crudelíssimo e sanguinário; de uma feita, achando falta de um fruto no seu jardim, mandou reunir os criados para saber qual tinha sido o delinquente, e porque nenhum dêles ousou confessar aquêle pequeno furto, mandou abrir o ventre de todos para saber onde estava o corpo de delito; e foi providência de Deus ter-se encontrado o fruto depois de mortos três servos; senão, todos o outros seriam sacrificados.
 
Ora, êste bárbaro rei fez um parque de caça reservado para si, num lugar onde havia abundância de animais e aves; decretou pena de morte a quem ousasse caçar nesse parque.
 
 
 
 

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